A confiança é algo essencial. Não confiar significa não acreditar no outro, não confiar é acreditar que há algo de errado. Porém, acima de tudo, não confiar é não amar.
Catarina encontrava-se com as mãos suando. Anthony andava a sua frente, com tamanha calmaria, numa postura quase que constante. As mãos nunca saíam do bolso, os passos eram lentos e descontraídos, e um leve sorriso malicioso sempre se encontrava em sua face. O rapaz era misterioso e isso causava em Cacá, não só nervosismo, mas um grande sentimento de curiosidade. Anthony estava sempre muito calado, parecia perder-se em pensamentos assim como a jovem Catarina, mas ele sempre exalava um ar misterioso que intrigava a moça.
A caminhada não era longa, minutos quem sabe, mas a forma de agir de Anthony a fazia sentir que eram horas. Catarina olhava para todos os lados, tentava descobrir o que se passava e para onde ia, mas ao olhar para Anthony percebia que ele parecia se divertir com a situação.
- Para onde vamos? - Diz Catarina quebrando o silêncio.
- Logo logo verá. - Responde o rapaz num tom calmo, sempre olhando para frente.
- Por que não me diz logo e acaba com todo esse mistério? - Retruca a moça o olhando fixamente.
- Você não disse que confiava em mim? Para quê a pressa? - Diz Anthony olhando de canto para a moça, sem que ela percebesse.
- Eu confio, mas estamos andando a tanto tempo e...
- 7 minutos. - Diz o rapaz agora sem sorriso algum.
- Como? - Pergunta Catarina.
- Fazem apenas 7 minutos que estamos caminhando. - Diz o rapaz agora parado, porém com o olhar agora direcionado a jovem.
Catarina enrubesce e continua a caminhada sem dizer uma palavra. Ela não estava constrangida, mas sim acanhada pelo olhar do rapaz ser tão intenso e desafiador. Não era desconfortável olhá-lo, mas ele fazia Catarina sentir de nervosismo à calmaria, coisa que apenas uma pessoa fez. Angelo.
Era incrível como, as vezes, parecia que Catarina se importava com tanto, enquanto Anthony e Angelo não importavam-se com nada. Como parecia que ela reparava tanto e eles nada reparavam. Como parecia que ela sentia tanto, tantas vezes, enquanto eles não mudavam em nada. A jovem as vezes sentia-se louca por acreditar que via coisas onde não tinha, ou até mesmo, não ver onde realmente tem.
De repente alguém, ou algo, segura seu braço e a jovem gela. A mão era macia e suave, mesmo assim ela sentia-se mais nervosa que antes. A parada brusca de Catarina fez Anthony olhá-la rapidamente, enquanto ela já se encontrava parada o olhando. Vagarosamente a jovem vira e vê quem a segurava, Angelo. Ele mostrava um sorriso sem dentes com os lábios rosados, e ainda segurando o braço de Catarina com uma mão, acena com a outra.
- Angelo? - Questiona a moça.
- O que está fazendo aqui? - Também questiona Anthony com um ar mais sério.
- Eu? Nada. - Diz o rapaz soltando o braço de Cacá vagarosamente. - Eu apenas estava passando, os vi, e pensei em ver como estão.
- Não temos tempo para conversa agora Angelo, quem sabe na escola segunda, hm? - Diz Anthony aproximando-se e pegando a mão de Catarina.
Catarina sente cada dedo fervendo em sua pele, aquele toque fez ela arrepiar e olhar rapidamente para os olhos de Anthony, que encontravam-se agora vidrados no outro rapaz. Cacá começa a sentir seu rosto ferver, mas nada faz, fica quieta sem conseguir dizer nada. Angelo olha calmamente para o rapaz sério, da um sorriso de canto e olha para a moça.
- Uma pena, não acho que Catarina esteja gostando desse passeio. - Diz Angelo aproximando-se de Catarina.
- Anthony, Ainda segurando a delicada mão da moça, a puxa para trás e põe o braço no peito de Angelo, impedindo que se aproximasse mais. - Já disse. Não temos tempo para conversa agora, quem sabe depois?
Ambos estavam face a face. Era possível sentir o ar mais denso, e ouvir os corações acelerados. Catarina não havia entendido, não fazia o menor sentido para ela. Angelo, nada fez com relação ao braço do rapaz a sua frente, suas mãos nunca saíram do bolso. O rapaz apenas move a cabeça um pouco para o lado, chegando a um ângulo que pudesse ver Cacá claramente.
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DECISÕES
Fiksi RemajaEssa história não começa com o clichê "Era uma vez", já que o "final feliz" possa não vir a acontecer. Tudo só depende do que você decide.
