RESULTADOS

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Quinta-feira chegou rápido demais.

São Paulo parecia grande demais para caber dentro da minha ansiedade. O resultado da prova do Lucas ainda não tinha saído, e eu estava sentado numa cadeira gelada, numa sala de espera cheia de desconhecidos que pareciam infinitamente mais preparados do que eu.

Alguns aqueciam a voz.
Outros liam textos em silêncio.
Uma garota chorava baixinho enquanto decorava falas olhando para o chão.

Eu só respirava.

Respirava tentando convencer meu corpo de que estava tudo bem, mesmo sentindo o coração bater tão forte que parecia querer escapar pela garganta.

Meu sonho inteiro estava ali.

Talvez fosse isso que mais assustava.

Porque até aquele momento eu podia sonhar à vontade. Mas depois daquela porta, tudo poderia mudar. Ou acabar.

Olhei para minhas mãos tremendo e pensei no Lucas.
Pensei nos meus pais.
Pensei em todas as vezes que me senti invisível.

E, pela primeira vez na vida, eu queria muito ser visto.

— Jorge de Camargo Defende? — chamou a mulher da prancheta.

Levantei tão rápido que minhas pernas quase falharam.

— Sou eu.

Ela abriu a porta.

— Pode entrar.

O corredor parecia mais longo do que realmente era. Quando cheguei à sala, vi quatro avaliadores sentados atrás de uma mesa enorme. Três homens e uma mulher. Luz branca. Ar-condicionado congelando tudo.

Um dos professores pegou o microfone.

— Boa tarde, Jorge. Primeiro: relaxa. Respira. Diz pra gente qual texto vai apresentar e começa quando se sentir pronto.

Assenti devagar.

Minha boca estava seca.

— Vou apresentar um trecho de "Fala Comigo Doce Como a Chuva", do Tennessee Williams.

Um dos professores mais novos ergueu o olhar imediatamente.

— Excelente escolha.

Aquilo me assustou mais ainda.

Fui até o centro da sala.

Respirei fundo.

E comecei.

No instante em que falei a primeira frase, alguma coisa mudou dentro de mim.

O nervosismo continuava ali, mas virou combustível.

As palavras começaram a sair como se já morassem no meu corpo fazia anos. Minha voz falhava nos momentos certos. Meu olhar pesava. Minha respiração acompanhava o texto.

Quando interpretei os dois personagens alternando as vozes, ouvi um pequeno movimento entre eles. Como se finalmente tivessem prestado atenção de verdade.

E aquilo me deu coragem.

Então fui mais fundo.

Mais verdade.

Mais eu.

Quando terminei, a sala ficou em silêncio.

Nenhum deles falou por alguns segundos.

O professor mais novo me encarava como se tentasse entender alguma coisa em mim.

A mulher pegou o microfone.

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