1. I'm like TT

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1 ano e 5 meses antes

- Você vai, não vai? - Jimin me perguntou.
Se eu pudesse seguir minhas próprias vontades, responderia que não. Acontecia que eu era um ótimo amigo. Então, mesmo que a contragosto, assenti.
- Ah, que bom - ele respondeu com alegria. - Eu realmente não queria ficar sozinho na festa da minha irmã.
- Não é como se ela fosse retardada, Jimin. (s/n) é legal.
- Você diz isso porque não convive. Sério, ela me deixa maluco.
- Nós já tivemos 16 anos um dia, hyung.
- Isso faz cinco anos. Pra você três.
Parei de responder. Não podia mudar a opinião de Jimin em relação a sua própria irmã. Park (s/n) nunca me incomodou. Ela sempre foi a irmã mais nova e quieta de Jimin, aquela criança fofa que entrava no quarto do irmão porque queria brincar conosco.
Todas as vezes que nos falamos tivemos uma relação boa e conversas interessantes. Ver ela fazendo 16 anos me deixava com um sentimento extremamente nostálgico.
- Eu estava no quarto com a Hyeri quando ela entrou pedindo pra sermos menos barulhentos. Dá pra acreditar?
- Sim - respondi rindo. - Você é muito previsível.
- Vá se fuder.
Rimos juntos até nossas barrigas doerem.
- Mas você vai mesmo?
- Pra que eu iria mentir?
- Não sei, o Taehyung me passou a perna.
- Ele não vai?
- Foi viajar para Daegu de novo. Sabe como são os pais dele.
- Pelo menos ele gosta do lugar.
- Não interessa. Ele passou a perna em mim. Fora isso ele é um dos melhores amigos da (s/n).
- Como isso aconteceu mesmo?
- Não sei. De um dia pro outro os dois estavam colados.
Olhei pro relógio, vendo que tinha que ir pra casa.
- Vou indo. Preciso me arrumar.
- Venha cheiroso e lindo.
- Pode deixar.

Foi isso que fiz. Vesti uma roupa razoavelmente bonita, porém muito confortável e uma touca porque estava frio pra caralho. Peguei o pacote em cima da minha cama e me despedi de meus pais, começando a andar na direção da casa de Jimin. Eu morava a umas duas ruas de mim, então o caminho não era tão longo. O bairro em que morávamos era um dos mais tranquilos de Seul, por isso estava livre de preocupações. Quando cheguei na casa fui recebido por Jimin, que ficou feliz com a minha presença. Do lado de dentro, a casa tocava algum indie antigo. Nenhum dos convidados havia chegado ainda, porque não tinha ninguém além de nós na casa. (s/n) estava sentada no sofá cantarolando a música. Os cabelos dela estavam soltos e caídos pelos seus ombros.
- Jungkook chegou - Jimin anunciou.
A garota abriu os olhos e me viu, colocando um sorriso no rosto e se levantando para me cumprimentar com um abraço rápido.
- Feliz aniversário. - Disse assim que a soltei, estendendo o pacote. - Não é nada demais.
- Muito obrigada. Vou guardar.
E assim ela desapareceu nas escadas, me deixando sozinho com meu melhor amigo.
- Onde estão as outras pessoas? - Perguntei.
- Duvido que venham.
- Hyung! - O repreendi. - Que coisa horrível de se desejar.
- Olha a data que ela escolheu. É no meio de feriados importantes. Somos os únicos em Seul no momento.
- Ela só quis escolher o dia do próprio aniversário. Não vejo problema nisso.
Jimin deu de ombros.
- Pelo menos a comida e a música são boas.
(s/n) desceu as escadas rapidamente, se reunindo novamente conosco na sala.
- Mais alguém chegou?
Negamos com nossas cabeças. O sorriso da garota lentamente desapareceu, mas ela tentou disfarçar e conseguiu bem.
- Que se dane - respondeu. - Qualquer coisa podemos jogar algum videogame.
- Eu vou pegar nachos. Alguém quer?
- Sim - disse imediatamente. - E traz a guacamole.
Ficamos eu e ela sozinhos na sala.
- Você quer escolher uma música? - A garota me perguntou.
- Eu posso?
- Claro que sim.
Levantei e me pus a analisar as músicas na playlist separada. O gosto musical dela era irritantemente bom. Optei por When I Come Around do Green Day.
- Suas músicas são ótimas. Não sabia que escutava Green Day.
- É uma das minhas bandas favoritas. Você tem uma música favorita deles?
- Definitivamente Boulevard Of Broken Dreams.
- Não posso acreditar!
- Por que?
