7 meses antes
- Foi por isso que você foi me buscar no colégio? - Perguntei.
Jungkook riu, me estendendo as minhas roupas para que eu pudesse me vestir. Com dificuldade, fui vestindo peça por peça até que estivesse completamente vestida. No banco de trás do carro era realmente difícil vestir roupas. Ele, por outro lado, não teve muita dificuldade, o que despertou levemente minha curiosidade. Entretanto, não fiz nenhuma pergunta incoveniente. Passei para o banco do carona me abaixando para não bater a cabeça no teto.
- Sabe que era só abrir a porta, né? - Ele brincou.
- Viver perigosamente é viver grandiosamente - constatei, me acertando no assento.
- Vou colocar isso no meu TCC quando tiver que escrever.
Ele passou para o banco do motorista da mesma forma que fiz, me fazendo revirar os olhos.
- Agora respondendo a sua pergunta: não, não foi com essa intenção. É que esse uniforme é uma perdição.
- Só na sua cabeça. E qual foi a tal intenção?
- Perguntar se você queria passar lá em casa. Hoje é sexta, meus pais estão viajando a trabalho, uma boa companhia nunca é demais.
- Então o segundo round fica pra mais tarde?
Jungkook riu com as mãos no volante, sacudindo a cabeça enquanto eu mantinha minha boca aberta por incredulidade.
- Isso já depende de como as coisas vão fluir. Sempre tem a opção Boys Over Flowers, mesmo que já tenhamos visto esse dorama umas oito mil vezes.
Eu sorri, dando minha permissão para que fossemos para a casa dele. Em resposta, ele arrancou com o carro, me dando um susto.
A viagem não demorou muito, afinal, meu colégio nem era tão longe da casa dele, que era razoavelmente perto da minha. Mandei uma mensagem para Jimin dizendo que estava na casa de Yugyeom. Era nitidamente uma mentira, mas a verdade deveria permanecer oculta. Caso contrário, haveriam problemas. Uma das coisas que eu mais gostava naquela casa era o cheiro de lavanda vindo do banheiro, dava uma leveza completamente viciante no ambiente, fazendo com que a estadia por lá sempre fosse agradável. Me sentei na mesa da cozinha, feita de granito, e o observei abrir o armário em cima da pia para pegar alguma coisa. Um pote de geleia de morango, a minha favorita. Sentou-se ao meu lado e me entregou uma colher, a qual depositei animada no pote, pegando uma boa quantidade e colocando na boca, sentindo o sabor azedo e açucarado.
- Eu nunca conheci alguém que comesse geleia direto do pote - o garoto começou. - Antes de você.
- É porque as pessoas são chatas. Todo dia fazemos coisas estressantes, somos levados aos nossos limites mais de um milhão de vezes, merecemos nossos poucos prazeres diários, não acha? Por exemplo, comer geleia direto do pote. Quem realmente se importa em passar no pão?
- Gente chata - ele concluiu, limpando a colher em sua boca. - Eu não tenho tempo nem pra atualizar minhas séries, quem dirá pra passar geleia no pão.
- De fato uma boa comparação - disse. - Pra onde seus pais foram?
- Busan de novo. A empresa pra que trabalham tem uma franquia muito importante por lá.
- Eu nunca fui a Busan, confesso. Jimin nasceu lá, mas eu não.
- Você gostaria de ir um dia?
- Claro, é um lugar interessante.
- (s/n), acho que não entendeu a pergunta. Perguntei se quer ir comigo.
Eu tirei os olhos da minha colher e os fixei nos dele. Pela coloração vermelha nas bochechas dele, pude confirmar que estava falando sério. Mesmo assim, porque eu tinha problemas pra acreditar nas pessoas, perguntei.
- Isso é sério?
- Por que não seria? O que eu tenho a perder, né? O pior que pode acontecer é você me rejeitar.
- Eu jamais te rejeitaria, sabe disso. Como eu poderia? Você é muito fofo.
- Eu estou sim falando sério, (s/n).
- Nesse caso... - Respirei fundo. - Tudo bem por mim.
Ele sorriu e deu um beijo na minha bochecha.
- Lá vai uma curiosidade - anunciou. - Eu nasci em Busan também.
Arregalei um poucos olhos ao assimilar a informação recente, mas logo voltei ao meu normal quando o vi se levantando para guardar a geleia em seu devido lugar. Segui sua silhueta com meus olhos, ficando em pé assim que ele se virou.
- E agora? - Perguntei. - Quais são seus planos?
- Não sei, você decide. Sou um péssimo anfitrião.
Revirei os olhos, mas assim que senti uma gota de suor escorrer pela minha nuca e um arrepio percorrer meu corpo, tive uma certeza.
- Eu preciso de um banho.
- Ah... Bem... Você pode usar meu banheiro. Só não tem os seus shampoos e tal, mas os meus até que são bons.
Assenti, seguindo-o até o quarto, onde esperei que ele trouxesse uma toalha pra mim. Ao invés disso, ele trouxe duas. Arqueei a sobrancelha.
- O que está sugerindo?
- Eu também faria bom uso de um banho. Sem segundas intenções.
- Você sempre tem segundas intenções, Jungkook.
- Olha, põe a mão em mim. Tô todo suado. A história do carro foi ótima, exceto pelo calor infernal.
Após alguns segundos, concordei, entrando no banheiro rapidamente, com o rapaz atrás de mim.
Certo, eu e ele havíamos cruzado praticamente todas as barreiras, mas aquilo era muito constrangedor. Tirar a roupa sem nenhuma conotação sexual era bizarro, ter os olhos dele nas minhas costas nuas sem saber se ele ia ou não chegar perto e começar alguma coisa era inquietante. Ao contrário do que eu esperava, Jungkook apenas tirou sua roupa, sem tentar nada, e entrou no box ao meu lado. Tentei ignorar que estávamos ambos nus naquele cubículo de vidro e simplesmente liguei o chuveiro, sentindo uma satisfação enorme com o contato da água quente com minha pele. No meu vocabulário não existia água gelada. Nem mesmo no verão. A temperatura estava sempre no modo inverno. Aparentemente ele não se importava, porque entrou sem hesitação debaixo do manto quente. Era como uma obra de arte; seus cabelos ficando mais escuros e colados em seu rosto coberto de água, preenchendo perfeitamente minha mente. Sem falar no líquido que descia pelo resto de seu corpo, que me fazia criar uma contradição: quem estava com tendências a segundas intenções agora era eu. Ele abriu os olhos e me pegou encarando, desprevenida.
- O que foi?
- Tô tentando guardar essa cena na minha memória.
- Por que?
- Às vezes tenho a impressão de que tudo isso é um sonho e eu ainda tenho 14 anos e tenho uma queda por você, mas você não sabe.
Senti uma das mãos dele em contato com minha cintura, trazendo meu corpo para debaixo d'água e para perto de si. O olhar intenso que ele me dava era quase perturbador. Eu o sentia na minha alma, aquecendo meu coração e alimentando as borboletas que viviam em meu estômago.
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Playing With Fire
FanfictionNa qual você é a irmã mais nova de Park Jimin e se envolve carnal e romanticamente com Jeon Jungkook em segredo. "Se pudéssemos escolher por quem iriamos nos apaixonar, talvez as coisas fossem diferentes. Mas desde a época dos gregos antigos, todos...
