Capítulo 13

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Carmel não para de falar enquanto andamos rapidamente sobre os cascalhos da entrada
descuidada da casa de Anna. Está fazendo um milhão de perguntas em que não estou
prestando atenção. Tudo em que posso pensar é que Anna é uma assassina. No entanto,
ela não é má. Anna mata, mas não quer matar. Ela é diferente de qualquer outro fantasma
que já enfrentei. Claro que já ouvi falar de fantasmas sencientes, aqueles que parecem
saber que estão mortos. De acordo com Gideon, eles são fortes, mas raramente hostis.
Não sei o que fazer. Carmel me puxa pelo cotovelo e eu me viro.
—Oque é? —digo bruscamente.
—Você quer me contar exatamente o que estava fazendo lá dentro?
—Não.
Devo ter dormido mais do que imaginava, ou então fiquei conversando com Anna
por mais tempo do que pensei, porque feixes amarelados de luz estão atravessando as
nuvens baixas a leste. O sol está fraco, mas o brilho é incômodo em meus olhos. Algo
me vem à cabeça, e eu pisco enquanto olho para Carmel, só agora tomando realmente
consciência de sua presença.
—Você me seguiu —falo. —O que está fazendo aqui?
Ela oscila de um lado para o outro, constrangida.
—Eu não conseguia dormir. E queria ver se era verdade, então fui até a sua casa e vi
você saindo.
—Queria ver se era verdade o quê?
Ela olha para mim sem levantar a cabeça, como se quisesse que eu descobrisse por
conta própria para que ela não precisasse dizer, mas detesto esse jogo. Depois de alguns
longos segundos de meu silêncio irritado, ela conta:
—Eu conversei como Thomas. Ele disse que você...—Ela sacode a cabeça como se estivesse se sentindo uma tonta por acreditar nisso. E eu estou me sentindo um tonto por
ter confiado em Thomas. — Ele disse que a sua profissão é matar fantasmas. Um caça-
fantasmas ou algo assim.
—Eu não sou um caça-fantasmas.
—Então o que estava fazendo lá dentro?
—Estava conversando com Anna.
—Conversando com ela? Ela matou o Mike! Poderia ter matado você!
—Não, não poderia. —Olho para a casa. Sinto-me estranho por falar dela tão perto
de onde mora. Não parece certo.
—Sobre o que você estava conversando com ela? —Carmel pergunta.
—Você é sempre tão intrometida?
—Por quê? Era algo pessoal? —ela ironiza.
—Talvez fosse —respondo. Quero sair daqui. Quero deixar o carro de minha mãe
em casa e pedir a Carmel que me leve para acordar Thomas. Acho que vou arrancar o
colchão de debaixo dele. Vai ser engraçado vê-lo quicar, sonolento, sobre as molas do
estrado. — Escuta, vamos embora daqui, está bem? Você me segue até a minha casa e
depois me leva para a casa do Thomas. Vou explicar tudo, prometo —acrescento, ao ver
sua expressão cética.
—Está bem—ela diz.
—E, Carmel...
—Hã?
— Nunca mais me chame de caça-fantasmas, tudo bem? — Ela sorri e eu sorrio de
volta. —Só para deixar claro.
Ela passa por mim para entrar no carro, mas eu a puxo pelo braço.
— Você não mencionou essa pequena indiscrição do Thomas sobre mim para
ninguém, né?
Ela sacode a cabeça.
—Nem para a Natalie ou a Katie?
— Eu disse para a Nat que ia me encontrar com você e que era para ela me dar
cobertura se meus pais ligassem. Falei para eles que ia ficar na casa dela.
— Você disse que a gente ia se encontrar para quê? — pergunto. Ela me lança um
olhar ressentido. Imagino que Carmel Jones só se encontra secretamente com caras à
noite por razões românticas. Passo a mão pesadamente entre os cabelos. — Quer dizer
que eu vou ter que inventar alguma coisa na escola? Que a gente deu uns amassos? — Acho que estou piscando demais. E meus ombros estão muito curvados, fazendo com
que me sinta um palmo mais baixo que ela. Carmel fica olhando para mim com ar
divertido.
—Você não é muito bom nisso, né?
—Não tenho muita prática, Carmel.
Ela ri. Cara, ela é mesmo bonita. Não admira Thomas ter deixado escapar todos os
meus segredos. Uma piscadinha básica e ela provavelmente pôs o cara a nocaute.
—Não se preocupe —diz ela. —Eu invento alguma coisa. Vou dizer a todo mundo
que você beija bem.
—Não precisa me fazer favores. Escuta, só me siga até a minha casa, está bem?
Ela concorda num gesto de cabeça e entra no carro. Quando me acomodo no meu,
tenho vontade de apertar a cabeça no volante até que a buzina dispare. Assim o som vai
abafar meus gritos. Por que este trabalho é tão difícil? Por causa de Anna? Ou é alguma
outra coisa? Por que não consigo fazer as pessoas pararem de se meter? Nunca foi tão
complicado assim antes. Elas aceitavam qualquer bobagem que eu inventava, porque,
bem no fundo, não queriam saber a verdade. Como Chase e Will. Eles engoliram a
história da carochinha de Thomas com toda a facilidade.
Mas é tarde demais agora. Thomas e Carmel estão dentro do jogo. E o jogo é muito
mais perigoso desta vez.

Anna Vestida de SangueHistórias para pegar e não largar. Descubra agora