- É a minha favorita também. No American Idiot, Holiday e Boulevard Of Broken Dreams vem juntas. É de fato a melhor combinação.
Jimin voltou trazendo a comida, colocando no meio da mesa.
- Merda. Esqueci os refrigerantes. Serve Pepsi?
Nós dois assentimos. Bufando, ele voltou para a cozinha. Eu a encarei mais uma vez, sentada no sofá com as pernas cruzadas e uma porção de nachos na mão.
Me aproximei para podermos conversar melhor.
- Quais outras bandas você gosta? - Eu perguntei. - Além de Green Day e Arctic Monkeys.
- Red Hot Chili Peppers, Linkin Park, The Strokes... Eu podia ficar a noite toda aqui falando sobre isso.
- Música é realmente um assunto que dá pra ficar horas conversando sobre - comentei. - Confesso que não imaginei que você era tão legal.
Ela nem teve tempo de corar completamente, pois Jimin reapareceu trazendo os copos descartáveis e uma garrafa de Pepsi com imensa dificuldade. Ele nos olhou com um olhar confuso.
- Chega pro lado - ele me pediu.
Fiz como ele mandou, embora insatisfeito. Jimin se sentou no meio de nós, agarrando um bocado de nachos e colocando na boca.
- Do que estavam falando?
- Música - (s/n) respondeu.
- Não há nada melhor que Rolling Stones - meu amigo constatou.
- Beatles - ela retrucou.
- Beach Boys - complementei.
(s/n) me olhou com um sorriso que contaminou seu rosto todo, fazendo com que eu sorrisse junto.
- Tenho que concordar com Beach Boys - Jimin ponderou. - Mas não ficarei calado diante da blasfêmia que você acabou de dizer, (s/a).
- O que foi? Todo mundo sabe que Beatles é melhor que Rolling Stones.
- Essa é só a sua opinião.
- Já parou pra analisar a obra prima que é I Saw Her Standing There? Twist N Shout?
- Você só está citando a era Please Please Me! É a mesma coisa que só considerar Satisfaction e esquecer completamente de Sympathy For The Devil.
- Gente, por favor não briguem - eu me intrometi. - Não há necessidade de ponderação quando sabemos que The Beach Boys é melhor que todos eles.
Continuamos nesse clima até estar um pouco tarde. Acho (s/n) já tinha perdido as esperanças dos convidados aparecerem. Aparentemente ela não se importava, pois estava dançando loucamente ao som de Bon Jovi.
- Onde estão seus pais? - Perguntei pra Jimin.
- Na casa da minha tia, que é nos fundos.
- Então podemos beber?
- Com a minha irmã aqui?
- É verdade - repensei minhas palavras.
- Não me importo de beber - a garota se intrometeu. - Não é como se eu nunca tivesse bebido na vida, rapazes.
Deixei a decisão nos ombros de Jimin, afinal, a casa era dele.
- Foda-se. - Ele levantou e foi em direção à cozinha.
Nos deixando mais uma vez sozinhos. Eu queria puxar assunto, mas a situação era desconfortável.
Era normal querer tanto conversar com a irmã mais nova do seu melhor amigo?
Infelizmente, Jimin retornou antes que eu pudesse formular minha opinião. Na mão dele estavam três cervejas, que ele entregou para cada um de nós. Na hora abri e dei o primeiro gole daquela longa noite.
- Que tal sentarmos em círculo e começarmos a jogar algum jogo que com certeza vamos nos arrepender amanhã? - A aniversariante sugeriu em forma de pergunta.
- Pode ser - disse.
- O que ficar bom pra vocês está ótimo pra mim. O importante é que eu e minha querida cerveja possamos ficar juntos.
- Não acredito que ele já está bêbado.
- Irmãzinha, vá se fuder.
Ela riu, virando metade da garrafa de uma vez. Inspirado por suas ações, repeti o ato. Sentamos no chão gelado, sentindo um calafrio se apossar de meu corpo.
- Vamos jogar "eu nunca" - ela falou animada. - Sabem como funciona, né?
Assentimos. O jogo consistia basicamente em alguém do grupo fazer uma afirmação com "eu nunca", e quem já fez a tal coisa deveria beber um gole. Perdia quem tivesse a garrafa terminada mais rápido.
- Eu começo. - Ela limpou a garganta. - Eu nunca saí de sala.
Eu e Jimin bebemos imediatamente.
- Você é muito certinha - o irmão mais velho bradou para a irmã. - Não sabe qual é a adrenalina de levar uma advertência.
- Cala a boca - ela transferiu imediatamente. - Sua vez.
