1 mês antes
Eu estava no corredor do hospital quando fui interceptado por Jimin.
- Oi - ele disse, sem muita emoção na fala.
- Oi - respondi na mesma intensidade. - Como ela está?
- Melhor, segundo os médicos. Agora só estão verificando a cicatrização da perfuração pra saber se podem liberá-la de vez ou não.
Muitas coisas passavam pela minha cabeça naquele momento, mas poucas faziam sentido. Acho que Jimin sabia disso.
- Sabe - ele começou. - Eu tenho que te agradecer demais, mas não sei como fazer isso.
Eu o encarei sem acreditar nas palavras que deixavam a sua boca.
- É sério? - Perguntei. - Você não tem que me agradecer por nada.
- Tenho sim. Você salvou minha irmã.
- Não, não salvei - retruquei. - Ela se salvou. Eu apenas ajudei.
- Bem, de qualquer forma... Obrigado. Não sei o que seria de (s/n) se você não tivesse vindo me contar. Eu... - Ele deu uma pausa. - Eu fui tão ignorante.
A falha em sua voz me fez encarar o seu rosto e ver que seus olhos estavam inundados de lágrimas.
- Aquelas coisas horríveis que eu disse... Acredite em mim, foram da boca pra fora.
- Eu sei, Jimin.
- Não, você não sabe. Eu me arrependo demais. Eu só... Fiquei um pouco perdido. Sei lá. Fiz bastante merda.
- Todos nós fizemos bastante merda. Não precisa se martirizar por causa disso.
- Você gosta dela, não gosta? - Ele mudou de assunto repentinamente, me pagando desprevenido. - De verdade.
- Gosto - respondi. - De verdade.
- E ela gosta de você.
- Bem, não sei dizer. Não posso responder essa pergunta por ela.
- Eu não estava perguntando, Jungkook. Só estava ligando os pontos. Ela gosta de você e você gosta dela. Vocês tem muita sorte. - A última frase ele disse mais para si mesmo do que para mim. - Me perdoa, Jungkook.
- Não tem porque pedir isso, hyung.
- Por favor.
Soltei um suspiro pesado, colocando um sorriso em meu rosto.
- Tudo bem. Eu te perdôo.
Ele imediatamente se jogou para um abraço forte, que eu retribuí sem delongas. Era bom ter meu amigo de volta.
Naquele exato momento, meus olhos se focaram na garota parada no corredor. Era (s/n), vestida com umas roupas simples e bem menos abatida do que estava antes. Ela sorriu ao nos ver no abraço, e eu cutuquei Jimin para que ele se virasse. Ao se deparar com a irmã de pé, ele correu ao encontro dela.
- Cuidado - o médico advertiu. - O corte está cicatrizado porém é necessário amortecer os impactos na área afetada. Ou seja, nada que possa abrir os pontos.
- Me desculpe, doutor - Jimin respondeu. - E aí, como está se sentindo?
- Não sinto mais quase nada, só quando encostam com muita força. Esse mês no hospital foi uma bela de uma merda.
Eu não consegui evitar minha risada, que atraiu o olhar dela na minha direção, e seu sorriso cresceu.
- Que bom que vocês dois se acertaram - ela comentou. - Acho que nada poderia me deixar mais feliz.
Dito aquilo, um sentimento extremamente paranóico se apossou de mim, movendo meus pés sem que eu percebesse e indo ao encontro dela. A envolvi em um abraço apertado, mas tomando cuidado para que não a machucasse. As mãos dela pairavam sobre minhas costas a medida em que eu afundava minha cabeça no vão do pescoço dela, inalando o cheiro característico daquela região. Não disse nada, apenas senti o corpo dela contra o meu.
- Vai ficar tudo bem.
Na volta pra casa dos dois, pela primeira vez em muito tempo, houve conversa e risada dentro do carro. Eu me sentia dentro de um comercial de margarina - tinha ficado desacostumado com a leveza no ar do ambiente aonde eu estava. Ao chegar na casa, atravessei a porta como uma nova pessoa. As tristezas e mágoas agora eram águas passadas. Eu tinha tudo o que precisava: o meu melhor amigo e a minha garota. Era como se aquele pesadelo finalmente tivesse acabado.
Tudo estava resolvido. Não havia nada que pudesse abalar aquele momento de felicidade plena.
