Capítulo 15

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O almoço foi silencioso. Uma garfada e uma troca de olhares entre eu e o Luke, entre o Luke e o Rei. Minha mãe me olhava com olhos de misericórdia, deveria estar pensando na "enxaqueca" terrível que eu estava.
-Ahh, esse almoço está divino! Leandra se superou na cozinha dessa vez.
-Preciso concordar! - O rei de Lagunno confirmou.- Onde está Charles? Eu não gostaria de ir embora sem agradecer à ele antes, mesmo que sejam alguns dias fora.
-Ele está resolvendo alguma coisa com os ministros, ele está pilhado, mal dormimos juntos mais. Mas não se preocupe, eu mandarei recado para ele.- Minha mãe sorriu.
-Acho que não vou conseguir me despedir dele também.- Luke disse.

Luke ia embora? Um pedaço de salmão ou de qualquer outra coisa que tinha comido naquele prato tinha voltado; meu apetite tinha voado pela janela feito as borboletas do meu estômago.
***

Luke
Assim que eu cheguei no palácio, fui ao meu quarto, enquanto repassava as cenas da noite anterior, várias coisas vieram à tona, até que (graças a Deus, ou não), Kyll, meu melhor amigo me mandou mensagem.

Kyll: Já está casado? HAHAH!

Luke: Não... Pelo menos não por enquanto, preciso arejar minha cabeça, irmão.

Kyll: Vem pra Lagunno por alguns dias pelo menos! Da um tempo dessa mocinha aí, se bem que vi umas fotos dela, não parece ser pouca coisa.

Luke: Acho que vou hoje a noite mesmo irmão, meu pai vai e vou acompanhar ele.

Kyll: Vou avisar aquelas duas loiras que conhecemos na última festa que fomos juntos.

Eu não fazia ideia de quem ele estava falando. Kyll sempre foi pior que eu, por ser filho do braço direito do meu pai, crescemos juntos, desde carrinhos até as moças mais bonitas da cidade. E eu sabia que precisava desse tempo com ele, até porque, uma pessoa que não deveria estava tomando meus pensamentos no momento.
Quando disse no almoço que iria embora por alguns dias, Catarina ficou sem cor, e olhou pra mim. Deus, por que ela tinha que me olhar exatamente como olhou na noite anterior?
***
Estava no meu quarto, terminando de arrumar minhas malas, quando escuto alguém bater na porta.
Que não seja ela
Que não seja ela
Que não seja ela
Que não seja ela

-Podemos conversar?- Catarina disse abrindo a porta, ela usava um robe longo azul, diferente de ontem.
Se eu pudesse pedir algo à Deus naquele momento seria para tirar aquela noite da minha cabeça.
  Mas eu sabia de tudo que tinha acontecido, não era fácil de esquecer.
-Claro, entre.
-Já está arrumando suas coisas né? Poderia esperar até amanhã...-Resmungou ajeitando o rabo de cavalo.
-Eu tenho uns compromissos por lá, mas daqui uns dias eu volto.- Disse pensando sobre as duas semanas que meu pai tinha me dado para me casar, mas no momento, eu só tinha treze dias, TREZE DIAS.
  O silêncio era estanho. Era mais estranho ainda ver ela sem falar ou resmungar alguma coisa, até a voz dela fazia falta nessas ocasiões.
-Luke... Eu preciso saber.
-Saber o que?- Terminei de fechar minha mala.
-Sobre ontem a noite, depois que pegamos a chave do quarto, o... o que aconteceu?- Ela sentou na cama.
  -Você não se lembra?- Parei o que estava fazendo pra olhar pra ela.
-Não lembro! Por isso não soube como falar com você hoje! Nós...Nós...Você sabe?
-Deus...-Disse chegando mais perto e deixando o rosto dela entre minhas mãos, repeti o processo da noite anterior e pelo visto, ela se lembrou.

Prometida - I (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora