Terminamos de jantar e eu permaneci sentada no sofá da sala a espera de qualquer justificativa dela que desconstruíssem todos os pensamentos que passaram a povoar a minha mente. Ela na cozinha terminou de lavar a louca e após foi colocar as Meninas para dormir. Eu permaneci ali, sentada incrédula tentando compreender o que estava acontecendo diante de mim. Perdi a noção do tempo e sentada fiquei, minha cabeça rodava, rodava mais que disco de vinil da vitrola. Adormeci no sofá sem coragem de ir para cama. A Helô havia se transformado em uma estranha, eu me sentia uma hospede indesejada naquele apartamento. E será que eu estou criando coisas que não existem?
Acordei e para variar não havia mais ninguém em casa, eu chorei, chorei sem entender o que estava acontecendo, o que eu havia feito para estar naquela condição, naquele lugar como se nada fosse. Eu lamentei profundamente a atitude da Helô e havia tomado uma decisão, iria passar o fim de semana na casa da minha mãe, eu não ficaria em casa jogada e sozinha como se nada fosse. Eu não iria mesmo e assim que a Helô chegasse pediria a ela que me levasse à minha mãe.
Assim que a Helô e as Meninas chegaram eu estava com a minha mochila pronta e sentada no sofá, pronta para comunicar a minha decisão. Assim que ela abriu a porta disse:
- Nossa, boa tarde! Onde você vai? que mochila é essa ai do seu lado?
- Bom eu não quero atrapalhar o passeio de vocês amanhã. Será que você poderia me levar para a casa da minha mãe? Ficarei lá até domingo. Quando você vier da sua mãe você me pega. Assim vocês podem aproveitar o fim de semana de aniversário, sem preocupar-se comigo.
- Que drama em Fernanda, podemos fazer como você quiser. Iremos para a sua mãe agora mesmo.
- Drama? Em que momento você compartilhou comigo esse passeio ou me convidado para ir com você? Você espera que eu me sinta como? Feliz, feliz pela sua indiferença e descaso comigo.
- Não comentei nada porque tinha certeza que você não iria e faria todo este drama. Mesmo porque minha irmã e mãe irão.
- Seria um bom momento para você sair do armário e me levar com você , seria o momento perfeito.
- Realmente você não está em seu juízo normal, você está depressiva e precisando de ajuda.
- Ajuda? Eu preciso de amor, preciso dos seus cuidados, preciso de você de volta. Volta para mim Helô.
- Pega suas coisas, você não esta bem e eu não estou com disposição de discutir com você. É melhor nem começar.
De mochila nas costas e muletas em punho, levantei numa carreira que eu nem acreditei ser capaz, abri a porta e desci as escadas rumo ao carro. Logo as Meninas vieram e entrei no carro não trocamos nenhuma palavra até a casa da minha mãe. As Meninas não paravam de falar e eu tentei ao máximo que elas não percebessem o que estava acontecendo. Quando a Helô parou o carro na frente do portão a Betina comentou
- Tia Fê o que você veio fazer na sua mãe?
- Eu irei dormir aqui dois dias, não quero ficar sozinha em casa, vocês terão um fim de semana agitado e eu não aguento mais ficar em casa.
- Hum, e porque você não vai com a gente no parque de diversões amanhã?
- Boa pergunta, pergunte a sua mãe. Acho que eu irei atrapalhar vocês. Imagine eu andando de muletas atrás de vocês.
-Eu iria adorar ter você com a gente. Comentou Clara.
- Acho melhor não. Espero vocês no domingo, venham me buscar depois da casa da vovó.
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Vidas pra Contar
RomanceDilemas, sentimento, escolhas e consequências. Um marido capaz de tudo para manter a sua família. Heloísa e Fernanda duas mulheres fortes e empoderas, porém cheias de traumas e perdas, terão coragem de romper com os padrões e viver este amor. Vidas...