Deixei meus sapatos na porta e segui para a cozinha, onde Jimin nos entregou duas latas de refrigerante bem gelado.
- O médico proibiu álcool durante algum tempo - ele esclareceu. - Mas Sprite é muito gostoso.
(s/n) concordou e abriu a latinha, fazendo aquele delicioso barulho de gás. Levei o líquido até a minha boca saboreando o gosto afetado pelo gelo.
Depois de mais uma hora de conversa, Jimin decidiu ir dormir.
- Vocês devem estar querendo ficar sozinhos. - Ele parecia bem sem graça. - Eu vou dormir.
E assim ele se foi, subindo as escadas e desaparecendo em seguida. Ficamos nós dois na cozinha, continuando a tomar nossos refrigerantes.
- E então? - Ela perguntou.
- O que foi?
- Alguma coisa de interessante aconteceu nesse mês em que estive fora?
- Não, pra ser completamente sincero, foi o mês mais chato da minha vida.
- Nossa, que exagero.
- Tô falando sério. Foi uma porra.
- Ok, mas agora eu voltei. - Ela fez uma careta. - Remendada, mas voltei.
- Ainda bem.
(s/n) sorriu, caminhando na minha direção, pegando na minha mão e me arrastando até a escada. Subimos e fomos em direção ao quarto dela. O lugar estava lotado de flores e balões, também de cartões de "melhore logo" e "volte para nós". Alguns ursos de pelúcia pairavam sobre a cabeceira.
- Você ganhou muitos admiradores secretos nesse tempo - brinquei enquanto segurava uma pelúcia.
- É, parece que sim. Espero que a escola não resolva prestar uma homenagem ou algo do tipo.
- Por que? Qual é o problema?
- Não ia me sentir confortável. Areum também passou por aquela situação. Sabe-se lá como ela está encarando essa situação.
- Pode ficar tranquila. Ela, Yoongi e Haera estão passando férias na Tailândia.
- Mesmo assim, eu... Sei lá. - Ela deu de ombros. - Não sei de nada.
Eu a puxei pelas mãos na minha direção, tirando as mechas de cabelo que caíam sobre o rosto dela.
- Eu posso ver? - Ela soube imediatamente sobre o que eu estava me referindo.
- Tem certeza que quer ver? Não é bonito.
- Tenho certeza.
Ela assentiu e desceu as mãos para a barra da camisa, levantando-a parcialmente até a altura do sutiã, revelando uma cicatriz logo em cima do umbigo, vermelha e em processo de cicatrização. Tinha mais ou menos uns cinco centímetros e estava com dez pontos.
- Pode encostar se quiser.
Passei o dedo levemente sobre a superfície e a garota teve um calafrio.
- Dói? - Perguntei preocupado.
- Não, só é estranho.
Segurei a cintura dela e depositei meus lábios sobre a cicatriz. Ela abaixou a blusa e me abraçou, sentando-se em meu colo.
- Foi horrível - ela disse ainda agarrada comigo. - Eu achei que ia morrer.
- Já passou, (s/a). Não vai acontecer de novo. Pode acreditar.
Ela afundou a cabeça em meu pescoço. Eu a segurei com um pouco mais de força.
- Tenho uma surpresa pra você.
A garota se afastou, me encarando nos olhos com uma exímia curiosidade.
- O que é?
Enfiei com dificuldade a mão dentro do bolso e tirei dois papéis coloridos e grandes. Ela demorou um pouco para reconhecer.
- Eu achei que seria uma boa ideia.
Ela ainda olhava com um sorriso para os dois ingressos para o baile de formatura.
- Quer dizer, se você não quiser ir eu vou entender. Dá pra arranjar uma grana vendendo.
- Que vender o cacete. - Ela pegou os ingressos da minha mão. - Eu vou.
- Já melhorou, é? Já tá toda agressiva.
Ela me calou juntando nossos lábios em um beijo calmo, porém intenso e coordenado. Já fazia bastante tempo, mas eu sabia que teria que esperar para fazer algo a mais. Não tinha problema, ela estava ali na minha frente e eu tinha todo o tempo do mundo.
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Playing With Fire
FanfictionNa qual você é a irmã mais nova de Park Jimin e se envolve carnal e romanticamente com Jeon Jungkook em segredo. "Se pudéssemos escolher por quem iriamos nos apaixonar, talvez as coisas fossem diferentes. Mas desde a época dos gregos antigos, todos...
