9ª Decisão: Escolha

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Era uma manhã de sábado e, para qualquer um, nada melhor do que frutas frescas, pão com geleia e um delicioso achocolatado no café da manhã. O dia estava claro, as folhas estalavam em colisão com o vento e o som dos pássaros era gratificante a quem ouvia. O cheiro vindo da cozinha não permitiu que Catarina mantivesse-se nem mais um segundo na cama, por mais cedo que fosse. De forma sonolenta, Cacá levantou-se e, enquanto carregara o celular na mão direita, coçava os olhos com a esquerda durante um longo bocejo.
A cozinha estava colorida. Frutas e sucos acima da mesa, algumas pastas e geleias, junto a leite e as porcelanas prontas para serem usadas. Catarina senta-se e, em poucos olhares, percebe tamanho leque de cores no café da manhã.

- O que está acontecendo? - Diz Catarina seguida de um bocejo. - Estamos comemorando algo que me esqueci?

Graça, já sentada na mesa, apenas observava os movimentos da filha e a responde com um sorriso sem dentes. Cacá deixa escapar leves risadas e logo se acomoda na cadeira vaga mais próxima. O café da manhã, mesmo que nenhuma palavra houvesse sido trocada, estava alegre e cintilante. Catarina acreditava ser algo estranho, mas era agradável e desejava que continuasse daquela forma.

- Faremos algo hoje, Srta. Graça? - Questiona Cacá, em tom e gesticulando, como alguém de classe alta.
- Se quiser podemos fazer algo. - Diz Graça. - Mas já caprichei no café da manhã pra te segurar alguns minutos a mais hoje.
- Prometo que será a última vez que saio sem você. - Diz Catarina com um sorriso recheado de agradecimento. - Almoçarei fora, é algo realmente importante. Vai estar aqui para mim quando eu voltar?
- Sempre. - Diz Graça.

Mãe e filha terminam o café da manhã de forma sossegada e graciosa. A luz entrava sem incomodar, e o papo fluía como uma correnteza sem ondas. Catarina levanta-se e, após tomar uma toalha sobre os ombros, direciona-se ao banheiro para uma ducha. A jovem não negava ter preguiça de tomar banho, mas quando entrava sentia o mesmo para sair. A água correndo sobre sua pele lisa, cada gota d'água quente ou gelada, lhes trazia uma sensação de aconchego e paz.
De praxe, a toalha na cabeça era sempre mantida. Muitas vezes nem era proposital e, no mínimo, era mantida por uns 30 minutos lá, até lembrar-se de que deveria tirá-la. A roupa para o almoço já estava escolhida, um lindo vestido azul de alça, cor azul esverdeado. O vestido era delicado e gracioso, mesmo Catarina não gostando de aparentar-se sensível ou patricinha. O vestido era acompanhado de um tênis branco que a jovem tinha um grande apego, não era tão novo, mas seu branco não deixava de ser vibrante.
A hora de sair chegara. Tudo estava combinado e decidido, não só pela jovem, mas sim, em conjunto. Angelo e Anthony tornaram a noite passada de Cacá mais difícil, com inúmeras mensagens para a bela moça, mas ela sabia o que deveria responder, principalmente o que precisava fazer... e fez. Catarina despede-se de sua mãe com alguns beijos, e é acompanhada até à porta por seu cão, que também recebe um beijo na cabeça. A lanchonete, e destino, próxima a escola era a melhor, a que Cacá mais gostava, principalmente para almoços.
Catarina não perde tempo e logo faz o combinado ser posto em pratica, até que chega no local desejado. A hora havia sido decidida, 12:30 na frente da casa do rapaz, e o esperava em frente ao portão, até que o vê sobre o muro não tão alto. Os olhos eram claros, objetivos e cada vez mais fixos na jovem, a fazendo arrepiar da cabeça aos pés e repensar em tudo que havia decidido. Mas Catarina não deu um passo atrás, e sim, estufou o peito e manteve o olhar sobre o rapaz tão esperado.

- Olá Catarina. - Cumprimenta o rapaz. - Pelo visto a pontualidade é um dos seus fortes.
- Sempre fazendo gracinhas. - Diz Catarina dando um sequinho no ombro do jovem dos olhos negros. Você nunca perde a oportunidade não é mesmo, Angelo?
- É verdade. Gosto de vê-la sorrindo, principalmente com os olhos. - Diz o jovem aproximando-se de seu rosto, a ponto de fazer a moça sentir sua respiração. - Adoro ver o doce sorriso cinza dos seus olhos.
- Pare de dizer besteiras Angelo. - Diz Catarina corada. - Vim conversar sério com você, não me faça mudar de ideia.
- Tudo bem. - Gesticula o rapaz fazendo sinal de "zíper" nos lábios molhados. - Prossiga.
- Obrigada. - Diz a moça
- Como? - Pergunta o rapaz um pouco surpreso.
- Muito obrigada por me acompanhar naquele dia, mesmo eu o tendo dispensado e sido uma chata todo o tempo. - Catarina começa a corar e ficar sem jeito, mas fala rápido e diretamente. - Vim aqui agradecê-lo por ontem.
- Catarina... - Tenta falar algo, mas é ligeiramente interrompido.
- Não, não. Deixe-me terminar. - Diz Cacá pedindo pelo silêncio do rapaz. - Eu não entendo como, depois de tudo, você Ainda foi o cara mais legal do mundo e...
- Catarina. - Corta Angelo. - Somos amigos. Apesar de tudo, é meu dever como amigo estar lá quando você precisar, assim como você comigo. Somos amigos desde sempre, não faria diferente, certo?
- Mas... - Questiona Catarina.
- Sem "mas". - Diz Angelo a puxando para perto, e os colando em um abraço. - Somos base um do outro Catarina, sempre fomos.

Catarina desfaz-se do abraço e, com os olhos, o agradece por tudo já feito e que Ainda iria fazer. Ambos consentem e se despedem direcionando-se cada um para seu respectivo caminho. Angelo, indo para dentro da casa e Catarina seguindo seu caminho. A jovem sentia-se mais aliviada por conversar com Angelo, mas, mesmo depois dele tê-la confortado, ela sentia que algo faltava, que algo não estava certo. Sentia que nem toda verdade havia vindo à tona Ainda, mas preferiu ignorar aquele sentimento e focar em outros.
Mesmo não fazendo e nem falando muito, a jovem sentia que tudo estava rápido demais. Algo estava realmente estranho, mas não sabia evitar este sentimento de algo não estar certo. Finalmente havia chegado, e Catarina estava parada em frente a lanchonete. O medo era inevitável e mais difícil ainda, era não retornar a lembrança de ter sido deixada lá. A moça era forte e independente, não criava problema em almoçar só, mas o que a deixava frustrada era sentir coisas quando não deveria.
A sensação de ter que conversar com Anthony, ou até mesmo Angelo, por vacilos dos mesmos era algo que irritava Catarina. Algo que a confundia de uma forma, que até se confundir era confuso. A jovem simplesmente para, de pensar, sempre se perdia em seus pensamentos e a próxima vez não poderia ser agora. Estava cansada de se perder em si mesma, quer ter controle sobre si, até mesmo quando não deveria.
Catarina adentra a lanchonete e não pede o almoço. A moça se senta, pede um suco de uva com mirtilos e observa todo o ar rústico do lugar. O ar de espera se torna mais denso e presente, e a jovem apenas observa o marrom das paredes, até parar naquele verde que bem conhecia. O rapaz a vê, sorri e vai de encontro a ela. Os olhares jamais são desviados, era quase que possível ver o cinza misturar-se com o verde no ambiente. O rapaz, já bem próximo a Catarina, da um beijo em sua testa e sorri.
Seu cheiro era anestesia, seus olhos eram adrenalina viva e seus lábios tentação duradoura. O rapaz, sem falar nada, põe a mão no bolso, puxa uma nota de lá, curva-se e põe abaixo do copo de suco Catarina. A jovem olha incompreensível para Anthony, logo tentando falar, mas ele a interrompe. Anthony estende sua mão para ela e, com os olhos cada vez mais intensos, a olha.

- Venha comigo. - Diz o rapaz Ainda com sua mão estendida.
- Mas... Eu não estou entendendo. - Diz Catarina cada vez mais nervosa.
- Catarina, venha comigo. - Repete Anthony agora mais perto e com um tom mais falho.
- Anthony... Eu... - A moça repousa o olhar ao chão e escuta.
- Você... confia... em mim?

(Catarina confia ou não em Anthony? Decida)

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