"Eram 13:30. Catarina estava extremamente angustiada, não parava um segundo sequer esperando para sair. Até que finalmente toma coragem, pega seu casaco, tranca a porta e sai porta a fora. Chegando ao local percebe que, mesmo em plena tarde, havia uma névoa estranha, que dava um ar um tanto quanto sombrio. De repente Catarina escuta uma voz bem próxima ao seu ouvido. Tão próxima que chegava a parecer que estava dentro de sua cabeça.
- Olá minha querida, chegou bem na hora... - Diz um rapaz desconhecido com um sorriso aterrorizante.
Catarina se vira para a pessoa alta, esguia e forte, dando alguns passos para trás. Seu rosto estava irreconhecível graças a um capuz que o rapaz usava. Havia uma sombra que não permitia vê-lo perfeitamente, mas uma coisa ela via mais que nitidamente... um revólver. E antes mesmo que ele terminasse a frase: "Nunca confie em estranhos" catarina vê a arma sendo sacada e apontada para ela, que em apenas um movimento no gatilho..."
- Nãaaaaao... - grita.
Catarina acorda num salto desesperado, suando frio, com os reflexos mais apurados que qualquer animal já conhecido. Suas pupilas, extremamente dilatas, rodeavam todo o local, enquanto seus ouvidos se focavam em todos os barulhos que seus tímpanos alcançavam. Fora apenas um sonho. Um dos piores que já havia tido, uma vez que poderia ser o reflexo da realidade. Sua respiração estava ofegante e suas mãos trêmulas, mas sua consciência sabia que estava em casa. A garota caminha até a cozinha, toma em sua mão um copo e o enche com um pouco d'Água.
- Que pesadelo. Estou ficando mais tensa a cada minuto que se passa, e Ainda não são nem 11 horas. - Diz a garota tentando repassar para si que nada daquilo havia acontecido, numa tentativa falha de acalmar-se.
Sentada no sofá, Catarina ainda estava de pijama. A luz do dia estava radiante, iluminando toda a casa. O céu estava limpo, sem nuvem alguma, e o clima se encontrava frio o suficiente para senti-lo mesmo se agasalhado. Vidrada no pequeno visor do seu aparelho móvel era como Cacá se encontrava. Estava tão fixada, que chegara a ponto de não perceber mais nada ao seu redor, apenas esperando mais que preparada qualquer sinal, ligação ou mensagem. De repente seu celular toca, mas o ar de desapontamento possui o corpo da moça a levando a atender desinteressada.
- Catarina?! - Pergunta uma voz um tanto quanto preocupada
- Oi Manu, o que houve? - Pergunta Cacá.
- Eu que te pergunto, amiga. Cadê você? Dois dias sem ir a escola, e sem um pingo de notícia. Nem sinal de fumaça. Vai dizer que finalmente desistiu da escola...? - Diz a amiga num tom irônico seguido de algumas risadinhas.
- Tem acontecido coisas demais. Me desculpa não falar nada, prometo que vou te informar de tudo assim que possível, mas preciso mesmo desse celular disponível por agora, tudo bem?
Sua melhor amiga assentiu, e logo em seguida desligou com uma despedida curta, porém, cheia de carinho. Catarina não sabe bem o que está fazendo, mas sabe que está sentindo coisas demais para se definir. Ela sabe que precisa estar bem preparada, e que não deveria confiar em quem se encontrava do outro lado da linha, por mais doce que a voz tenha sido. Calmamente vai ao seu quarto, Ainda sonolenta e com suas pernas bambas graças ao péssimo pesadelo que havia tido minutos antes, e começa a planejar o que iria fazer.
Eram 12:00 horas agora, sua mãe não havia chegado ainda e já era hora do almoço. Ela resolve se virar, preparando um macarrão instantâneo que comeu acompanhado de um suco qualquer que já estava pronto e se encontrava em sua geladeira. Enquanto almoçava escreveu um bilhete num post-it para sua mãe, caso algo inesperado ocorresse. Bilhete este que possuía os dizeres:
"Se eu não voltar até as 18 horas, me
procure no endereço rua Livia
Campozana, nº 2000.
Catarina."
