Capítulo 12 (Último)

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O restaurante de extremo bom gosto não fazia nada mais que aumentar a confusão de sentimentos que pulsavam dentro de mim.

Esse não é meu lugar!

Assim que chegamos, Lara começou a olhar o cardápio como se não tivesse pressa alguma e todo o tempo do mundo. Mesmo depois de fazermos os pedidos e os termos a mesa, ela continuou bastante calma, fazendo apenas alguns comentários sobre o lugar. Mas ambas sabíamos que aquilo estava longe da proposta de um encontro totalmente pacífico.

— Fiquei surpresa por ter me ligado — comecei, já não aguentando a tensão velada no ar — e convidado para vir justo a um lugar como esse.

Lara saboreou a comida em silêncio por alguns segundos a mais, então pousou os talheres e olhou para mim com um sorriso que em outra pessoa eu poderia dizer ser amigável, mas nunca tinha certeza em se tratando dela. A fragilidade que havia percebido nela da última vez que nos vimos, desaparecera sem deixar vestígio.

— Quanto você quer? — pela pergunta tão repentina e sem nexo, devo ter parecido tão surpresa quanto me sentia.

— Desculpe, acho que não entendi… — respondi cuidadosamente, confusa com seu tom e suas palavras.

— Já faz um tempo que meu filho me contou sobre o bebê e venho pensando muito sobre como anda o relacionamento de vocês. Depois que deixou meu filho, estava disposta a mudar a primeira impressão que tive sobre você. Você parecia se importar com nossos sentimentos e não me questionou mais, mesmo que qualquer outra pessoa em seu lugar pudesse ter feito isso. Agora estou vendo com meus próprios olhos que conseguiu uma barriga mesmo depois de se separarem. O que quer que eu pense disso?

Eu estava ficando com raiva e devia ser bem perceptível.

— Foi um acidente — falei. — Uma recaída. Acha que é tão fácil assim deixar de amar uma pessoa? Estávamos bêbados e aconteceu. Não há nada que se possa fazer sobre isso.

— Você precisa entender que minha posição me torna capaz de lidar com todos os tipos de pessoas. Muitas delas deixam que cada palavra que saia de suas bocas, cada ato que pratiquem, sejam apenas para beneficiar a si mesmas. Acha que posso me dar ao luxo de acreditar em tudo que ouço?

— Se está achando que sou algum tipo de mulher interesseira e que deixei tudo acontecer de propósito para dar um golpe no seu filho, está muito enganada. Se assim fosse, ficar com ele teria sido bem mais lucrativo, não acha? — a essa altura, minha voz já soava fria, o que fez com que eu pensasse que poderia ter mais semelhanças do que gostaria com a minha mãe. Mas eu não ia deixar que Lara continuasse falando comigo daquela maneira.

— Não sei como seu raciocínio funciona, por isso estou te oferecendo uma alternativa. Qualquer um poderia se acostumar a viver assim, não é? — Lara abriu os braços, indicando o restaurante ao nosso redor. — Essa criança vai nascer e se tornar um membro da família Villa, é inevitável. Você é nada mais que uma garota de dezoito anos, inexperiente e desempregada, este é meu ponto. Posso lhe oferecer o dinheiro que quiser, contanto que esteja disposta a abrir mão do seu filho. Ele terá a melhor educação, crescerá num ambiente estável e exemplar, quanto a você, não terá que assumir uma responsabilidade com a qual não pode lidar e terá uma vida sem dificuldades financeiras. É um bom negócio, eu diria.

— É mesmo? — perguntei calmamente. — Ponha-se no meu lugar e me diga se teria aberto mão do Van caso fosse uma jovem imprudente que tivesse cometido um erro — diante de seu silêncio, prossegui: — Dona Lara, obrigada pelo almoço, mas se me permite, irei me retirar, estou ficando irritada por ouvir tantas bobagens — levantei-me, deixando a comida intocada. — É melhor comer, está esfriando. Oh, e não se preocupe, não pretendo tirar vantagem do seu filho. Até uma próxima vez, que, eu espero, não venha tão cedo.

Aos 18 [Completo]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora