16. Don't wanna cry

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2 meses antes

Era apenas mais um dia comum, daqueles que nada de produtivo era feito. Após quatro tempos seguidos de química, eu só queria ir pra casa e dormir até o século seguinte. Saí do colégio me despedindo de Yugyeom, sabendo que Jimin não poderia me buscar naquele dia. Não tinha problema - estava um sol gostoso e agradável. Caminhei pacificamente com meus fones de ouvido tocando Arctic Monkeys, como sempre. Passei numa loja de doces para comprar umas balinhas azedas. Continuei meu caminho em direção a minha casa. Ao entrar numa esquina, observei um carro preto atrás de mim. Apertei meu passo, mas não parecia estar sendo seguida. Ao chegar na outra esquina, verifiquei que o carro já não estava mais lá. Respirei aliviada e continuei a andar, mas de repente o pacote de balas das minhas mãos.
- Merda. - Xinguei enquanto me abaixava para pegar as balas.
Assim que me levantei, senti braços me segurando por trás, e antes que eu pudesse me debater ou gritar, havia um pano sobre meu nariz. Em poucos segundos eu estava envolta pela escuridão.
Acordei com um feixe de luz passando pelo lugar escuro, incomodando meus olhos desacostumados com a claridade. Assim que eles se adaptaram, revirei o lugar com meu olhar. Aparentava ser uma espécie de galpão de uma fábrica, com telhas de metal e correntes caindo do teto. Tentei me mexer mas logo percebi que estava amarrada contra uma cadeira, meus pulsos e pés também presos. Minha boca não estava tampada, o que foi um ponto positivo. Não havia ninguém ali além de mim, por isso comecei a tentar soltar os nós, mas estes estavam muito apertados. Depois de uns minutos tentando, senti a região começar a arder e um filete de sangue escorrer. Mordi meu lábio e rodei o olhar mais uma vez, notando que eu permanecia sozinha.
- Socorro! - Gritei o mais alto que pude. - Alguém me ajude!
Não houve nenhuma resposta.
- Tem alguém aqui? Socorro!
Ouvi um barulho vindo de trás de mim, mas não pude me virar devido às amarras. Conforme os passos iam se aproximando de mim, o aperto em meu estômago parecia crescer. Engoli a seco quando um homem se por na minha frente. Ele era incrivelmente bonito e alto, mas tinha um olhar extremamente ameaçador. O rapaz caminhou até o canto do galpão, puxando uma cadeira giratória e arrastando até a minha frente, sentando-se nela em seguida.
- Oi. - Ele disse enquanto puxava um pirulito de sua jaqueta, abrindo-o e colocando-o na boca. - Meu nome é Jin.
Não respondi nada.
- Eu imagino que você não esteja entendendo o que está acontecendo e tal, é normal, afinal, não é todo dia que se acorda num galpão com um desconhecido. Não precisa se assustar, eu só quero a sua ajuda.
- M-minha ajuda? - Perguntei nervosa.
- Aham. - Jin disse enquanto lambia seu pirulito. - Depois que você me ajudar, vou te deixar ir embora em paz e segurança no mesmo lugar onde te paguei.
Eu não estava entendendo absolutamente nada. Jin continuava chupando seu pirulito como se não fosse um sequestrador e eu sua cativa.
- Pra que você precisa de mim?
- É muito simples. Uma pessoa que você tem uma relação bem íntima tem algo que eu quero. Só quero que você me ajude a convencer essa pessoa a me dar a coisa.
Minhas mãos estavam tremendo, e ele percebeu. O homem pôs a sua mão sobre a minha, me fazendo parar de tremer.
- E quem é? - Consegui perguntar. - A pessoa.
Com uma última lambida, ele deixou escapar o nome.
- Min Yoongi.
Arregalei meus olhos e meu coração acelerou bruscamente.
- Sabe, (s/n), Yoongi nem sempre foi esse puritano. Ele me deve coisas e eu perdoei todas elas, menos uma. Uma delas foi a gota d'água.
- O que você quer que eu consiga com ele?
Ele me encarou, tirando algo de dentro do casaco. Percebi que era uma foto. Com suas mãos másculas ele a colocou bem na frente de mim.
- A garota. - Eu observava a foto de Haera. - Eu quero a menina.
- Mas... Por que?
- Jesus. Nari me disse que você era tapada mas não que era estúpida. Que tal jogarmos um jogo?
Não esperando pela minha resposta, ele se levantou e arrastou um quadro empoeirado.
- Há um tempo eu conheci uma garota chamada Nari em Daegu. Naquela época, o negócio estava indo tão bem que eu me sentia capaz de fazer qualquer coisa. Inclusive ter aquela mulher para mim. Só que havia um problema: ela tinha um namorado. Esse namorado era Yoongi. Ele era tão fudido quanto Nari naquela época, sempre comprando cocaína comigo.
Então era isso. Ele era um traficante.
- Nunca fui com a cara dele, muitas desculpas e pouco pagamento, mas passar a perna nele e pegar a garota foi tão fácil que eu me senti mal e perdoei todas as dívidas. Não demorou para que ele descobrisse que era corno, o que levou a sua saída de Daegu. Não me importei porque me livrei de um problema e arranjei uma namorada. Porém. - Ele traçou uma linha fina no quadro, provocando um ruído horrível. - Um dia ela surtou porque descobriu que estava grávida e sumiu. Desapareceu me deixando com cara de idiota em Daegu.
- Eu não entendo... Por que você se importa? Haera é filha de Yoongi.
Ele bateu com força no quadro, fazendo com que esse girasse completamente. Jin caminhou na minha direção de maneira ameaçadora, fazendo com que eu me encolhesse na cadeira.
- Não, (s/n). Haera é minha filha.
Minha boca se abriu em formato de O, tamanha a minha surpresa. Eu não podia acreditar que Nari tinha mentido daquela forma... Só de pensar em Yoongi sabendo da notícia uma tristeza profunda tomava meu coração.
- Por isso a quero. Quero a garota para que eu, Nari e ela possamos viver como uma família.
- Ela já tem uma família que a ama.
- Ah, me poupe. Um pai com um emprego de merda e uns amigos pobres?
- Melhor ter um emprego de merda do que ser um criminoso como você.
Me arrependi no segundo que coloquei as palavras para fora, pois logo senti meu rosto se virar bruscamente e minha bochecha queimar violentamente. Senti o gosto de sangue em meus lábios e lágrimas de dor se formarem em meus olhos.
- Não pense que eu não sei sobre o que você fez com ela na festa da minha filha - ele disse com firmeza. - Tenha bem fresco na sua mente que eu tenho a intenção de retribuir o favor.
Segurei minha resposta com medo de ser agredida mais uma vez.
- Você vai convencer o seu namoradinho a me dar a menina, entendeu? - Ele segurou meu maxilar, me fazendo olhar diretamente em seus olhos. - Ou eu juro que te mato.
Em primeiro momento, não entendi o que ele quis dizer. O que Jungkook tinha a ver com a história? Foi então que parei para refletir. Nari... Yoongi... Festa da Haera. A verdade piscou como um holofote: Jin pensava que eu era a namorada de Yoongi por causa do que fiz com Nari. Meu rosto se contorceu involuntariamente num sorriso.
- Por que está sorrindo? Eu pareço estar brincando contigo?
- Você claramente não fez o dever de casa de maneira correta, Jin - disse seu nome com desdém. - Porque não saber que eu não sou a namorada do Yoongi é realmente muita burrice pra quem vem planejando isso há meses.
Ele arregalou os olhos, mas logo contorceu o rosto de raiva e me deu um soco tão forte que apaguei na hora.
Nos meus sonhos eu estava caminhando num campo florido com Jungkook ao meu lado. Ele sorria e falava, mas eu não conseguia entender uma palavra sequer. Tentei perguntar o que ele estava dizendo, mas nenhum som saía da minha boca. Ele estendeu a mão, mas quando tentei encostar nele, ele começou a lentamente desaparecer.
Abri os olhos abruptamente ao ouvir um forte estrondo no ambiente aonde estava. Ainda era o mesmo galpão, mas parecia estar na manhã seguinte. Meu coração palpitou ao perceber que havia agora uma fita adesiva sobre a minha boca, e ao meu lado havia outra garota. Forcei o olhar e soltei um grito abafado ao descobrir que era Areum, amarrada da mesma forma que eu, porém ainda desacordada. Me debati fortemente, sentindo meus pulsos começarem a arder mais uma vez.
- Depois de um tempo procurando, finalmente a encontrei. Han Areum. - Jin apareceu na minha frente, sem camisa. - Você tem razão. Eu fui burro. Porém, graças ao seu conselho, eu consegui atingir o meu alvo.
Não consegui segurar as lágrimas que desciam pelas minhas bochechas. Era culpa minha, se eu não tivesse o provocado, Areum estaria a salvo.
- Agora que encontrei a garota, não preciso mais de você. Eu deixaria você ir embora sem nenhum problema, mas você sabe demais. Sabe-se lá o que poderia fazer depois de sair daqui. Então, espero que vocês se dêem bem.
Tentei falar por baixo da fita, mas nenhum som compreensível saía.
- Por quanto tempo vão ficar aqui? Bem, até que a ruivinha resolva colaborar. Isso pode demorar um dia ou um ano, vai depender do meu poder de persuasão. Eu tenho todo o tempo do mundo.
Eu não conseguia parar de chorar. Meu coração estava sendo esmagado contra meu peito, e parecia que eu não sabia mais como respirar.

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