Hermione não sabia o que faria com essa informação. Confrontaria Malfoy? Fazia um ensopado com a pele de Emilia se ela realmente aparecesse?
Na realidade, ela não ousava nem perguntar quem a convidara, por que a resposta parecia muito óbvia.
Caminharam o resto do caminho em silêncio. Foram direto para a Sonserina. Hermione só queria largar seu vestido no quarto e descansar. Talvez ler algo.
Guardou a caixa com seu vestido dentro de uma das gavetas da estante. Prendeu os cabelos e pintou as unhas de preto. Ela pintaria de vermelho se não tivesse plena certeza que Daphne ameaçaria arrancar as pontas de seus dedos.
Escutou uma batida à porta e levantou-se para abri-la. Era Malfoy, e ele trazia uma minúscula margarida, e estava sorrindo.
—A última florzinha do jardim. — disse ele. — Colhi para você.
Hermione o abraçou.
—Muito obrigada.
E então entraram no quarto.
—Como foi fazer compras com Daphne? — perguntou ele, sentando-se na cama de Hermione.
—Aquela garota é um pesadelo. — disse ela, abrindo um sorriso largo. — Mas apesar de toda a agressividade, tenho que admitir que foi divertido.
—Eu fui até Hogsmeade procurar por vocês, mas não as encontrei. — disse ele. Hermione se deitou na cama.
—Pois é. Acabamos indo comprar os vestidos no Beco Diagonal e eu não tive como avisar você. — disse ela, apoiando o cotovelo contra o colchão e a cabeça na mão. — Desculpe te deixar sozinho. — disse ela.
Um lampejo pelos olhos dele. Como se tivessem congelado por milésimo de segundo. Passou a mão pela nuca, eriçando os cabelos loiros.
—Não tem problema. Fico feliz que tenham se divertido. — disse ele. —Ah me lembrei, — disse ele, de súbito, e levantando-se. — tenho que levar minha veste para ajustar. As mangas. — disse ele, se precipitando para a porta.
—Tudo bem então. — respondeu ela, desconfiada. — Te vejo depois.
Mas ele já havia fechado a porta atrás de si.
Hermione suspirou alto.
Cada dia que passava, as coisas pareciam mais estranhas. E ela só desejava voltar para uma época onde ele tinha mais certezas do que agora.
Parecia que até mesmo Draco Malfoy estava se afastando dela.
Daphne entrou no quarto algum tempo depois.
—Que cara é essa? — perguntou ela, largando alguns livros em cima da cama. Hermione não achava que Daphne Greengrass era do tipo leitora, e isso realmente estava sendo uma surpresa.
—Tem algo estranho com Draco. — disse ela, levantando-se de onde estava deitada e sentando-se na beirada da cama.
—Estranho como? — perguntou a outra, organizando os livros em cima de sua estante.
—Eu não sei. Distante. — Hermione se levantou e foi até a estante. — Parece que estamos cada vez mais distantes um do outro.
—Relaxa. — disse Daphne. — Deve ser por que agora você está no dormitório comum e não dos monitores, então você não vê ele com a frequência que estava acostumada, — Hermione reparou que a garota estava colocando um par de brincos. — mas isso pode ser até bom. As vezes ficar um pouco afastada da saudade, parece que a gente fica com mais vontade. — disse ela, dando de ombros.
—Você sabe, não é? Que já passamos dessa fase de sentir a saudade e tudo mais. — Hermione foi até Daphne e sentou-se na cama dela.
—Sim, eu sei. Mas não vem ao caso. — disse ela, agora passando um gloss na boca. —Que quero dizer é, — fez uma pequena pausa para espalhar bem o brilho que cobria seus lábios. — não tem que se preocupar. É só uma fase.
—E por que diabos está se arrumando? — Hermione não se conteve e finalmente perguntou. Daphne sorriu diabólica.
—Eu tenho que sair. Mas eu volto, não se preocupe. — disse ela, pegando um casaco de pele de dentro de uma de suas gavetas e saiu batendo a porta.
Hermione ficou algum tempo sentada na frente do vidro que formava uma das paredes do quarto, olhando para o lago. Não tinha absolutamente nada para fazer. Maior parte dos alunos de Hogwarts já tinha voltado para a sua casa para passar as férias de final de ano.
Ela havia brigado com suas amigas. Seu namorado andava agindo esquisito. E até o presente momento seu ex-amigo Harry Potter ainda não havia respondida a carta — cuja ela tinha escrito com tanta sinceridade quanto podia.
Estava se sentindo vazia. E morrendo de tédio. Estava até mesmo com preguiça de ler. E queria tomar um chá, então foi até a cozinha.
Chegando lá, ela quase vomitou, de raiva, de nojo, de não sabia nem dizer o que.
Malfoy falava algo com Emília Bulstrode. E Hermione fez um esforço enorme para não voar até lá e rasgar o pescoço dela com suas próprias unhas.
—Por que não contou a ela? — perguntou a garota, encostada na parede. Malfoy estava logo à frente dela.
—Por que sei que ela não gosta de você. E não quero que ela fique magoada. — respondeu, simples e direto.
Hermione observava tudo pela beiradinha da parede, na esquina do corredor, e sentia que seria capaz de cair no chão, agora que seus joelhos pareciam duas massas gelatinosas.
—E se ela descobrir? — perguntou Emília, com um sorriso travesso. Malfoy bufou e revirou os olhos.
—Ela só vai descobrir se você falar. Então, é só você não falar. — disse ele, e deu um peteleco no meio da testa da garota, com uma risada. A garota deu uma risada também.
—Tudo bem. Vou me conter. — disse ela, piscando os cílios longos.
—Até por que não foi nada demais. Só dois amigos, passando algum tempo juntos. — disse ele, cruzando os braços.
Hermione sentiu náusea. Que porcaria de afeto exagerado era esse? Ela não sabia que eles eram tão próximos asim.
—Essa sua namoradinha é muito insegura. — disse ela, como uma víbora.
—Não mexa com Hermione, Mila. Por favor. — disse ele, dando um suspiro logo depois. A garota não respondeu, apenas sorriu. — Certo, hora de ir. — disse ele e saiu andando na direção contrária. A garota o seguiu pelo corredor.
E Hermione até achou bom que eles estivessem se afastando ainda mais de onde ela estava, por que não queria ser encontrada daquela forma, completamente desequilibrada, imaginando de quantas formas diferentes ela usaria para esfolar viva Emília Bulstrode.
E não sabia o que faria em relação a Malfoy.
Precisava tirar a limpo essa história. Saber o que tinha acontecido. Passado algum tempo juntos onde? Precisava descobrir.
Mas não é como se isso fosse livrar Malfoy completamente de quaisquer que fossem as consequências. Ele havia mentido. Escondido coisas. E isso também é um tipo de traição. E isso quebrou boa parte da confiança que Hermione tinha nele.
Ela sentiu um gosto muito amargo na boca, e se forçou a ir para longe dali, saindo de perto daquele corredor, e indo em direção oposta a cozinha, desistindo de ir até lá buscar um chá.
Por que agora precisava de uma bebida mais forte.
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o Leão e a Cobra
Fiksi PenggemarAo término da guerra, a direção de Hogwarts convida os alunos a terminarem seu último ano escolar que fora interrompido. Nem todos decidem voltar, mas os que assim escolheram, surpreendem-se com uma Hogwarts completamente reconstruída, ainda mais fo...
