hide and seek

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Yangji nunca havia admitido, e acreditava ser fruto de sua grande humildade não fazer disso um fato, mas tinha características certas de um vilão dos filmes animados.

Só que pior.

Taehyung estava apagado. É claro que o homem não conseguiria levar um garoto aos gritos até aonde queria levá-lo. Teve de dar um jeito de desmaiar o garoto, e nada melhor que uma forte pancada pra isso. O loirinho aparentava estar em um sono profundo, como um anjinho.

Yangji adorava aquela característica nele.

Naquele inferno de presídio não havia ninguém que ele pudesse usar. Ninguém. Ele sentia falta de Taehyung por isso. E ainda havia aquela necessidade insaciável de se vingar daquele policial babaca.

Yangji matou dois coelhos com uma cajadada só.

— C-Chim...? — o pequeno Kim disse assim que abriu os olhos. Ele se assustou por não estar aonde esperava estar, e se assustou mais ainda ao ver a figura do homem que havia o machucado tanto a ponto de influenciar na sua vida até hoje. Torceu pra ser só mais uma alucinação, mas nas alucinações sentia agonia. Nojo.

Naquele momento ele sentia medo.

— Oi, Taehyung. — ele disse, abrindo um sorriso e cruzando os braços. O loiro engoliu a seco.

— P-Pra onde você me trouxe? Aonde está o C-Chim? — ele disse, trêmulo.

— Aonde está o seu Chim? — Yangji soltou uma gargalhada. — Ah, eu vou te contar um segredo. Vocês estão brincando de pique esconde. E você vai ter que encontrar um lugar pra se esconder.

❣✨

— Appa, ele...Ele... — Jimin sentia cada centímetro do seu corpo tremer de puro desespero. Não era justo a vida lhe entregar uma pessoa que o completasse tanto para depois tirá-la de seus braços. Não era justo.

— Nós vamos achá-lo. Eu chamei reforço, e estou seguindo todas as pistas possíveis. — ele suspirou, tentado não entrar em um conflito interno. Mas no momento era praticamente impossível evitar qualquer tipo de pensamento ruim.

— Ele vai estuprar ele de novo, appa! Ele vai... — Jimin se desesperava no banco do carona.

— Eu sei, porra! — Jihun gritou, virando o volante. Jimin se encolheu contra si mesmo. O pai nunca havia gritado daquele jeito com ele, e os dois estavam praticamente à beira da loucura. Jihun suspirou fundo e fechou os olhos, os abrindo antes de voltar a dirigir. — Eu sei, mas nós vamos o resgatar, certo? Vamos o pegar de volta.

— Temos... — Jimin cravou as unhas nas próprias pernas. O pai estacionou o carro na frente de um beco, um beco escuro, por mais que estivessem em plena luz do dia. — Por que paramos aqui, appa?

— Preciso resolver uma coisa...Precisamos seguir uma pista e... — ele não pareceu muito convincente em suas palavras. — Preciso ir àquele lugar por um segundo. Espera dentro do carro.

Depois de muita relutância, Jimin concordou com a cabeça e ficou quieto dentro da viatura, que mantinha a sirene desligada. Jihun ajeitou a arma no coldre e engoliu a seco antes de entrar nas sombras do beco, a um lugar escondido. Ali ele ficou em silêncio por mais ou menos cinco minutos, ponderando se o que iria fazer era a opção certa.

E se ouviu um tiro. E mais nada. Sem gritos. Apenas um estrondo.

E o medo permanente de Jimin de se mover um milímetro sequer.

O bairro era vazio e silencioso. E o beco nem era tão grande assim, como Jihun teria travado qualquer tipo de luta ali?

Jimin suspirou e tomou coragem para sair do carro e colocar os pés trêmulos no chão. Ele andou devagar, suavemente até a entrada do beco. Se aproximou um pouco mais por não poder ver muito bem por entre as sombras, e comprimiu os olhos ao chegar cada vez mais perto.

Seu pai, com a arma jogada ao seu lado. O sangue se espalhava pelo cimento frio, e o cadáver de Jihun jazia espalhado pelo piso.

Não. Não podia ser.

Jihun não havia enfiado uma bala em si mesmo.

Jimin entrou em desespero. Correu com todas as forças que pôde até a viatura e, engasgando com as lágrimas e a própria vida, chamou pelo rádio.

— Policial ferido! — ele gritava, berrava, aos prantos, esperando que alguém naquela delegacia soubesse reconhecer a sua voz angustiada. — Policial ferido!

E Jimin voltou correndo para onde o pai jazia, ainda vivo, com uma mina de sangue jorrando do peito e a cabeça sobre a parede, aonde ela havia batido. Jimin se ajoelhou ao lado do pai e segurou a sua mão junto ao peito.

— Appa...Appa, eles estão vindo. Eles já estão vindo. — ele dizia, tentando conter as lágrimas e virando o rosto do pai, que engasgava com o próprio sangue.

— Jimie... — Jihun murmurou, quase sem voz. — T-Tem que me prometer q-que vai cuidar do Tae. Cuida d-dele, meu amor...E-Ele é a sua família agora.

— Appa...Para! — Jimin abaixou a cabeça e soluçou alto, voltando a chorar. — Eu prometo, mas...Não me deixa. Não me deixa, por favor...

💎✨

NÃO ME MATEM POR FAVOR EU SOU MÃE DE FAMÍLIA
xx, mak

canvas ¡! vminOnde histórias criam vida. Descubra agora