15. You Never Walk Alone

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3 meses antes

Parecia que aquele dia nunca iria chegar, mas finalmente estava na hora de ir ao aniversário de Haera. Eu tinha batido na porta de Jimin umas quinhentas vezes para tentar tirá-lo de lá, mas percebi que não adiantaria de nada se ele não queria sair. Peguei o presente que havia comprado para a a menina, ajeitando meu cabelo por uma última vez antes de sair é caminhar até o carro do meu fiel amigo Taehyung.
- Eu tenho uma coisa pra perguntar - ele comentou.
- Pode perguntar.
- Jungkook vai te levar ao baile de formatura?
Minhas bochechas coraram, fazendo alguns pensamentos românticos até demais passarem pelos meus olhos.
- Eu não sei - respondi. - Até agora ele não comentou sobre isso. Ele nem tem obrigação, pra falar a verdade. Nós não estamos namorando ou nada desse tipo.
- (s/n), nós nos conhecemos há um bom tempo, tempo suficiente para que eu diga na sua cara que vocês só não oficializaram. Todo mundo sabe, todo mundo viu, todo mundo concorda.
- Eu não ligo. Não vou ficar criando expectativas além do real pra quebrar minha cara depois.
- Ah, é mesmo?
- Sim. Eu sou uma nova pessoa, Tae. - Fixei meu olhar na estrada. - Chega de corações partidos.
Alguns minutos depois já estávamos parados em frente a casa de festa que Yoongi havia alugado para comemorar o aniversário. Saí do carro e pude escutar uns gritos de criança e músicas infantis tocando no interior. Esperei Taehyung para entrar. A parte de dentro era branca com uma espécie de decoração colonial, bem bonita. A decoração estava impecável, fazendo completo jus ao anime. Avistei Haera correndo com sua roupa de Sakura Card Captors e o báculo em mãos, rodeada por seus amiguinhos. Imaginei que Changkyun deveria estar por lá porque sua irmã era a melhor amiga da menina. Ela passou correndo por mim então não tive como cumprimentá-la e entregar seu presente. Atrás dela vinha Yoongi gritando para que ela parasse de correr. Assim que nos viu o rapaz sorriu e veio em nossa direção, o abracei e entreguei o presente.
- Sério, não precisava.
- Claro que precisava.
Ele revirou os olhos e cumprimentou Taehyung, que também entregou seu presente.
- Estamos sentados ali. - Apontou para uma mesa perto da porta, que abria espaço para o ar livre do lugar. - Embora eu provavelmente não vá sentar tão cedo porque tenho que evitar que Haera enfie aquela merda no olho.
- Pensa pelo lado positivo - comecei. - É a primeira de muitas festas que você vai fazer pra sua filha.
Ele sorriu, me abraçando apertado e depois me empurrando em direção a mesa. Cheguei e avistei Areum, Namjoon, Gaeul e Jungkook sentados por lá. Não consegui conter o sorriso que se formou em meu rosto ao ver o rapaz, e nem ele conseguiu. Havia um lugar vago ao lado dele. Parei um tempo para pensar se deveria ou não me sentar ali, mas Tae me cutucou com força indicando que eu já devia ter ido. Timidamente me aproximei e sentei, apertando a mão dele por debaixo da mesa. Eu esperava que ninguém estivesse prestando atenção nos olhares bobos que estávamos trocando, porque seria muito constrangedor.
- Eu descobri uma coisa interessante - ele berrou por cima da música.
- O que?
- Adoro te ver de azul.
Minhas bochechas coraram mais uma vez. Ele realmente não fazia ideia do que fazia comigo quando falava aquelas coisas. Me sentia tão feliz que poderia agarrá-lo ali mesmo, mas não o fiz porque sentia uma vergonha absoluta.
- Gente - Tae chamou. - Eu comprei uma fantasia de hambúrguer pra ela. Será que ela vai gostar?
- Eu não acredito, Tae - Gaeul soltou um berro. - Sério isso?
- Pior que sim! - Assegurei. - Eu não vi, mas conheço esse ser há uma eternidade e não duvido que ele tenha realmente feito isso.
- Eu sou humilde - Jungkook começou. - Optei por uma coisa que nunca falha: uma boneca da Sakura.
- É, eu tinha uma dessas - Areum comentou. - Mas ela se desfez, infelizmente.
Um garçom trouxe uma bandeja com pratos de macarrão para nossa mesa. Aceitei com felicidade pois estava morrendo de fome. Continuei atacando o prato até que ele se esgotasse.
