Capítulo 11

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Me adaptar a morar com os meninos foi bem mais fácil do que eu esperava. Como eles trabalhavam a noite toda e depois que chagavam dormiam até tarde, eu tinha decidido tomar a arrumação do apartamento como minha responsabilidade. Outra coisa da qual não abri mão foi da ideia de que precisava de um emprego, ao menos nos três ou quatro primeiros meses de gravidez. Nícolas e Tiago estavam tentando me mimar demais, mas se eu me deixasse acostumar com isso, ia acabar me tornando um peso para eles uma hora ou outra, por isso estava tentando viver com a rotina mais normal possível.

Conseguir um emprego com garçonete no café da mãe de uma das minhas amigas não foi difícil, o problema tinha vindo antes, e esse tinha sido contar as garotas sobre a minha gravidez. Camila tinha planejado uma pequena reunião em sua casa e me ajudou a dar a notícia. Os gritos basicamente histéricos e animados com apenas garotas podem dar, o apoio, a preocupação, o choque, vieram todos um atrás do outro e sem pausa, até que Camila declarou; “Tirem o olho do posto de madrinha porque ele já é meu”. Foi a partir desse momento que as discussões bobas começaram. Depois de rir muito com toda a implicância delas, me preparei mentalmente para responder a tonelada de perguntas que elas fizeram com prazer e sem dó.

Até então pouco mais de dois meses tinham se passado e em momento algum durante todo esse tempo, voltei a ver minha mãe. A mágoa era muita, não dava para evitar, mas não seria isso que estragaria um dia tão maravilhoso como o que eu estava tendo. Finalmente tinha a resposta para a pergunta que passava pela minha cabeça sempre que tocava minha barriga, que crescia cada vez mais.

Trocando um sorriso animado com Evandro, entrei no grupo que Camila tinha criado no Whattsapp para falarmos sobre o bebê e comecei a digitar o que todos estavam querendo saber, mas acabei apagando tudo e decidi enrolar um pouquinho.

Charlote: Temos a resposta.

Charlote: Faz um tempinho que a minha consulta terminou. Estão preparados pra saber?

As respostas começaram a chegar rápido.

Ana: Fala logo, criatura!

Camila: Já tem uns quinze minutos que eu tô stalkeando o grupo para ter essa bendita resposta logo. Desembucha.

Tiago: Sim!

Fernanda: Pelo amor de Deus, diz logo, por favor!

Evandro: É menino! :)

Olhei para ele, do outro lado da mesa, estreitando os olhos.

— Você acabou de estragar todo o suspense.

Ele riu.

— Acabei ficando com pena deles, isso sim. Estavam esperando por esse momento tanto quanto nós dois.

Mostrei-lhe a língua, mas sem poder esconder o vestígio de um sorriso e voltei a olhar para a tela do celular. De todas as mensagens de parabéns que chegaram, a do meu irmão se destacou com maestria.

Nícolas: Fico feliz por isso, mas tenho certeza de que independente do sexo essa criança seria amada do mesmo jeito. Só acho que o Evandro é quem deve ter ficado bem aliviado, né? Gostaria de ver a cara de desespero dele se tivesse sido uma menina.

Camila: Do jeito que o Van é, ele só ia deixar a filha namorar com uns trinta anos.

Evandro: Filha minha ia ser freira, isso sim. ;)

Ana: Que cruel, rsrs.

— Nem pensar — murmurei sem tirar os olhos da tela. — Seu ciumento.

Tiago: Kkkkk, não duvido. Vc parecia bem nervoso quando pensava nisso antes.

Charlote: Agora o nosso mais novo desafio é escolher o nome. Ainda não conseguimos chegar em nenhum acordo. :(

— Tradução: Estou a dois meses te dando sugestões para o caso de ser menino ou menina e você não aceitou nenhuma delas — disse Van.

— Idem — dei de ombros e peguei meu copo de suco.

Logo após minha consulta ter acabado, a primeira coisa que ele fez foi me levar ao shopping que ficava mais próximo. Evandro queria que eu comesse algo na praça de alimentação e que depois já começássemos a escolher algumas coisas para o bebê. A animação dele era tanta que não tive como negar. Suas expressões ainda me capturavam as vezes. Era como se não pudesse desviar o olhar de jeito nenhum. Ficar perto ainda era um pouco difícil, mas seria pior se não agíssemos como se tudo estivesse completamente normal.

Fernanda: Acho esses nomes bonitos → Matheus, Gabriel, William, Bernardo, Igor e Sandro.

Camila: Mas são tão comuns…

Tiago: Sugiro o meu nome, algo tão bonito não pode ser descartado com tanta facilidade.

Nícolas: Ainda é comum.

Evandro: Hahah, vamos pensar no seu caso.

Tiago: Não senti firmeza, amigo.

Camila: A madrinha escolhe o nome!

Ana: Desde quando?

Charlote: Desde nunca. Eu não quero que meu filho tenha o nome de algum personagem de filme de ação, como Rambo, James Bond, ou sabe-se lá o que mais sairia da sua cabeça.

Van riu alto.

— Isso é sério?

— Quando se trata da Mila nunca se sabe mas todo mundo conhece a obsessão dela por aqueles filmes, não vou arriscar — respondi.

Nícolas: Ouch.

Ana: Kkkkkk.

Fernanda: Quem na terra tem tanto mau gosto? Rsrs, sorry, Mila.

Camila: Isso é calunia! Eu jamais escolheria algo assim. Quer dizer, James é legal, né?

Charlote: Aham… Claaaro. Muito lindo. Ainda parece nome de mordomo pra mim.

Evandro: Agora, se nos permitem, estamos saindo. Vou levar a mãe do meu filho as compras.

Camila: Ei!

Charlote: Tchauzinho, Mila.

Não pensei duas vezes antes de me despedir. Estava ansiosa para comprar roupinhas para o meu bebê. Respirei fundo e desejei que minha mente não me traísse, porque, como uma grávida totalmente emotiva que eu era e sendo tratada com tanto cuidado pelo pai do meu filho, vendo todo o amor que ele já tem por uma criança que nem nasceu ainda, não podia impedir esse coração traidor de, uma vez ou outra, perder uma batida por ele.

Mas isso não significava que eu ia dar o braço a torcer. Mesmo que meu amor por ele ainda não tenha sido sufocado até um nível aceitável, relações rompidas para mim não tinham mais volta. As coisas estavam como tinham que ser, e eu me sentia satisfeita com isso.

💔💔💔

Saiu! Capítulo leve pra descontrair. Ainda vou fazer uma ediçãozinha básica nesse capítulo, mas tá tudo bem.
Amanhã acaba! Útimo capítulo+epílogo.

Até o fim, meninas.
Lembrando: O fim é apenas o começo desse história ;)

Depois disso, nos vemos no livro 1!

Aos 18 [Completo]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora