Capítulo 18

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   Depois do almoço, fui para a estufa. Wallace iria me levar para passear daqui a pouco, e eu queria relaxar antes disso.
   No fundo, eu não queria sair. Só de pensar que tem uma equipe da máfia atrás de mim, eu fico a ponto de chorar.
   Me deitei no centro da estufa e olhei para o teto de vidro. Era tão limpo que não ofuscava a beleza do céu lá fora.  Fechei meus olhos e o cheiro de rosas me fez acreditar que eu estava em casa.
—Emma?— a voz de Alexander me fez abrir os olhos e sentar.

   Ele estava na porta, olhando para mim de forma curiosa.
— Que faz aqui?— perguntou
— Eu...eu precisava pensar.— disse
— Ah.— assentiu

   Ele entrou na estufa, pegou uma rosa vermelha e levou até seu rosto para sentir seu aroma. Suspirei com aquela cena. Ele era tão lindo.
— O perfume delas te fazem relaxar, não?— ele deixou a rosa sobre uma mesa e olhou para mim.
— Sim.— me pus de pé e esfreguei as mãos no vestido de forma nervosa.— Hã, eu ouvi você e Wallace conversando hoje.

   Ele não expressou nada. Apenas continuou me olhando, como se tentasse me decifrar.
— Desculpe pelo o que ele disse.— pedi, e ele franziu o cenho— Quer dizer, não tinha motivo. Não tem motivo. Você... você nos deixa namorar. Nos deixa sair e tudo o mais. É claro que não tem motivo para ele ter ciúme. Pra mim, isso se chama desinteresse.

   Alexander piscou, deu um sorriso rápido, pegou uma flor vermelha e caminhou até mim. Seus olhos pareciam ver minha alma, e eu senti meu coração dançar no peito.
   Ele pôs a flor presa na minha orelha e sorriu.
— Para mim, isso se chama recuar em batalha.— disse ele.

   Com um último olhar, ele se foi. Me deixando sozinha na estufa.
   Fiquei parada, completamente aturdida, vendo que a barreira que construía com Wallace, se quebrava quando chegava perto de Alexander.

   Cheguei meio lerda ao lado de fora, Wallace me esperava encostado na sua moto, sorrindo.
— Oi?— ele perdeu o sorriso. Esticou a mão e tocou na flor presa em minha orelha— Tava na estufa?
— Sim.— assenti e suspirei
—Ah. Vamos passear?
— Vamos.— sorri, e dei um beijo profundo nele.

   Wallace correspondeu, parecendo surpreso.
— Eu gosto de você.— sussurrei entre o beijo— Muito.

   Ele me olhou e sorriu.
— Eu também.— ele sussurrou
— Vamos passear?
— Vou apenas pegar o capacete. Já volto— ele correu para os fundos da mansão.

    Tirei a flor da orelha e a fitei. Ela parecia com o gira sol, mas era vermelha. Eu não iria pedir nada, e nem me culpar por pensar em Alexander.  Eu estava confusa, estava preocupada e estava quase pirando. Eu gostava dos dois! Dos dois de forma diferente! Queria Alexander mas não queria deixar Wallace. Gostava de Wallace, e de Alexander. Ah, meu Deus!
   Olhei para o céu, como se fosse possível haver alguma resposta.
— Senhorita Emma?— uma voz grave me despertou

   Olhei para o lado, vendo um segurança moreno me olhando.
— Está tudo bem?— perguntou ele
— Oh. Sim. Só estou esperando Wallace...
— Ah, claro. Eu vi a senhorita olhar para céu, achei que estava passando mal.
— Ah, não. Estou bem.— sorri
— Certo.— ele assentiu e seguiu seu caminho

   Eu ficava lisonjeada com o carinho que recebia de todos.
  Mas, deixando isso de lado, Wallace estava demorando.
   Decidi deixar meu lugar e ir atrás dele até os fundos; não avistei nada, mas bastou perguntar a um segurança para saber que os artigos de moto estavam no depósito. Ou seja, Wallace deveria estar lá. Segui meu caminho tranquilamente, mas não cheguei a entrar no depósito.
  Não. Não entrei. O som de uma discussão me fez parar e apenas ouvir.
— Eu só quero saber.— disse Wallace—sabe que me importo! Como ele está?
— Está bem.— Era a voz de Cassandra
— Ele pergunta por mim, não é?
— Você não é pai dele!
— Mas ele queria que fosse! E eu também queria!
— Já disse que não! Pelo amor de Deus. Você prometeu deixar isso pra lá!
— Eu tô tentando, Cassandra— Wallace parecia desesperado— juro que estou!
— Você está namorando com Emma. Sentiu ciúmes dela. Está seguindo. Então pare com isso!
— Não senti ciúmes. Só não queria que Alexander tirasse minha única oportunidade de esquecer você. Mas sabe que não é fácil. Eu ainda te amo! Eu não consigo gostar da Emma.

   Meu coração doeu. Meu ar se foi e as lágrimas vieram automaticamente.
— Não diga isso!— Cassandra mandou
— Eu amo você! Só você! Quando vai ver isso?!— Wallace quase gritou
— Tente ficar com ela...
— Ela é uma garota incrível. Mas não pra mim.

   Chega!
  Saí andando meio zonza. Senti meu coração murchar, e a sensação de vergonha me atingir. Corri para o portão da frente e sem me importar com as vozes chamando o meu nome, eu saí da mansão; correndo feito uma louca.

    Não esperava por isso. Não esperava mesmo.
   Sentada na calçada de uma rua qualquer, eu me via surpresa com a sensação de mágoa que estava em mim. Não esperava sentir essa dor e esse descontentamento.
  Eu gostava de Wallace, o suficiente para ser magoada por ele. E ele não gostava de mim, gostava de Cassandra. Estava querendo esquecer ela comigo.
   Comecei a chorar. Seria o destino me dando de volta aquilo que eu estava fazendo?

   Parei de chorar quando notei o raio de sol laranja atingir minha perna. O brilho laranja vivo fez meu coração saltar dentro do peito.
  Por do sol. Noite. Escuro.
   Eu estou sozinha. Eu saí de casa. Eu estou sozinha longe da segurança da mansão com um mafioso atrás de mim???
  Alexander vai me matar!
   Fiquei de pé e olhei para os lados. A rua estava vazia, apenas com os moradores entrando e saindo de suas residências. Eu me pus a andar pelo caminho que vim, e tive que xingar quando notei o quanto havia me distanciado.
  Sério, Emma, às vezes você é muito dramática!!

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