Mary

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Nota inicial: Esse capítulo é narrado por Mary.

    Londres era linda no verão. Haviam turistas de todos os lugares. Mas eu estava aqui já fazia um mês, em um hotel barato, então mergulhei num ócio irritante. Cheguei encontrar um dos poucos amigos que tenho - não que eu ache minha falta de amigos ruim - mas sentia falta de Annie várias vezes ao dia, até tentei arquitetar um plano para tirá-la dos Muthiks, mas era impossível sozinha, já que Jake sumiu dois dias depois de voltarmos para Londres, sem dar satisfação. Eu sentia como se estivesse de luto por uma irmã mais nova que nem sequer havia morrido, minha boca secava quando eu pensava nela e eu engolia seco.
    Descidi sair, tinha algo nos turistas que me encantava, o modo como viam a cidade de uma forma romântica me empolgava e ocupava os meus pensamentos, estava sem caçar fazia um tempo, havia desaprendido fazer isso sem Annie, por mais ridículo que isso possa parecer. Vesti meu sobretudo e quando calçava a bota de camurça meu celular tocou em cima da cama, vi o nome de Jake no visor e atendi no mesmo instante.

- Jake?

- Mary... Como você está? - sua voz tinha um tom distante e rouco.

- Bem. E você?

- Também. Liguei porque preciso conversar com você.

- Tudo bem, onde você está?

- Me encontre daqui duas horas à beira do rio Tâmisa, perto do Big Ben. Pode ser? - Falou ignorando minha pergunta.

- Sim.

    Eu estava observando o Rio Tâmisa que deveria ser repleto de quase cem pontes e os turistas brasileiros encantados com o Palácio de Westminster quando Jake apareceu na minha frente e me deu um abraço.

- Jake! Onde você esteve? Desapareceu e não atendia minhas ligação.

- Eu estava procurando Carlo. - Sua voz pesava descontentamento.

- Deixe-me adivinhar. Você não o encontrou. - já estava anoitecendo, então começamos a caminhar para um banco às margens do rio - Por que vocês não esquecem esse cara? Ele não estava mais com Damon quando chegamos lá, é claro que ele é ou ficou mais poderoso do que imaginávamos.

Jake abaixou a cabeça depois de sentarmos.

- Mary, eu estava procurando ele para tentar me redimir - ele fez uma pausa e eu o observei sem entender - eu menti pra vocês, Damon nunca esteve com Carlo, ele é muito mais esperto que Damon pra isso.

Cerrei os punhos e levantei bruscamente.

- Como você pôde? - Me rendi a raiva.

Ele me encarou depois olhou para frente, observando o céu que já estava totalmente escuro.

- Tentei fazer a coisa certa.

- Você é um imbecil! Tirou de Annie a escolha. Toda aquela encenação ridícula na cabana...

- Você sabe que ela escolheria se transformar de qualquer forma, quando chegou a hora, naquela noite, você e eu vimos no que Annie se transformou, como ela sugou o pescoço daquela mulher sem pena! - Ele levantou devagar, colocando uma mão na cintura.

- Mesmo se isso fosse verdade... Nós poderíamos ajudá-la se não estivéssemos no covil da cobra. Agora ela nem se lembra de nós.

- Eu não contava com isso, achei que as memórias continuariam.

Balancei a cabeça em um gesto de repúdio e meus olhos lacrimejavam de raiva.

- O que você espera depois disso, Jake? O que você quer me contando isso.

- Preciso de você, Mary. Para encontrar Carlo, acho que ele pode nos ajudar a fazer Annie se lembrar de tudo.

- Eu quero que você suma, traidor.

- Mary, por favor... ouça o que tenho a dizer.

- Quando você decidiu nos trair?

Ele ficou respirou fundo.

- Damon veio me procurar e eu achei que poderia enganá-lo com o plano que contei pra vocês. Que contei na hora certa pra vocês. Eu falei que arranjaria um jeito de levar Annie até ele e o explicaria o que eu iria fazer depois de arquitetar tudo.

Cerrei os punhos mais uma vez sem acreditar no que estava ouvindo.

- Annie amava você, Jake, ela te amava como um irmão.

- Eu a amo da mesma forma

- Então fez isso por que a ama então? - ri cínica - conta outra.

Ele ficou sério.

- Sou um idiota. Mas amo Annie. Só queria poder dizer isso pra ela. Quando você saiu do bar aquele dia e ela apareceu e venho em minha direção, achei que tudo daria certo. Mas quando percebi que ela não se lembrava de mim... me odiei pelo que fiz.

Eu não queria acreditar nele mais uma vez por culpa da raiva, mas parecia ser sincero.

- Não confio mais em você. Sinto muito - Virei as costas e comecei a me afastar.

- Você que decidiu abandoná-la! - ele gritou me fazendo parar de andar e virar o rosto em sua direção de novo.

- O quê?

- Você preferia que ela morresse e depois a abandonou naquela cidade. Nós dois sabemos que você deve isso a ela e que não vai conseguir fazer nada sozinha.

- Eu estava confusa, ela estava decidida a não mater ninguém. Passei anos ouvindo ela dizer que eu não entendia, porque havia nascido e sido criada no submundo então finalmente resolvi entender e aceitar a decisão dela, quando a vi se transformar percebi que seu plano nunca daria certo, na verdade antes, a certeza de vitória nos olhos de Damon e tudo que ele contou me fez perceber a verdade. Não é com você que vou voltar atrás agora. - Me virei de novo e continuei caminhando, as lágrimas escorrerem aos poucos dessa vez.

- Nós não sabíamos da maldição, Mary - Gritou de novo para que eu ouvisse mesmo já distante - mas deve haver alguma forma se ajudá-la!

Continuei andando, ignorando o que ele falou até que Jake não pudesse mais me ver.

Duas faces do amorOnde histórias criam vida. Descubra agora