- O Jimin vem? - Jungkook perguntou.
- Não sei dizer. Tentei de todas as formas tirar ele do quarto, mas ele nem me respondeu. Tem alguma coisa de errado com ele.
- Eu sei - o garoto disse. - Será que tem alguma coisa a ver com a Hyeri?
- Hyeri? Nem sei se eles continuam se falando depois de toda essa enrolação. Eles já pararam de se ver tantas vezes que eu até concordo com ela.
- Eu não quero que isso aconteça com a gente.
- Isso o que?
- Pararmos de nos falar milhões de vezes e nunca darmos um jeito em nada.
- Não vai acontecer - aleguei imediatamente. - Não vou deixar que isso aconteça.
- Você não tem medo?
- Medo de que?
- De que tudo isso seja apenas um sonho e ainda sejamos menos que amigos.
- Por que está agindo assim? Você não é desse jeito inseguro.
- Sei lá, só fico triste com essa situação do Jimin com a Hyeri. - Ele sorriu de lado. - Ele provavelmente me odeia agora, mas não consigo deixar de vê-lo como um irmão.
- Jimin não te odeia, Kookie. Acho que ele só está magoado, mas é uma mágoa passageira. Eu até que entendo esse drama todo, mas não justifica ficar ignorando a sua existência.
Finalmente Yoongi se juntou a nós na mesa, sentando ao lado de Areum.
- Exaustivo. - Ele bebeu um gole do refrigerante. - Muito exaustivo. Mas recomendo. Tenham filhos.
- Não, muito obrigada, não antes dos 30 - Gaeul contestou na hora.
- Kim Gaeul em grávida aos 16 - brinquei.
- (s/n) tá muito engraçada, acho que vou jogar esse refrigerante nela.
- Aish, sabe nem brincar.
Mais alguns minutos de conversa se seguiram até que Yoongi tivesse de levantar mais uma vez, dessa vez arrastado por Haera, que ficou com vergonha ao ver o crush, vulgo Jungkook. Eu só conseguia rir da situação. Falando nele, senti sua mão sobre a minha, atraindo minha atenção. Usando gestos com a cabeça, ele apontou para a parte a céu aberto da casa de festas.
- Quer ir pra lá? - Perguntei.
- É óbvio, tô apontando.
Revirei os olhos, virando para outro lado. Ele riu, me cutucando.
- Vamos logo. - Não respondi. - A não ser que queira receber um ataque de cócegas na frente de todos.
- Você é baixo, Jeon Jungkook. Mas eu vou com você.
Sem chamar muito a atenção de todos, nos levantamos e caminhamos rapidamente até a parte de fora, longe dos olhares de quem quisesse nos encarar. Havia uma piscina no meio do campo e uma grande cerejeira mais no canto. Foi para lá que nos dirigimos. Comecei a correr sem rumo e ele a me perseguir, tentando evitar que eu fugisse dele. Os sons tocavam Teenagers do My Chemical Romance, com certeza uma escolha de Yoongi. Corri por mais algum tempo até que ele conseguisse me segurar, evitando que eu caísse de cara no chão. Em seu abraço me sentia bem o suficiente para rir como se não existisse amanhã. Encostei a cabeça no ombro do rapaz, que começou a andar na direção do tronco da cerejeira. Fiquei imprensada contra a madeira com Jungkook rindo em meu ouvido, fazendo meus pêlos se arrepiarem completamente pelo ato. Consegui me virar e colocar as mãos nas bochechas dele, acariciando a região em um gesto de carinho. Ele tirou o cabelo que caía em meu rosto, retribuindo a ação. Ficamos assim durante um tempo, apenas nos encarando bem fundo nos olhos. Uma hora ficou impossível manter aquilo, então tratei de juntar nossos lábios em um beijo apaixonado e relativamente calmo comparado aos que costumávamos trocar. As mãos dele pressionavam minha cintura, me mantendo colada nele. Era como se ele quisesse me manter por perto, por medo de que eu fosse embora ou algo do tipo. Bobo, eu jamais faria aquilo, nem mesmo ousaria me afastar. Porém eu gostava do jeito que ele me segurava, por isso permitia sem comentários.
Os beijos continuaram por bastante tempo, sem nos importarmos com quem pudesse estar notando nossa ausência. Que mal poderia ser feito, não é mesmo? Paramos por falta de ar. Às vezes tornava-se impossível, mesmo que super desejado.
- Acho que tirei o seu batom.
- Ah, não. Que sacanagem.
