Capitulo 16

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De volta a cada da minha mãe,  seria impossível não pensar nas palavras da Íla, ela estava me dando mole ou eu estava enganada? Cara leitora o que você acha? Minha mente sempre foi terra fértil, passei a divagar por esta possibilidade e ri da situação. Será que a vida estava novamente sorrindo para mim? Me oferecendo uma chance para sair desse fundo do poço? Será que eu estava pronta para viver uma nova história? Envolver-me emocionalmente com alguém?

Eu realmente não me sentia em condições de nada, mas será que minha percepção sobre ela  estava errada? Era melhor eu ter certeza antes de nutrir qualquer coisa sobre isso. Meus dias aos poucos ganhavam  um novo sentido, completamente diferentes da vida que eu estava vivendo nos últimos meses, exilada no meu quarto.

Em casa passei a me ocupar com as tarefas do cotidiano qualquer coisa seria melhor do que ficar deitada naquela cama, lavar louça, varrer a casa. Pedi ao meu padrasto que me deixasse cuidar dos passarinhos, ele tinha quase umas quinze gaiolas e eu passava uma boa parte do meu dia me dedicando a esta tarefa. Isso me garantia  aos poucos permanecer de pé, melhorando minha marcha e confiando novamente no meu pé. As tarefas cotidianas me faziam subir e descer escada, me apresentavam aos poucos as situações reais do dia a dia que eu precisava reaprender.

A segunda semana de fisioterapia foi marcada pela nova série de exercício que eram muito mais intensas, as fisioterapeutas agregaram alongamentos e exercícios de equilíbrio e força, o que me causaram dor em alguns momentos, elas estavam pegando pesado mesmo. Aquele marasmo havia ficado para trás. Eu passei a sair bem dolorida das minhas sessões de fisioterapia e a minha fisioterapeuta predileta havia desaparecido, senti sua falta.

A sala da Ìla ficava em um mezanino no segundo andar da clínica e tinha uma parede de vidro voltada para o espaço da clínica,  que permitia ver todas as salas de exercícios do alto. As salas tinhas divisórias entre elas, porém não tinha teto. Naquela semana não a vi na clínica, senti sua ausência, já que havíamos tido aquele diálogo interessante na semana anterior.  

Ela raramente  participava das sessões de reabilitação dos pacientes, geralmente ela passava pelos espaços e  conversava com um ou outro paciente, orientava os fisioterapeutas, mas atender realmente nunca a vi.  O Rodrigo me disse que ela prestava assessoria para alguns clubes na área esportiva. A moça não era qualquer coisa não. Confesso que estava ansiosa para saber qual seria o momento que ela iria me atende e se este momento aconteceria. Eu aguardava ansiosamente.  

As semanas passaram e eu estava concluindo o primeiro mês de fisioterapia, e para a minha surpresa a Íla foi quem me recebeu  naquela tarde ao chegar na clinica. Meus avanços eram visíveis, meu caminhar estava mais firme e meus movimentos do tornozelos estavam quase que reestabelecidos. Ao me aproximar ele disse:

- Boa Tarde Fernanda, que satisfação te ver assim, sabia! Caminhando de forma segura, sua marcha está firme, temos ainda pequenas intercorrências,  muito mais muscular do que articular.  Acredito que já podemos aposentar esta bengala. O que você acha?

- Eu me sinto muito bem e estou certa de que podemos aposentar sim essa bengala horrorosa. Você acredita que já voltei a dirigir?

- Quem autorizou a senhora a dirigir?

- Minha necessidade de voltar a vida! Não aguentava mais atrapalhar o Rodrigo e a minha mãe, fazendo com eles viessem me trazer. Dependência não é comigo.  

- Excelente razão, justificativa aceita e apoiada.  Percebi que a senhora chegou sozinha, iria te perguntar porque, mas você já me respondeu. Vamos a nossas ultimas sessões. De agora em diante a senhora fará seus exercícios em casa, irei te passar uma série de exercícios e nos veremos de agora em diante uma vez por semana. Você tem total condição física e técnica de excitar-se em casa.

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