6 meses antes
Chovia como se o mundo fosse acabar. Eu olhava o lado de fora pela minha janela, enfiada debaixo de um cobertor e com o celular escondido. Minha mente, naquele momento, permanecia vazia, embora ela estivesse funcionando a 220 volts desde que Jimin descobriu sobre meu relacionamento secreto com Jungkook. Desde quando ele me enfiou no carro contra a minha vontade, não troquei uma palavra sequer com o mesmo. A mágoa que ele provocou no meu coração era grande demais para que eu simplesmente a ignorasse, então, ao invés disso, optei por ignorá-lo. Eu esperava que o garoto estivesse sentindo o peso da minha frieza e de suas ações. Será que ele realmente acreditava que conseguiria separar nós dois naquela altura do campeonato? Meus dedos viviam em minha boca, constantemente sendo mordidos e as unhas roídas. Não sabia o que fazer para tirar o aperto no peito, já tinha tentado de tudo. O dia estava completamente cinza, sem um filete de luz solar mínimo, apenas chuva. Não me interessava aonde Jimin estava e nem o que estava fazendo, eu só queria poder sair de casa sem ele enchendo meu saco. Senti meu telefone vibrar e imediatamente o peguei, lendo ávida a mensagem de Jungkook.
"Estou aqui fora."
Bloqueei o celular e fui em direção ao armário, escolhendo um suéter cinza como aquele dia, e um tênis qualquer. Penteei o cabelo e abri devagar a porta do quarto, checando o corredor. Ao notar que não havia ninguém por ali, desci a escadaria com cuidado para não atrair atenção indesejada, meu coração gelando quando observei a televisão ligada num programa que meu irmão adorava. Me aproximei levemente e percebi que de fato era ele, mas estava dormindo como um bebê. Respirei aliviada e peguei minhas chaves, abrindo a porta com cuidado e trancando-a da mesma forma. O frio abafado da tempestade fez minhas mãos tremerem, mas tratei de me recompor e fui correndo até o carro, no qual entrei com rapidez. Assim que entrei, ele deu partida, sabendo que era perigoso ficar com o carro estacionado na frente da minha casa, dados os recentes acontecimentos. Somente quando paramos num sinal vermelho que me atrevi a olhá-lo. As marcas da briga com Jimin ainda perpetuavam em seu rosto, um lembrete doloroso de que tecnicamente o que fazíamos era errado.
- Você está bem?
Sei que era a pergunta mais idiota a ser feita, mas senti a extrema necessidade de perguntá-lo. Toda a expressão corporal do rapaz, desde de seus olhos tristes até a maneira com excesso de força que ele segurava o volante indicavam que não estava.
- Melhor agora que você está aqui. - Ele respondeu com um sorriso.
Não consegui evitar sorrir com a resposta dele, mesmo sabendo que era uma mentira descarada.
- Como estão as coisas? - Jungkook perguntou, quebrando o gelo.
- Permanecem um inferno. Meus pais continuam não parando em casa, então o Jimin fica sempre no comando.
- Eu sinto muito por você ter que passar por isso.
- Não sinta, vale a pena.
O sinal abriu, terminando aquela conversa. Pra falar a verdade, eu não sabia onde ele estava me levando, mas confiava que não seria um lugar perigoso.
Para passar o tempo, eu desenhava coisas aleatórias no vidro embaçado. Algumas vezes escrevia nossos nomes, riscava-os e adionava "por que?". Claro que não podia deixar que o garoto ao meu lado percebesse o que estava fazendo, por isso não os deixava brilhando por mais de cinco segundos. De repente, senti o carro parar. Observei que estávamos na frente do Starbucks.
- O que vai querer? - Ele perguntou.
- O de sempre - respondi.
Ele assentiu e saiu, deixando-me sozinha novamente. Toda vez que me encontrava naquela posição minhas memórias voltavam no mesmo instante para aquela noite terrível. Estar sozinha no banco do carona me dava calafrios e enchia meus olhos de lágrimas, porém eu sabia que não podia chorar. Não choraria mais, chorar era coisa de meninas bobas. Eu definitivamente não queria mais ser uma menina boba. Precisava me recompor para que pudesse ser forte em meio àquela tempestade que parecia nunca ter fim. Quando menos percebi, lá ele estava, trazendo um frapuccino de morango e um cookie de chocolate em suas mãos, junto de seu pedido. Agradeci e tratei de comer logo para que não esfriasse. Jungkook tornou a dirigir por mais alguns minutos até parar no estacionamento do shopping ali perto. Notei que ele queria ficar num lugar onde não seríamos incomodados. Embora eu soubesse que aquela situação era perfeitamente normal em se tratando de nós dois, dava para sentir um ar diferente e pesado. A verdade era que estávamos tentando evitar o assunto desde o acontecido. Afinal, o que poderia ser dito e feito? Nem eu sabia, quanto mais ele.
- Qual foi a explicação que deu pros seus pais? - Perguntei. - Em relação aos machucados.
- Disse que caí da escada.
- E eles acreditaram? - Brinquei. - Sinceramente, Kook, você já mentiu melhor.
- Eu não estava com criatividade o suficiente pra inventar uma mentira. Só queria acabar logo com aquilo.
Assenti, repensando no meu desdém. Talvez tenha sido um erro brincar com aquilo.
- Depois de todo esse tempo eu ainda não faço ideia de quem contou pra ele - Jungkook comentou. - As evidências apontam pro Taehyung, mas eu sei que ele jamais faria isso.
- Claro que não! Ele prometeu que não falaria nada! O Tae não mentiria desse jeito na minha cara.
- Eu sei, (s/n). Sei que ele não faria isso. Mas, se não ele... Quem?
Em um reflexo de raiva, ele deu um murro no volante, acionando a buzina e me fazendo dar um salto no banco.
- De qualquer jeito, não adianta de nada saber quem foi. Já aconteceu. O que tinha que dar errado deu.
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Playing With Fire
FanfictionNa qual você é a irmã mais nova de Park Jimin e se envolve carnal e romanticamente com Jeon Jungkook em segredo. "Se pudéssemos escolher por quem iriamos nos apaixonar, talvez as coisas fossem diferentes. Mas desde a época dos gregos antigos, todos...
