Capitulo 2

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Acordei às seis horas, tomei um banho rápido, me arrumei, coloquei um par de tênis, jeans e uma camiseta e saí, sem nem tomar café, não queria me atrasar no primeiro dia de trabalho. Deixei a Selma dormindo e saí na ponta dos pés.  Chegando na Escolinha a dona Cícera estava fazendo a entrada das crianças, deixei minha mochila no lado de dentro do balcão da secretaria e fui ajudá-la.

As crianças eram um misto de animação e choro, algumas assumem o controle da mochila e entram na maior festa, outras grudam na pernas das mães e não querem entrar. Quando estávamos perto de fechar o portão um carro cinza parou a nossa frente e lá estava era a Heloísa. A dona Cícera prontamente abriu o porta malas do carro, pegou algumas sacolas de supermercado, eu fui ajudar a Heloísa que abriu a porta de trás do carro e eu pensei que haviam mais sacolas, porém quando olho no banco do carro, duas garotinhas sentas me olhavam surpresas, percebi que eram os dois raios em forma de gente que haviam passado por mim ontem, elas estavam sentadinhas a espera da porta ser aberta, eu tomei um susto quando as vi. A Heloísa deu a volta e começou a soltar os cintos.

A primeira a descer foi a loira de olhos verdes que falava muito, feito uma tagarela, rapidamente soltou-se dos cintos e passou correndo pelo portão, enquanto a outra, a morena de olhos de jabuticabas, toda manhosa pediu a mãe que a pegasse no colo. Eu na calçada esperava calmamente aquele ritual, peguei as mochilas e os brinquedos e entramos. A Heloísa me olhou dizendo:

_ Bom dia Fernanda, estás são minhas duas filhas Betina e Clara, são meus tesouros. Você está surpresa? O Rodrigo não te disse que eu tinha duas filhas e que elas estudavam aqui?

_ Dona Heloísa o Rodrigo só me disse dos problemas que a senhora estava tendo com as secretárias e que vocês eram muito amigos. Somente isso, não entrou em maiores detalhes.

_ Bom, então para começar, você pode me chamar de Helô, aqui todos me chamam assim. Acho essas formalidades desnecessárias no ambiente de trabalho.

_ Esta bem então, Helô! A propósito suas filhas são lindas, a Clara é sua versão miniatura.

_ É verdade, ela se parece muito comigo e a Betina lembra o Pai.

_ Engraçado isso,  interessante essa mistura da gente nos nosso filhos.

_ Pois é, com o tempo você irá perceber que essa questão física não é bem assim. Bom, antes de começar a tralhar, vamos tomar café, sempre que tenho que vir muito cedo para cá, trago pão quentinho e o dia só começa depois de tomar café. Podemos?

_ Claro, quem sou eu para mudar sua rotina. Preciso me adaptar  e aprender com vocês.

Com o saco de pão em mãos ela foi em direção à parte de trás da casa, onde ficava a cozinha e refeitório. Eu caminhava atrás dela tentando entender aquele comportamento. No caminho a Helô foi passando de sala em sala, falando com as professoras, a dona Rita já havia colocado água para fazer café e passamos a conversar tranquilamente sentadas na mesa da cozinha. Foi quando resolvi fazer algumas perguntas e disse:

- Helô, posso fazer-lhe algumas perguntas?

_ Claro, pode sim!

_ Me fala um pouco de você. Porque você resolveu abrir uma escolinha?

_ Boa pergunta Fernanda. Sou professora de formação e a Educação sempre foi uma paixão, quando engravidei da Betina no quinto mês de gravidez me exonerei do meu cargo de professora nas redes municipal e estadual de educação. Fiquei tão encantada com a maternidade que não via mais nada, meu mundo resumia-se em meu bebê e nada mais parecia importar. Eu engordei quase vinte quilos. Você consegue imaginar isso?

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