É desafiador pensar no poderio da mente humana, ela adora nos pregar peças, quando damos vazão à certos tipos de pensamentos. Eles criam vida própria e quando percebemos, a proporção do assunto ou situação já fugiu do nosso controle, tornando -se real ou maior do que realmente era até então.
Cara leitora/o jamais subestime a capacidade que você possui de criar e recriar situações, quando algo nos incomoda ou nos fascina, a realidade é criada e recriada por nós centenas de vezes. Fatos passam a existir, somos capazes de sentir e ouvir exatamente aquilo que queremos, mesmo sem que nada tenha de fato jamais acontecido.
Tudo passa a existir de uma forma tão real que somos capazes de acusamos, nos ferir, mal dizer e acreditamos cegamente no que criamos dentro de nós. Situações ou palavras aconteceram e sem que absolutamente nada, possa ter acontecido verdadeiramente. Isso é devastador, você já passou por isso?
Criamos essas armadilhas mentais por defesa, ódio, raiva, amor, desamor ou por ego. Construímos uma narrativa necessária para sustentar nossa psique. E olha, de verdade, a mente humana é um baú de possibilidades, não brinque com ela!
É madrugada o sono parece ter me abandonado, talvez alimentado pela ansiedade que tomou conta de mim mantendo-me acordada além do necessário. O silêncio da noite reverberaram as palavras que como num passe de mágica, passaram a ecoar na minha cabeça, deixando-me inquieta. Passei a madrugada inteira acompanhando segundo a segundo o ponteiro do relógio que parecia mover-se em câmera lenta. O tempo havia parado diante de mim.
O Rodrigo havia escolhido um tom formal demais para me passar algumas simples informações, fiquei sem entender direito aquele tom? Porém respeitosamente, ouvi cada palavra dita e acabei assim, transbordando em perguntas e viajando em meus milhares de porquês.
Acredito que o pai da psicanalise tenha uma resposta coerente do porque a figura do irmão(ã) mais velho, possui o dom de nos irritar e irritar num grau inimaginável? Eles despertam em nós sentimentos guardados nas camadas mais profundas de nós, lá em algum lugar do nosso inconsciente, onde jamais pensávamos existir!
Perguntava-me se existia em mim tamanha paciência? Será que serei capaz de permitir que meu irmão, de certa forma, participe da minha vida tão ativamente? Uma figura que é tão distante da minha vida, somos praticamente dois estranhos que possuem um parentesco. Tosco demais pensar uma coisa dessas do seu próprio irmão?
Não me recordo de em nenhum outro momento da minha vida e da minha relação com o meu irmão de termos trocados mais que meia dúzia de palavras acerca da minha vida. E agora estava diante de uma oferta de trabalho vinda dele. Ao aceitar sua proposta, passarei a ser observada, tendo minhas ações e atitudes de certa forma, julgadas por ele e o pior de tudo, embasadas em sua crença superficial e equivocadamente formulada sobre mim, sua irmã, que para ambos eram dois estranhos. Mais cá entre nós, um clássico na maioria das famílias, pois não somos próximos, o estranho caso de duas pessoas que moram na mesma casa e não se conhecem. Será que suportarei isso tudo? Ser analisada pelo meu irmão mais velho, a cada passo, ação ou atitude minha?
Essa ideia angustiava-me a tal ponto de me fazer perder o sono, confesso! Ser vigiada não era a minha intenção, penso que é assim para a maioria das pessoas, embora existam aquelas que curtem uma observação alheia, uma atividade perigosa, se é que você me entende" voyeurismo". Mas não eu, que conste nos autos ao longo desta resenha.
Passei horas rolando na cama de um lado para o outro, pensando em uma série de conjecturas que talvez jamais aconteceriam. Olha os caminhos sem volta que a nossa mente nos oferece. Decidi focar meus pensamentos em algo que me levasse a adormecer, então passei a contar bocas, tenho verdadeiro fetiche por elas.
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Vidas pra Contar
RomanceDilemas, sentimento, escolhas e consequências. Um marido capaz de tudo para manter a sua família. Heloísa e Fernanda duas mulheres fortes e empoderas, porém cheias de traumas e perdas, terão coragem de romper com os padrões e viver este amor. Vidas...