Por que não ligar? Isso desesperaria sua mãe, e no mínimo a impediria de ir. Ela não poderia ter contratempos, erros, nada, nenhuma falha. Tudo deveria ir como planejado, e se desse errado ela teria um plano reserva. Mas Catarina tem plena consciência que não existem planos suficientes para tantos possíveis erros, tinha que garantir que iria a um ritmo que ela acompanharia. Até que teve uma grande ideia.
- Se o desconhecido está a minha espera as 13:40, irei antes. O pegarei de surpresa antes que pegue a mim. Serei cautelosa... - A jovem está cheia de determinação, e essa mesma determinação estava a cegando das loucuras que esteve criando toda manhã.
Então finalmente eram 13:20, a garota pronta pega seu celular, põe um pacote pequeno de ração no bolso direito de seu short para caso precisasse e põe um boné em sua cabeça. Ela realmente estava determinada a não ser vista, queria sair e chegar logo em seu destino, sem que ninguém esbarrasse com ela ou a perguntasse o que andava fazendo. Então a garota decide sair pela porta dos fundos de sua casa. Assim que saiu se deparou com a bela vista do céu, um dos mais belos e azuis céus já vistos por ela. Ainda extasiada com aquela vista esbarra com uma chave de fenda que se encontrava jogada em seu quintal. A garagem era ali atras, então não estranhou vê-la ali.
Sem nem pensar duas vezes, a catou e pôs no bolso esquerdo de trás do short, deixando ser coberta pela jaqueta que usava. A garota começa a caminhada e nada do número desconhecido dar sinal, até que finalmente chega ao destino. Ela se encontra em frente à uma rua vazia, com lindas casas e várias flores por todos os quintais da rua. Por mais estranha que estivesse sentindo-se ainda era em seu condomínio, e lembrar-se disso a trouxe maior tranquilidade. Catarina se encontrava escorada em um muro baixo, em uma das esquinas da rua, onde esperou por cerca de 30 minutos. Todo e qualquer movimento ela analisava de cima a baixo, sem deixar nenhuma observação faltar.
De repente, a jovem paira sua visão em um rapaz que logo fixa sua atenção. Não por ser suspeito, mas pelos seus olhos verdes que brilhavam tanto quanto seu sorriso. Os cabelos ruivos escorriam sobre sua pele clara, que aparentava ser uma das mais macias que já houvera visto. A garota se viu paralisada, estava ali naquele murinho, o encarando sem perceber. Até que ele a vê... mas logo tira sua atenção dela com alguns latidos que vinham do que aparentava ser sua casa.
Uma linda cadela, de cor caramelo, veio ao seu encontro. Ela latia, pulava e se mostrava eufórica perto do rapaz. Aquela cena a fez lembrar de Teobaldo, logo a derrubando numa onda de melancolia. Ela volta seu olhar para o asfalto sob seus pés, pensando sobre voltar para casa e desistir daquilo tudo, mesmo indo contra a vontade de seu coração.
Ela volta sua visão para o garoto, o vê pela última vez e antes que pudesse se virar escuta algo que fez seu coração palpitar. Teobaldo, era o latido dele, e ela possuía certeza. Havia escutado aquele som por longos anos, era impossível confundi-lo com qualquer outro cachorro. E então viu o que apenas confirmou o que ela já sabia, lá estava ele, junto ao rapaz. Viu seu melhor amigo sair do mesmo local que a cadela caramelo, estava sem coleira e aparentava estar bem.
Catarina tem um ataque de ansiedade. Uma bomba de sentimentos explode dentro dela, e era possível sentir cada um deles nos centímetros de seu corpo. Ela apenas deseja correr e abraçá-lo, agradecer ao rapaz por tê-lo encontrado e finalmente levá-lo de volta ao seu lar. Mas percebe que o rapaz não o devolveu. E se ele tivesse o roubado? E se ele tivesse armado para seu cachorro fugir? Ela não sabia o que faria se estivesse à frente do rapaz. Não sabe se conversaria com ele ou se apenas pegaria seu cachorro e iria embora. Apenas sobre duas coisas ela estava certa, que aquele cachorro era seu amigo de anos e que ela não iria embora sem fazer nada.
(Cacá conversará ou levará o cão? Decida)
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DECISÕES
Fiksi RemajaEssa história não começa com o clichê "Era uma vez", já que o "final feliz" possa não vir a acontecer. Tudo só depende do que você decide.
