- Céus! Iyan... - falei abaixando o meu pé.
Ele me olhou curioso esperando uma resposta.
- Calma... - falou se abaixando segurando meu pé e colocando ele novamente em cima de meu colo.
A vergonha me tomou novamente.
Ele segurava uma pequena mala em suas mãos, e a abrindo tirou um algodão e ferramentas de primeiro socorros.
* Não é possível... ele realmente está prestes a cuidar do meu corte no pé?!* pensei surpresa.
- Vo-você por acaso tem complexo de personalidade? É bipolar? - perguntei.
- Hã? - ele parecia concentrado.
Suspirei profundamente e apenas continuei a observa-lo, lembrando-me da cena de manhã novamente tentava me concentrar para não parecer tão nervosa e com vergonha.
Seus cabelos escuros e lisos caíam bagunçadamente sobre sua testa por cima dos óculos escuro, sem chance alguma de me deixar ver melhor a sua face.
Ele era tão misterioso, haviam tantas perguntas soltas *Por que chorou quando cantei, por que usa esse óculos escuros?, porque me trata indiferente e depois bem?* Quando eu já prestes a soltar tudo ele falou.
- Essa musica... - Dirigiu seu olhar pra mim.
- Hum? - levantei a cabeça rapidamente desviando seu olhar do meu campo de seu visão.
- A música que você estava cantando... você tem um bom gosto.
* Iyan está mesmo tentando conversar comigo...* pensei em choque.
- Si-sim, eu gosto de Evanescence... - Falei.
- É... Não que eu goste dessa música... quer dizer, ela é boa e...
- Ham? - Perguntei confusa. - Você não gosta, ou gosta?
- Não, não gosto. Mas não é ruim. - Respondeu friamente.
- Eu realmente não entendi...
- Aqui... você pode usá-las. - ele falou colocando um par de sandálias ao meu lado. - Acho que vai servir. - falou se sentando ao meu lado.
- Obrigada. - pausei. - Eu acho...
Vi um pequeno sorriso se formar em seu rosto e logo em seguida se desfazendo.
As sandálias eram baixas de cor clara, na verdade não tinha uma cor, eram transparente e com apenas três pedrinhas brilhantes do lado.
- São lindas... - Falei.
Coloquei elas no pés e olhei de canto, ele apenas olhava para frente e aquele silêncio se formou entre nós. Um, dois... quatro, cinco minutos e já estava dando nos nervos, afinal ele queria alguma coisa ali comigo? Suspirei levemente e comecei a cantarolar a mesma música bem baixinho até que ele falou de repente.
- Em que ano nós estamos?
- Hum? Estamos em 2392... - Respondi confusa.
- Menos 600 é... - ele pausou. - 1780! Esse é o ano que a banda dessa música estreou seu primeiro e último álbum... - Ele falou olhando pra cima.
- Ah, sim, é verdade...
- Já fazem mais de 600 anos... - ele falou olhando para os meus pés, quer dizer, para as sandálias. - Me pergunto como as pessoas ainda escutam essas músicas.
- Elas são boas... Todas elas são! Vocês até tocaram uma delas naquele dia que...
- Naquele dia em que você entrou no corredor errado e invadiu nosso show?
- É... - Forcei um sorriso... - Mas vocês tocaram.
- Se as pessoas gostam, nós tocamos. - ele falou se levantando.
- Eu não entendo você... - falei me levantando também.
- E deveria me entender?
Aquele tom de indiferença nele havia voltado novamente e todas as minhas perguntas em minha cabeça também, eu já estava prestes a perguntar todas as minhas indagações e interrogações daquele cara, começando por...
- Por quê...
- Hã? - falou se abaixando um pouco em minha altura.
- Por quê você chorou quando eu cantei? -Falei o pegando de surpresa.
- Por quê? - ele se virou de costas. - Por quê eu vou falar isso para você? - ele colocou as mãos no bolso. - É só que essa música me lembra uma história triste.
Eu não perdi tempo nem oportunidade de saber alguma coisa e falei diretamente sobre meus interesses.
- Uma história de uma amante morta que nunca renasceu? - Fui direta e ele confuso se virou para mim.
*Se ele soubesse de alguma coisa... ali era minha pista para saber se o cara dos meus sonhos existe.* Pensei.
- Do que você... - ele pausou. - Tá falando?
- Não... é que.. - O encarei.
- Iyan? - Alguém novamente apareceu do nada. Eu estava quase me acostumando com isso.
- Charrice?
- Nós estamos atrasados! - Ela falou se aproximando de nós e olhando para os meu pés. - Eu falei para você que eles decidiram aquilo para hoje! - Ela falou e eu permanecia calada tentando entender.
- Desculpe Hanna... - Len falou aparecendo em minha frente de repente, como sempre.
- Ai meu deus Len! - falei me afastando pelo susto.
- Eu disse que voltaria ao anoitecer mas, já estou de saída novamente. - Len falou também encarando meus pés.
- Eh, alguma coisa errada com os meus... - tentei falar mas fui interrompida.
- Vamos? - Cold falou aparecendo também. - Isso é para hoje, sabe?
- Desculpa Hanna... nos vemos mais tarde! - Charrice falou sumindo e logo em seguida Cold, Len e Iyan que antes de ir me encarou sério.
...
CONTINUA?
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Pôr da Lua
VampirosDesejos proibidos... uma doce perdição? Inocente e pura até conhece-lo em seus sonhos, Hanna Beckier foi fisgada pela lua dos olhos do rapaz que via em seus sonhos. Dormir era seu hobbie preferido até decidir procura-lo no mundo real de todos os me...