- Desculpa. - Em seus olhos eu pude enxergar que ele não estava nem um pouco arrependido.
Sacudi minha cabeça em negação, observando que havia uma porção do meu batom nos lábios dele. Passei meu polegar por eles, retirando o conteúdo. O olhar que ele me lançou não era nem um pouco puritano.
- Estamos em uma festa de criança.
- Ninguém precisa saber, jagi.
- Jagi? - Perguntei.
Ele entrelaçou sua mão na minha.
- Jagi - confirmou.
Desistimos de ficar por lá, andando em direção a parte de dentro da casa de festa. Yoongi saiu correndo e veio na nossa direção.
- (s/n), preciso da sua ajuda.
- Pra quê? O que houve?
- Quero fazer uma surpresa no palco pra Haera mas não sei como, você é a pessoa mais criativa que eu conheço. Por favor ajude seu amigo desesperado.
- Claro, sem problemas.
Naquele mesmo instante um carro acelerado entrou pela entrada de trás da casa de festa, mirando em nós. Só deu tempo de empurrar Yoongi e sair da frente, porque caso contrário ele seria atropelado. O carro parou abruptamente, e eu fiquei sem entender nada, segurada por Jungkook em um abraço defensivo. Corri até Yoongi para ajudá-lo a se levantar. Uma pessoa desceu do carro e eu prestei atenção e reconheci Nari imediatamente. Ela parecia furiosa e descontrolada.
- Nari?! - Yoongi berrou. - Você enlouqueceu, porra?! Podia ter nos matado!
- Seria melhor assim, eu me livraria de todos os meus problemas!
- Que merda é essa? - Perguntei.
- Cadê a garota? - Nari gritou mais uma vez.
- A garota não, ela se chama Haera e é minha filha! Infelizmente ela é sua também.
- Eu não tô de brincadeira! Cadê a garota?! Eu vou levar ela embora.
- O caralho que você vai! Você abandonou ela! Não vai ser tão fácil assim que eu vou te deixar chegar perto dela!
As pessoas começavam a se aglomerar na porta, observando a briga.
- Se você não vai me dar ela eu mesma pego!
Ela tentou passar para dentro, mas eu entrei no caminho dela.
- Sai da minha frente.
- Não vou deixar você estragar a festa de aniversário da Haera.
- Ah, você deve ser a piranha que ele tá comendo agora.
Jungkook se aproximou com um olhar de poucos amigos. Infelizmente Nari percebeu.
- Ah, você tá dando pra mais de um? Que coisa ridícula. Sai da minha frente.
- Eu já disse que não vou sair.
A garota então deu um soco em meu rosto. Senti um zumbido invadir meu ouvido a medida em que passei o dedo por meu nariz e senti o sangue escorrendo. Eu levantei meu olhar com fúria e imediatamente pulei em cima da garota, agarrando seu cabelo e dando chutes nela. Nari gritava tentando arranhar meu rosto e me enforcar, mas eu conseguia mantê-la afastada. Os meninos tentavam nos separar, mas não conseguiam. Depois de muito esforço consegui derrubar a mulher, que me arrastou com ela. Caí em cima dela, conseguindo segurar suas mãos com força para que ela parasse de se mexer. Segurei seu pescoço e comecei a dar tapas na sua cara. Seu lábio inferior e seu nariz sangravam.
- Você não vai se meter na nossa vida! Tá me escutando? - Perguntei bem próxima de seu rosto.
- Me larga, sua vagabunda!
- Ah, é assim?
Tirei meu sapato e dei um tapa com a sola na cara dela, que gritou. Repeti a ação até que ela implorasse para que eu parasse.
- Agora vai embora. - Saí de cima dela. - Agora!
Nari levantou cambaleando e se ajeitou um pouco, percebendo todos os olhares a encarando.
- Não fiquem achando que vai ficar desse jeito! - Ela gritou. - Especialmente você!
- Quero ver você tentar - respondi.
A mulher entrou dentro do carro e saiu com o carro. Finalmente senti a fraqueza se apossar de meu corpo, caindo em meus joelhos. Minha roupa estava rasgada e meu nariz sangrando bastante. Senti alguém me abraçando e me ajudando a levantar. Soube pelo toque gentil que era Jungkook. Ele me pegou no colo e atravessou a multidão.
- Você não deveria ter feito isso.
- Eu... Eu defendo as pessoas que amo.
- Eu sei. Minha garota corajosa.
Pressionei minha cabeça contra o peitoral dele, fechando os olhos.

Playing With FireHistórias para pegar e não largar. Descubra agora