- Vejamos... Eu nunca transei no banheiro do colégio.
Filho da puta.
- Não vai beber, Jungkook? - Ele perguntou irônico.
Com um olhar mortal na direção dele, bebi um gole da minha cerveja. Eu até poderia omitir esse fato ridículo, mas Park Jimin estava ali para me lembrar dos meus erros do passado. Minha vez de fuder ele.
- Eu nunca fiquei tão duro a ponto de ter que bater uma no banheiro do shopping.
Jimin bebeu. Ai dele se não bebesse.
- Sério, Jimin? - (s/n) perguntou se segurando para não cair em gargalhadas. - Que nojo.
- A culpa não foi minha! Aconteceu de maneira inevitável. Espera, por que diabos estou discutindo minha vida sexual com minha irmã mais nova?
- Você quer dizer sua vida masturbatória, não é?
Não consegui me segurar, minhas gargalhadas preencheram o espaço com um eco absurdo.
- Tá, tá - ele riu enquanto falava. - Foi engraçado. Te dou esse mérito.
- Eu nunca peguei num evento escolar - ela mudou de assunto.
Eu e Jimin bebemos. (s/n) nos olhou incrédula.
- Às vezes - comecei. - Você precisa fazer o que você precisa fazer.
As coisas seguiram nesse rumo até todos estarmos consideravelmente bêbados e estar muito tarde. Olhei no relógio, mas só vi formas distorcidas.
Jimin estava praticamente desmaiado no sofá, enquanto eu e (s/n) ficamos rindo e terminando nossa garrafa.
- Que horas são? - Perguntei.
- Três e meia.
Estava realmente tarde. Ou eu precisava ir embora ou ficar. Como se lesse os meus pensamentos, a garota continuou a conversa.
- Está muito tarde. Não acha melhor ficar do que arriscar ir embora?
- Está preocupada?
Ela corou rapidamente e eu sorri de lado.
- Sim - me respondeu. - Me ajuda a levar ele pro quarto?
Assenti, virando minha garrafa e a largando em cima da mesa. Nós dois nos posicionamos para segurarmos cada braço de Jimin. A nossa força combinada foi o suficiente para levá-lo até seu quarto. Quando chegamos, mudamos a sua roupa e o colocamos em cima da cama. Eu o cobri com a colcha e liguei o aquecedor.
Ao meu lado, (s/n) bocejou.
- Está com sono? - Perguntei, embora fosse óbvio.
- Na verdade estou um pouco bêbada.
Eu ri, sabendo que também estava.
- Eu estou meio alterado.
- Vou pegar um edredom para você dormir com o Jimin.
Fui com ela até o armário no corredor. Parecia um daqueles lugares onde os zeladores guardam as vassouras.
- Estão guardados há um tempo, então me desculpe pela qualidade.
- Não tem problema. Já está sendo muito gentil em me deixar ficar.
- Você foi o único que veio, seria um pouco, talvez muito rude te mandar ir embora.
Sorri, apesar de saber que ela não conseguia me ver.
- Merda! - Xingou. - Não alcanço o mais limpo.
- Deixa comigo.
Me aproximei, esticando o braço para pegar o tal edredom. Sem querer, acabei esbarrando nela, que em reflexo acabou se chocando contra meu corpo. Senti um calafrio a medida em que ela se afastava pedindo desculpas. (s/n) se virou com os olhos cerrados e uma expressão confusa. A atitude me deixou paralisado, não sabendo muito bem o porquê. Lentamente, ela se aproximou até estar consideravelmente perto. Ainda sim, a diferença de altura entre nós se fazia presente. Como se lesse meus pensamentos, a garota olhou para cima, encostou a mão em meu rosto, o descendo ao seu nível e pressionou seus lábios contra os meus. Ela fechou os olhos, porém eu mantive os meus abertos. Eu realmente não sabia o que estava acontecendo. Antes que ela se afastasse, aprofundei levemente o beijo. Era um ritmo extremamente calmo, quase inocente. Entretanto, assim que percebi o que estava fazendo e com quem, me afastei bruscamente, deixando-a confusa. Ela me olhou com os olhos brilhantes e perturbados. Havia palavras na minha boca, mas não conseguia dizer nada. Eu estava atordoado.
- O que foi? - Ela perguntou.
Apenas uma coisa saiu em forma de palavra. Foi, talvez, a pior escolha.
- Me desculpe.
Quando recuperei a consciência, minha casa jazia na minha frente. O sol nascia, iluminando o céu.
Eu fui embora.
Provavelmente, se eu não tivesse feito isso, as coisas seriam diferentes hoje.

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