Ameba branca

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No outro dia, pela manhã, Hermione acordou cedo. Colocou o uniforme padrão de Hogwarts, mas não a mesma capa. Não queria uma capa com mangas.

Vestiu uma enorme capa que arrastava no chão. Sem mangas. Apenas o capuz, proporcionalmente grande.

Correu para a mesa do café da manhã para conversar um pouco com Gina antes da aula.

-Bom dia, Gina. - disse sentando-se na frente da amiga e pegando um biscoito na cesta.

-Bom dia, Hermione. Não deixe de se alimentar, não quero ter que fazer suas atividades de novo. - disse a amiga, em tom zombeteiro.

-Ora, cala-te, Gina! - riu e jogou-lhe o biscoito que comia.

Neste momento chegam os meninos, com suas malas nas mãos.

- Bom dia, meninas. Estamos de partida. - diz Harry. Nenhuma das duas disse algo. Era certo que a amizade deles já não estava igual antes.

-Hermione, posso falar com você? A sós. - Rony tocou seu ombro. Ela deu uma revirada nos olhos, mas concordou.

Caminharam lado a lado até a rua, onde sentaram-se em um banco. Após alguns segundos de silêncio, ele começou.

-Desculpa por ter te ofendido. Eu não consigo imaginar outra pessoa te querendo. Por que eu gosto de você, Hermione.

-Mentira. Você não gosta de mim. - dizia tranquilamente. - Você tem sentimento de posse. E são duas coisas muito diferentes. Agora eu vejo, desde criança, você nunca me quis. Foi por causa de você que eu quase fui morta por um trasgo no banheiro da escola, logo no primeiro ano. Lembra? Eu lembro. No segundo ano, eu virei uma estátua por que estava tentando proteger você. Eu queria descobrir o que era aquela coisa que corria por dentro do encanamento da escola pra te manter seguro. Quando você se arriscou assim por mim? No terceiro ano, você foi arrastado pra dentro de um buraco por um cão enorme, e eu não pensei duas vezes em pular la dentro pra te salvar. Mas no quarto ano, quando teve o baile, você não me convidou. Eu fui sua última opção. Eu nunca fui a sua primeira opção pra nada, Rony. Mas se eu fosse a mulher da sua vida, talvez as coisas fossem diferentes. Você ainda me ve como a dentuça dos cabelos revoltos de onze anos. Você não me ve como mulher. Me desculpe, Rony. Mas não posso viver com isso.

Dito isso, ela se levantou sem deixar ele terminar de falar. Não queria ouvir mais um monte de mentiras. E nem era para ela que ele estava mentindo. Era para ele mesmo.

Não terminou seu café da manhã. Foi até seu quarto e deu um lento suspiro enquanto via pela janela seus velhos amigos indo embora.

Pegou seus cadernos e foi para a aula.

O dia se arrastou muito devagar. Ao final de todas as aulas, já ao por do sol, Hermione decidiu ir dormir no salão dos monitores com Gina e Luna.

Pegou o travesseiro e um cobertor e caminhou até o salão comunal dos monitores. Entrou pela passagem do quadro e foi até seu antigo quarto.

Algumas de suas coisas ainda estavam ali. Quatro ou cinco blusas no seu armário, alguns livros na prateleira e suas pantufas em baixo da cama.

Talvez alguém devesse substituir seu lugar no salão dos monitores, pensou. Talvez Neville. Assim como também alguém poderia substituir o lugar vazio de Malfoy.

Levantou-se e foi até a sala da diretora McGonagall. Bateu na porta, e ao sinal de voz da diretora, entrou na sala.

-Boa tarde, diretora. Desculpe incomoda-la esta hora. Eu tive uma ideia hoje quando fui ao salão comunal dos monitores e acho que seria muito útil. Temos dois quartos sobrando nos dormitórios de monitores, um quarto da Grifinoria e outro da Sonserina. Acredito que seria muito útil convidarmos mais dois alunos, um de cada uma dessas casas, a serem monitores também. A minha sugestão de aluno da Grifinoria seria o Neville Longbottom, que se mostrou um verdadeiro Grifinório durante a guerra, corajoso e bondoso. Já alunos da Sonserina eu não sei, não costumo conversar com eles, mas fica a seu critério. - disse a garota calmamente, sentada em uma cadeira revestida em veludo vermelho.

-É realmente uma boa ideia, Senhorita Granger. Mas tenho que mandar o pedido para avaliação no Ministério. Em dois dias tenho a sua resposta. Agradeço a sugestão. - disse com sua habitual delicadeza e continuou escrevendo algo em seu pergaminho.

-Obrigada pela sua atenção, professora. - Hermione levantou-se e voltou para o dormitório.

Olhou para as prateleiras do salão comunal, abarrotadas de livros. Ela já leu todos eles.

Sentou-se frustrada na poltrona e esperou Gina e Luna chegarem. Estava com frio. Apesar de o calor ser imenso do lado de fora do castelo, as paredes de pedra e o chão de mármore faziam parecer que se estava em um iglu.

Ela sentou mais perto da lareira e lia o jornal. Chega Astória Greengrass e começa seu incrível falatório sobre como ela não queria que Hermione chegasse perto de Draco Malfoy no novo salão comunal.

-O que te faz pensar que eu me sinto atraída por aquela ameba branca? - Hermione puxou seu jornal pra baixo e perguntou com toda sinceridade do mundo olhando nos olhos de Greengrass.

-Ameba branca?- perguntou uma voz masculina, levemente surpreendida.

Hermione bufou. Por que suas amigas ainda não chegaram? Olhou seu relógio: 18:45.

-Não me torra a paciência, Malfoy. - levantou irritada, jogando o jornal em cima da poltrona em que estava.

-Você me ofendeu! E eu é que tenho que tenho que controlar minhas emoções? - fez falso tom de indignação. Puro deboche. E a garota, sem olhar para trás, deu-lhe o dedo do meio.

Ela voltou para seu quarto no salão comunal dos monitores-chefe e ficou fazendo suas lições de casa.

Pegou no sono com os pergaminhos sobre seu colo.

o Leão e a CobraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora