Capítulo 15- Mia

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Estávamos caminhando de volta para casa, quando resolvi perguntar:

- Então – começo – quando vou conhecer a sua namorada?

Ele me olha de soslaio, como quem pergunta como é que eu sei disso.

- Ela não é minha namorada – ele responde. – E só uma amiga do trabalho, e... – ele faz uma pausa, como se estivesse pensando na palavra ou termo certo para dizer.

- Vocês estão saindo? Ficando? Se conhecendo melhor? – sugiro.

Ele me olha de lado, um tanto desconfortável.

Sei que estou sendo uma vadia egoísta com ele. Mas é o Dylan, e eu simplesmente não posso perdê-lo, mesmo que ele mereça coisa muito melhor que eu.

- É – ele diz – estamos saindo.

- Entendi – falo fingindo indiferença. Ele faz uma careta, e pega minha mão entrelaçando nossos dedos.

- Acho que sua namorada não vai gostar disso – provoco

- O nome dele é Danna, e ela não é minha namorada – ele fala, enfatizando a ultima parte.

- Só tive uma namorada – ele continua – e só durou algumas horas, mas foi o namoro mais incrível da minha vida.

Meu coração rebelde erra uma batida.

- Você não deveria falar essas coisas pra mim – sussurro.

Ele para me fazendo parar junto com ele. Sua mão toca meu queixo, forçando minha cabeça para cima ate meu olhar encontrar o dele.

- Porque não? – ele pergunta.

- Porque eu posso achar que é verdade – respondo.

- Mas é verdade – ele fala, e vejo que ele está magoado.

- Desculpa – eu digo, e começo a caminhar.

Ele não fala nada.

- Ela não gosta muito de você – ele fala.

- Quem? – pergunto confusa.

- A Danna – ele responde.

Solto uma risadinha.

- Elas nunca gostam – eu digo a ele.

Estamos em frente a casa dele, quando ele pergunta.

- Quer que eu te leve em casa?

Faço que não.

Ele assenti.

- Mia? – ele pergunta. – Está tudo bem?

Faço que sim.

- Eu estou aqui. – ele fala – Eu sempre estarei aqui.

- Eu sei – digo – e às vezes penso se não sou uma vadia egoísta por pedir que você continue esperando por alguém que nunca vai voltar. – Solto as palavras e corro em direção a minha casa.

Não espero por uma resposta e nem ouso olhar para trás.

Sinto meus olhos queimarem, meus pulsos latejam, e doem, e eu me recordo que não tinha feito os curativos hoje.

- Malditas cicatrizes – praguejo.

Subo as escadas correndo, enquanto procuro as chaves nos bolsos. Abro a porta, passo por ela e fecho-a tentando fazer o mínimo de barulho possível.

Encostei-me na porta e soltei um longo suspiro deixando as lágrimas correrem soltas pelo meu rosto. Quando, por fim, ouvi uma voz saindo do escuro.

- Achei que demoraria um pouco mais de tempo até você voltar a ser a vadiazinha que sempre foi – ele disse acendo a luz do abajur.

Will.

Não respondi.

- Não vai dizer nada? – perguntou. Ele estava sentando em uma das poltronas que havia na sala, as pernas dobradas, uma revista velha repousando sobre os joelhos.

- Não lhe devo satisfações – falei entre os dentes.

- Claro que deve – ele falou – essa casa é minha, e você precisa me dizer aonde vai, e com quem vai, sua piranha.

- Essa casa não é sua, e eu tão pouco tenho que lhe dizer aonde vou ou com quem – eu disse indo em direção as escadas.

- E Will – parei no primeiro degrau, meu coração batendo fortemente contra minhas costelas – se eu fosse você seria esperto e me trataria muito bem, afinal o seu amiguinho Carlos está sendo procurado, e não demorará muito até ser a sua vez.

Ouvi quando ele levantou-se da poltrona, deixando a revista cair com um baque surdo, na pressa de me pegar. Corri os últimos degraus da escada, e tranquei a porta do quarto. Ali me permitir chorar em paz.

Um misto de alegria, dor, medo, e desapontamento.

*********

Odiava me sentir da forma como estava me sentindo. Tão fraca e vulnerável. Com um turbilhão de sentimentos tomando conta de mim.

Não parecia ser eu.

Tomei um banho, vesti um dos meus velhos e confortáveis pijamas de flanela, enfaixei ou pulsos, tomei os meus remédios, a dose recomendada que estava sobre a mesinha, coloquei os fones de ouvidos, e me deitei.

Tentava de todas as formas ignorar o fato que amanha seria o meu primeiro dia de volta a escola, depois de tanto tempo longe. Levantei-me, me apoiando nos cotovelos e olhei para a pilha de livros e materiais escolares que estava na poltrona do quarto, e isso incluía uma mochila nova e cadernos com capas coloridas e brilhantes. Cai de volta da cama, e busquei outros fatos para ignorar. Como a dor irritante nos meus punhos, o fato de que eu havia perdido o meu livro durante o meu encontro/passeio com o Dylan, e o mais importante, meu curto encontro com o desgraçado do meu padrasto.

E foi tendo em mente esse ultimo ponto que adormeci.

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⏰ Última atualização: Jul 22, 2022 ⏰

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