Capítulo dedicado a LaisBohrer.
Obrigada pelo carinho <3
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Eu apenas fico lá, sentado ao seu lado, segurando sua mão. Como se isso pudesse fazer alguma diferença.
A sensação é estranhamente familiar, como se eu a sentisse indo embora, escorrendo por entre os meus dedos, a única diferença é que ela não está coberta de sangue.
Está pálida, e gélida. Seus pulsos estão descobertos e posso ver as cicatrizes. A pele rasgada, agora em um tom rosa claro.
Há vários acessos em seus braços.
Sinto seus dedos apertarem os meus, e meu coração se conforta em saber que ela sabe que eu estou aqui.
- Mia, você está acordada? – pergunto, em um tom ansioso demais.
- Não fique tão ansioso – diz uma enfermeira que acaba de entrar no quarto – ela vai acordar aos poucos.
- Mas ela está dormindo há um tempão – digo.
- O medicamento que ela tomou era muito forte e o efeito demora um pouco para passar – responde a enfermeira enquanto troca uma das bolsas de soro – não se preocupe, ela ficará bem.
Nesse momento meu pai entra no quarto.
- Como ela está? – ele pergunta.
- Oi pai, - cumprimento - a enfermeira disse que ela ficará bem – respondo.
A enfermeira acaba de trocar os soros, e sai.
- E como você está? – ele pergunta.
- Eu não sei – confesso – ás vezes penso que gostaria de encontra-la em uma situação diferente, pra variar.
- Talvez não devesse ter vindo – ele diz simplesmente.
- Não se preocupe comigo, eu estou bem – garanto- eu só precisava vê-la.
- Tudo bem então – ele diz – acho que vou deixa-los a sós, só por mais uns minutos.
- Eu preciso ir – digo para ninguém em especial – afinal hoje é o meu primeiro dia no emprego novo.
Ele assente, e eu o sigo até a saída.
Quando estamos saindo, ouço um barulho estranho vindo do quarto.
Uma enfermeira que vinha pelo corredor carregando uma bandeja de medicamentos, entra no quarto.
- O que está acontecendo? – meu pai pergunta, a seguindo.
O barulho fica cada vez mais alto, um pi...pi...pi frenético.
- Os batimentos... –a enfermeira diz – estão subindo muito rápido. – ela completa.
- Mia? – eu grito, tentando entrar no quarto.
- Tirem-o daqui – meu pai grita para alguém que está passando pelo corredor.
- Não – eu grito de volto – eu preciso vê-la.
Mas já estou sendo arrastado pelo corredor em direção a saída, e estou chorando.
- O que está acontecendo? – minha mãe pergunta ao me ver sendo arrastado.
- Me desculpe doutora, mas ele estava tentando entrar no quarto de uma paciente.
- O que houve, Dylan? – ela pergunta.
Eu não conseguia responder. Ela está morrendo, eu queria dizer mas as palavras não saiam da minha boca.
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Estilhaços - Repostando
Teen FictionMia é uma garota de 16 anos, cheia de traumas e problemas familiares. Sobrecarregada com obrigações que nem suas são, leva uma vida infeliz, sendo constantemente atormentada por demônios que parecem nunca ir embora. Em um ato de desespero Mia tenta...