Capítulo 20

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Catarina.

Acordei sem saber ao certo onde estava. Abri os olhos e só algumas lembranças vieram à tona. É um hospital?!
Tentei tirar a máscara de oxigênio, ao contrário do papel dela, ela estava me sufocando. Senti algumas pontadas no meu estômago; mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ouvi a porta abrindo.
-Olha só quem acordou!- Uma enfermeira entrou no quarto e posicionou o aparelho para medir pressão no meu braço direito.
-O que?!- Ouvi uma voz rouca e bem sonolenta do outro lado da sala, próximo ao sofá de acompanhante.

E eu sabia quem era: Luke.

-Graças a Deus!- Ele disse debruçando na cama.- Como você está?
-Bem...Acho que bem!- Sorri fraco.
-É... Todos os dias que você esteve aqui ele estava também.- A enfermeira disse colocando novos medicamentos.- Qualquer respirada sua que fosse diferente e ele voava para a sua cama.
-É verdade, Luke?- Perguntei.
-Talvez seja.
-Bom, parece que está tudo bem, assim que der você recebe alta, o remédio já vai começar a fazer efeito. Imagino que vocês estejam cansados de ficar aqui.- Ela disse.
-Na verdade eu não senti nada.
-O que? Foram os três dias mais longos da minha vida!- Ele disse rindo.- Meu anjo, você não tem o direito de sentir sono pelos próximos seis dias.
Sorri. Mas estranhei pela forma que ele tinha me chamado. "Meu anjo". Era estranho, mas de uma forma boa. Ele estava um caco (só não pior que eu, Deus, eu fiquei sem ao menos lavar o cabelo por TRÊS DIAS, sinceramente não estava muito animada pra me olhar no espelho.). Mesmo um caco, continuava sendo ele, estava lindo, e seus olhos cansados mostravam toda a preocupação e o carinho que sentia.
Assim que a enfermeira saiu para contatar a família real (tanto de Hillíos quanto de Lagunno), Luke e eu ficamos conversando sobre como tudo aconteceu. Resumindo: o homem que atirou não tinha ligações concisas com os líderes rebeldes, era apenas um comparsa. Foi preso e seria investigado minuciosamente pra chegar até os líderes. Cheguei a comentar de poucas coisas que eu lembrava do dia da coletiva também. Ele também contou que quando soube do acidente, veio direto para Hillíos sem pensar duas vezes; achei lindo da parte dele ( e por isso, perdoado por não ter dado nenhum sinal de vida nos últimos dias.)
-Vou tomar um banho.- Ele disse enquanto ia em direção ao banheiro .- Qualquer coisa grita
-LUKE! ME AJUDA!- Gritei.
-Que foi?!- Ele voltou correndo- O QUE FOI?
-Brincadeirinha.- Comecei a rir. Coitado. Mas já me sentia ao menos melhor, o remédio realmente começou a fazer efeito.
-Sua....Sua...- Disse se recompondo.- Sorte sua que eu te amo.

Paralisei.

-Ama?
-Claro...É..Amigos fazem isso, certo? Amigos se amam Catarina..- Passou a mão no cabelo, parecia envergonhado.
-Claro que amam.

***
Dois dias depois e eu já estava pronta para ir para casa. Nunca gostei de hospitais, tudo parece tão... deprimente. Mas hoje era um dia feliz. Meus pais vieram até o hospital falar para alguns repórteres sobre o meu estado de saúde, e por incrível que pareça: estava tudo bem! Só deveria me manter em repouso por um tempo, nada que uns livros ou filmes para o Luke dormir não resolvam.
Fui muito bem recebida em casa pelos funcionários e principalmente por Olívia, que chorava horrores. Coitada, ela que manteve a ordem por aqui enquanto meus pais perderam a cabeça e eu quase... perdi a vida.

Os dias foram se passando e eu fui me recuperando, até estar 100%, se resumiu a bolinhos, relatórios das reuniões (já que grande parte delas eu não pude comparecer); filmes, filmes e filmes.
-Bom dia, filha.- Minha mãe disse entrando no quarto.- Como é bom te ver assim! De pé!
-Bom dia mãe.- Sorri. Realmente, a tempos que eu não descia ao menos para tomar café.
-Já vai descer? Eu te acompanho.- Ela estendeu a mão.
Assim que descemos, passamos em frente a sala de coletiva e uma lembrança veio à tona: a frase que o sujeito disse antes de atirar.

"Acabe com a monarquia e acabe com os problemas"

Assim que pudesse, falaria com o Luke sobre isso, sobre a ligação entre esse cara, o sujeito do teatro e principalmente sobre o Sr. Harold. Ele saberia o que fazer.
O café da manhã foi agradável, assim como a tarde. Solicitei a presença do príncipe assim que possível, para que pudéssemos conversar sobre aquele assunto.

-Entre!- Disse assim que ouvi as batidas na porta.
-Oi, Catarina!- Ele me abraçou.
-Onde estava?
-Reunião. Essa bolsa de bordo é pesada... Mas gosto de levar tudo aqui dentro.- Disse colocando a bolsa sobre a cama.
-Olha, Luke, eu preciso falar com você.
-Sobre o que?
-Eu não sei bem como te falar isso, é estranho.
-Fale!- Ele sorriu.
-Ahm, eu...eu...
-Você?
-É sobre o Harold, e....
-O que? Harold? Catarina eu preciso ler pra você em voz alta o que aquele cara colocou no jornal sobre nós dois? Sinceramente, eu entendo que vocês tinham um caso mas não acho que deveriam voltar assim... E outra... - Ele começou a metralhar palavras.
-Eu quero falar o que ele disse!
-Ele disse muitas coisas pra você, Catarina! Ele deveria gostar de você, mas não é um sujeito bom! Desde quando alguém "bom" coloca esse tipo de coisa no jornal?
-Saia.
-Como?
-Se retire do meu quarto, Luke! E fique mais calmo!

Abri a porta. Impossível manter um diálogo com ele nessas condições.

Ele saiu batendo pés e sussurrando alguma coisa, deixando tudo para trás, inclusive a bolsa. Joguei ela pro outro lado da cama, e uma folha caiu.

Era uma folha de receita médica.

Prometida - I (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora