Vi a porta da biblioteca aberta e fui até lá, o lugar era enorme e antiquado, haviam uma centena de livros que eu mal poderia contar. Comecei a olhar as prateleiras, procurando algo que me interessasse, até que vi um livro cor de vinho com o título "Muthiks" o retirei e assoprei a poeira por cima, sentei num sofá e comecei a lê-lo. O primeiro capítulo falava brevemente sobre todos os clãs de vampiros que existiam até então, destacando os inimigos. Pulei algumas páginas até encontrar o que eu queria: o princípio. O clã havia sido criado há quase um milênio e seguia a hierarquia da liderança desde então, já havia travado inúmeras guerras e mesmo assim, só havia perdido uma. Quando percebi que já tinha lido o suficiente, procurei outro livro, um que respondesse algumas perguntas que Damon parecia não querer revelar. Haviam livros sobre bruxas, lobisomens e até livros da literatura inglesa, mas um livro marrom chamou minha atenção, ele não tinha título, era antigo e foi claramente escrito à mão, ele falava sobre histórias de guerras entre clãs, dos conflitos entre bruxos e vampiros e como os bruxos haviam se tornado reféns dos vampiros. Segundo o livro os clãs haviam se unido para tomar dos bruxos um objeto que os dava o poder de conseguir se mater no topo da cadeia alimentar do mundo sobrenatural. Mas quando eles conseguiram vencer, não souberam dividir tal poder e então se separaram novamente, travando guerras e se dividindo cada vez mais. O Muthiks foi o clã que se destacou, se tornou o mais forte, unido e resistente.
- Eu estava procurando você.
- Damon. - Fechei o livro e o encarei.
- O que você estava lendo?
- Nada.
Ele riu, veio até mim e pegou o livro. Assim que leu a capa ficou sério.
- Sinto falta disso.
- Do quê?
Silêncio.
- Do quê? - Repeti.
- De quando nosso clã era o mais forte. Quando meu pai morreu, levou nossa força com ele.
- Isso não é verdade - coloquei uma mão em seu ombro, mas ele se afastou.
- Continue lendo. Talvez encontre algo que responda algumas das suas perguntas.
Ele saiu e voltei a ler, perdi a noção do tempo e quando notei já estava escurecendo, meus olhos começaram a cansar, olhei para janela longa tentando deixá-los abertos e por um segundo meu coração acelerou, o mesmo rosto que me encarou no dia do baile estava lá olhando para mim, ela fez um sinal com a mão, me chamando para perto e fui. Quando cheguei, não havia ninguém, olhei em volta e a vi mais longe, pulei da janela e corri até ela, novamente não havia ninguém "Annie..." ouvi uma voz chamando meu nome, dentro da floresta e não consegui resistir a tentação de segui-la. A noite já havia banhado o céu com um azul escuro e opaco, o vento balançava a copa das árvores e a única coisa que eu conseguia ouvir eram os meus passos esmagando os gravetos no chão. Caminhei pelo menos vinte minutos e não encontrei nada, virei para dar meia volta, mas me senti perdida, tudo parecia igual e eu não lembrava mais de onde eu havia saído. Olhei em volta tentando me nortear, mas não consegui, foi quando ela apareceu na minha frente.
- Quem é você? - Perguntei me afastando
- Meu nome é Mary. Mas nós já nos conhecemos, trouxe você até aqui, para que eles não me vissem.
- Porque não podiam te ver?
- Digamos que eu não sou a melhor amiga dos Muthiks.
Ela riu.
- E o que você quer comigo?
Mary respirou fundo, ela parecia tão inofensiva e meiga quanto um filhotinho.
- Você precisa vir comigo, vou explicar tudo quando estivermos em um lugar seguro. Carlo usou muito poder para te trazer até aqui e me esconder, então precisamos ismr agora.
- Por que eu confiaria em você?
- Annie, a questão é porque confiar em alguém que nunca te fala a verdade? Tenho certeza que Damon ainda não te explicou nada do que está acontecendo, por favor, você só precisa vir, se quiser voltar, não vamos impedir.
Ela estendeu a mão para mim, olhei seu rosto e algo dentro de mim disse que eu podia confiar nela, segurei sua mão e segundos depois estávamos em um quarto de hotel luxuoso.
- A gente se teletransportou? - Eu não sabia se a situação era absurda ou se a minha pergunta seria, mas mesmo assim a fiz.
Mary riu e fez um sim com a cabeça.
- É sempre bom conhecer um bruxo. Mary, esse é Carlo e este é Jake - Ela falou apontando para os dois homens no quarto.
- Conheço você. É o cara estranho que marcou comigo no bar, já faz um tempo.
- Sim! - ele abriu um sorriso largo - sou eu mesmo.
- E quem é você? - Perguntei ao homem que estava encostado numa parede, olhando fixamente para as mãos.
- Estou ficando fraco, Mary - Ele disse me ignorando. - Acho melhor voltarmos para Londres ainda hoje.
Os três olharam para mim, como se esperassem minha aprovação.
- Agora é o momento perfeito pra alguém me explicar o que tá acontecendo.
- Annie, como eu te disse, a gente já se conhece, nos conhecemos quando você era uma adolescente. Você só não consegue se lembrar porque perdeu a memória meses atrás. Isso só aconteceu porque você virou uma caçadora. Só que a história é muito longa e a gente precisa ir embora.
Mary colocou uma mochila nas costas e foi em direção a porta, Jake e Carlo a seguiram.
- Você vai ficar aí? - Jake perguntou e eu fui atrás deles.
- Não vamos conseguir - Mary falou quando entrávamos em um fusca vermelho pequeno - ele vai nos achar antes de sairmos.
- É a única chance que temos. - Carlo anunciou, sentado no bando aos lado de Mary, que dirigia. Jake estava do meu lado.
- Fui eu que apareci naquele dia, no cemitério. - Carlo falou virando para trás, deixando meus pensamentos mais confusos. - Damon só quer vingança, Annie, eu e sua mãe matamos o pai dele antes de você nascer. Ele quer usar você, só isso.
- Você é mesmo meu pai? - Todos ficaram em silêncio e não precisavam mesmo falar nada. - Mary, para o carro.
- Annie, você não enten...
- Para a droga do carro agora!
Ela freiou bruscamente e eu saí.
- Nós nos arriscamos tentando vir te buscar - Mary falou com uma voz triste.
- Preciamos ir - Carlo declarou - Você é mais forte que todos eles, Annie, saiba disso.
Mary arrastou o carro e eu fiquei em pé, sozinha.
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Duas faces do amor
VampireApenas um dia foi o suficiente para que minha vida virasse um inferno. Demônios andam entre nós, demônios que chamados de vampiros. Eles não foram feitos para amar e sim para matar e destruir. E agora, o que eu mais desejo no fundo da minha alma é d...
