Provavelmente seriam 20 horas da noite quando começou a chover. Deixei a chuva me encharcar, sentada num dos túmulos. Então ouvi barulhos vindos do escuro, mas nada aparecia, a verdade é que eu não estava com medo, e sim ansiosa para poder lutar novamente. Imaginei o que Damon e Victor estariam fazendo lá fora e senti vontade de sair dali, fiquei de pé quando o barulho começou chegar mais perto, senti alguém me puxar com força por trás e me atirar no chão, quando olhei na direção da lua, percebi que o cemitério estava muito escuro para que eu conseguisse ver qualquer coisa, algo me levantou e socou a minha barriga tão forte que bati com força numa parede. Pisquei os olhos várias vezes tentando ver quem estava ali. Foi quando percebi que eu não só estava sozinha, como pelo menos cinco vultos pareciam estar me esperando levantar. Eles vieram em minha direção com velocidade e me cercaram.
— Quem são vocês? — perguntei, mas mal pude me desviar quando um deles veio para cima de mim e agarrou meu pescoço.
— Somos alguns dos Mutriks que morreram por causa do seu pai.
— Meu pai? Mas eu não... — Não consegui terminar de falar por culpa de um golpe que levei na barriga, devolvi alguns, mas sabia que nada que eu fizesse mudaria o fato de que eram cinco contra um.
O cemitério começou ficar mais claro nesse instante, e isso chamou atenção de todos, velas estavam sendo acesas sozinhas e alguém havia surgido no meio do lugar, consegui perceber que era um homem usando um sobretudo escuro. Ele gritou algo em outro um idioma que não consegui traduzir bem, fazendo os 5 espíritos desaparecerem. Observei seu rosto meio escondido pelas sombras, me fitando inexpressivo.
— Eles vão voltar. Você pode vir comigo ou morrer.
Olhei o cemitério à minha volta e pensei em Damon e Victor me esperando do outro lado.
— É uma escolha sua. — Ele continuou.
— Quem é você?
— Você tem feito essa pergunta muitas vezes. Não acha? Talvez esteja na hora de fazer com que tudo seja esclarecido, Ann.
— Eu não lhe disse meu nome.
Ele sorriu.
— Fui eu quem o escolhi. Meu nome é Carlo, sou seu pai.
Eu podia ficar confusa, perplexo, chorar ou rir, mas apenas escolhi não acreditar no que havia acabado de ouvir.
— O quê?
— Sei que tudo parece confuso, e que o fato de você já ter feito a transição não melhora as coisas, muito menos... que eu só tenha aparecido agora — ele olhou para o chão — mas posso explicar. Eles já sabem que estou aqui, você precisa decidir agora.
A porta do cemitério foi aberta num estrondo e Damon entrou com Victor e mais dois vampiros, quando voltei minha atenção para Carlo, ela já havia desaparecido.
— Annie, você está bem? — Victor se aproximou.
— O que acabou de acontecer?
— Ele conseguiu passar por nós e tentou estragar seu teste, isso que aconteceu.
Minhas opções em relação a quem confiar estavam começando a diminuírem cada vez mais e aquilo me incomodou.
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Coloquei uma camisola lilás e fina que estava no guarda-roupa luxuoso e antigo que haviam recheado de roupas para mim e sentei na cama, olhando para o espelho à minha frente, comecei passar a escova pelos meus fios de cabelo loiros totalmente embaraçados.
— Posso entrar? — Victor perguntou do outro lado da porta.
— Sim. — Ele entrou, fechou a porta devagar e sentou ao meu lado da cama, de olhos fixos para nós no espelho.
— Sinto muito por hoje.
— Haviam cinco vampiros muito fortes lá. Espíritos, sei lá. Você sabia disso? — ele não respondeu — claro que sim, como vocês acharam que eu iria sair de lá? Morta?
Victor franziu a testa e me olhou com a boca entreaberta.
— Annie, se nós lhe deixamos lá sozinha é porque sabíamos que você conseguiria sair — ele passou a mão fria na lateral do meu rosto — eu nunca faria nada, nada que pudesse magoar você.
Analisei seus lábios finos se fechando e logo em seguida formando um sorriso tímido.
— Espero que seja verdade.
— É claro que é — sua mão desceu até meu braço e ele me abraçou por alguns instantes, se afastando devagar logo em seguida.
— Victor... — nossas bocas estavam extremamente próximas e eu podia ouvir a sua respiração. Victor me beijou com firmeza, e eu não consegui pensar em mais nada, quando me dei conta suas duas mãos já estavam em volta da minha cintura e meu corpo colado ao seu abdômen, uma de suas mãos desceu até minha coxa e puxou uma das minha pernas, me fazendo ficar sentada em cima dele. Fui diminuindo o fluxo dos beijos quando percebi onde aquilo tudo acabaria e olhei para Victor me fitando com um sorriso maliciosa no rosto.
— Oh, não! — ele riu — Você não vai fazer isso.
Eu sorri, me desfazendo da volta que as minhas pernas tinha feito em volta da cintura dele.
— Vou sim — Falei levantando a alça da camisola que havia caído do meu ombro.
— Golpe baixo, novata.
— É melhor você ir embora.
— Realmente, você pode perder o controle e me beijar de novo.
— Primeiro, foi você quem me beijou e segundo, isso não vai mais acontecer.
Ele lavantou, arrumando a roupa bagunçada no seu corpo.
— Só fiz o que tive vontade de fazer já um faz tempo.
— Você ouviu a parte do "não vai acontecer novamente" ?
— Sabe que vai, novata. Você sabe que vai.
— Sai logo, Victor. — Ele me olhou voltando, se inclinou e beijou a minha testa, indo para a bochecha e depois meu pescoço.
— É sério.
— Tá preocupada com o que o Damon vai pensar? — fiquei calada — Você gosta dele, Ann?
— Claro que não, o que é isso? Um interrogatório?
Ele ficou sério e olhou para os pés.
— Boa noite, Annie.
— Victor, quem era aquele homem?
Ele virou em minha direção e bufou.
—Ninguém com quem você precise se preocupar.
Essa resposta nunca me deixaria satisfeita. Quando Victor saiu e bateu a porta, me joguei na cama e fechei os olhos, nosso beijo veio instantaneamente na minha cabeça e eu sorri. Tentei afastar essa imagem da mente e lembrei do que Victor disse "Tá preocupada com o que o Damon vai pensar?" "Você gosta dele, Ann?"
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Duas faces do amor
VampireApenas um dia foi o suficiente para que minha vida virasse um inferno. Demônios andam entre nós, demônios que chamados de vampiros. Eles não foram feitos para amar e sim para matar e destruir. E agora, o que eu mais desejo no fundo da minha alma é d...
