Lá estavam. Dois jovens acompanhados de seus cães, caminhando rua abaixo, esvaindo risadas e sentimentos. Adolescentes são assim, sempre expondo o que pensam e sentem, fazendo com que todos os outros sintam-se da mesma forma. Sentimentos à flor da pele, decisões constantes, escolhas fáceis que tornam-se impossíveis em suas concepções, adrenalina, tudo isso tira-os o foco.
Não era diferente com os dois. Eram simples, porém complicados, falavam o que pensavam, mas não era tudo o que pensavam. A todo instante há coisas mais a se descobrir. Sempre duvide das palavras de quem as possuem.
- Chegamos. - Diz Catarina, abrindo o portão do muro externo de sua casa.
O muro era baixo, assim como o de todas as outras casas do condomínio. Mesmo com ele fechado, sua altura permitia-lhes verem a casa por completo.
- Que bela casa. - Diz o rapaz com um sorriso de canto.
A garota sorri e logo gesticula com as mãos de forma com que Anthony compreendesse o que desejava. Ambos atravessaram o portão e se encontravam agora no quintal e, enquanto Catarina destrancava à porta ela avista o rapaz parado diante das flores brancas de sua mãe. Era lindo... Tanto o rapaz quando o cantil de flores. A luz do sol batia nas pétalas das flores e resultava numa visão exatamente igual ao da pele do rapaz. Era delicada, suave e que dava ao corpo uma grande sensação de se afogar em tal calmaria.
- São realmente lindas. - Comenta Anthony. - Quem as plantou?
A garota sai de seu transe assim que é fitada pelos olhos intensos do rapaz, e logo o responde com uma voz suave.
- São da minha mãe. Ainda bem que comentou, deveria lembrar de cuidar delas. - Afirma a moça com risadas calmas e sinceras.
Catarina volta sua atenção à porta, que logo é empurrada. A primeira coisa a ser feita era livrar-se do bilhete que havia deixado, e assim fora feito. Ela volta para a porta e vê o garoto brincando com os cachorros no quintal. Não queria observá-los por muito tempo, a sensação de que voltaria a afundar-se involuntariamente em tal beleza a deixava nervosa e impaciente. Desejava conseguir controlar a si por completo, mente, corpo e coração, mas não é assim que funciona. Infelizmente ela não poderia escolher o que sentir, quando sentir e muito menos por quem sentir, mas uma coisa ela poderia fazer, decidir se algo chegaria a acontecer ou não.
A garota procura por toda a casa a identificação de Teobaldo. Passa pela cozinha, sala de jantar, sala de tevê, até chegar em seu quarto e avista-lá em seu criado mudo. Seu quarto estava exatamente como havia deixado, a cama desforrada, seu pijama repousado sobre a cadeira e seus sapatos perto da porta. Tudo como na manhã do mesmo dia, porém com uma grande diferença, possuía seu companheiro ao seu lado novamente.
Catarina vai ao quintal com a coleira e a põe em Teobaldo, sem euforia. Anthony observava tudo, a garota, a coleira, a reação do cachorro, entre outras coisas mais que preferia não rever em mente para não delirar. Ao finalmente mover-se, indo ao encontro do cachorro, estende sua mão até sua coleira, que se encontrava já em seu pescoço, e a lê. Anthony sabia que a moça não estava mentindo, sabia que poderia depositar confiança facilmente sem arrepender-se, mas precisava de algo concreto, uma prova, que agora possuía, para que não houvessem erros.
O ruivo levanta-se, direciona seu olhar vidrante a moça e lhe dá um sorriso tímido.
- Você estava certa, ele é seu. - Diz o garoto se aproximando. - Jamais desconfiei de você, mas você compreende que não poderia deixá-lo ir logo de cara, não entende?
Diz o rapaz tímido pela situação, com uma sensação de estupidez correndo em suas veias, mas sem arrependimento.
- Não se culpe, eu compreendo. Novamente agradeço por tê-lo abrigado e retornado a mim. - Diz a moça dando-lhe um abraço repentino.
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DECISÕES
Teen FictionEssa história não começa com o clichê "Era uma vez", já que o "final feliz" possa não vir a acontecer. Tudo só depende do que você decide.
