Luke.
A noite passada tinha sido longa (de novo), depois de uma tarde na sala de reuniões, onde todos falavam sobre o novo sistema escolar, Kyll passou no palácio por volta das nove para festa.
Copos.
Cigarros.
Beijos entre conhecidos.
Beijos entre desconhecidos.
E música.
Estava encostado no bar com uma taça de Martini, e dezenas e dezenas de pessoas passavam por lá. Milhares de coisas passavam pela minha cabeça, inclusive como tinha passado tanto tempo da minha vida entre bares e beijos.
Até que vi uma moça de costas. Não era qualquer moça. As madeixas eram de Catarina, a silhueta também, era ela!
Fui até a suposta princesa e toquei em seu ombro. Uma mulher se virou, totalmente diferente dela, seus olhos eram negros e as sardas eram mais fortes. Com certeza não era ela.
-Me...Me desculpe!- Disse dando um passo pra trás.
-Não se desculpe, querido.- A mulher disse escorregando sua mão em meu rosto.- Sua taça está vazia, vamos encher?
Concordei atordoado.
-Não esperava ver o príncipe por aqui.- Ela disse.- Meu nome é Carina.
Ah, mas é claro!
Carina ficou falando da vida dela e eu fingi que ouvi. Depois que ela falou o nome dela, eu só conseguia lembrar de Catarina, o dia da festa, o beijo, o toque... Ri lembrando do fato de ela ter sido minha "namorada falsa".
-Ta rindo do que?- Ela perguntou com as mãos na cintura.
-Nada, Catarina. -Disse e logo depois tampei minha boca. Eu tinha dito Catarina mesmo?
Kyll apareceu atrás da moça. Salvo pelo gongo.
-Vejo que conseguiu superar a outra, Luke.
Fiquei quieto. Carina tinha um olhar de reprovação sobre mim como se estivesse dizendo "superou tanto que acabou de me chamar por outro nome".
Kyll percebeu o que tinha acontecido e puxou Carina para outro lugar, quem me dera se aquele fosse o nome falso dela e fosse herdeira de Hillíos.
Quando fomos embora, passou a me estranhar, disse que desde quando cheguei de Hillíos eu estava desanimado. Estava cheio de coisa na cabeça (o que não era 100% mentira, já que algo realmente preenchia minha cabeça, mas com certeza não eram aquelas mulheres atiradas nos balcões do bar) .
Paullina me recebeu sorrindo por volta das sete. Disse que levaria meu café no meu quarto, já que eu deveria descansar porque teria uma reunião extremamente importante sobre impostos pela tarde e eu deveria estar descansado e sem ressaca, de preferência.
Estava tudo muito tranquilo no palácio, os empregados trabalhavam conforme suas funções, tudo estava na mais perfeita paz.
Não consegui ficar acordado até Paullina levar meu café da manhã, e acabei pegando no sono.
Acordei por volta das 13, o palácio estava tudo, menos calmo. Empregados corriam, pessoas aflitas, e conseguia escutar meu pai surtando na sala dele no andar acima.
Saí no meio do corredor buscando respostas, ninguém sabia me responder e desci correndo até o escritório do rei.
-PAI! - Entrei.- O QUE ACONTECEU?!
-Eu não posso acreditar nisso...- Ele dizia pra si.
-FALA!
-Sabe a sua futura esposa?
-O...O que tem ela?- Fiquei rígido ao ouvir falar dela.- O QUE ACONTECEU COM ELA?
Uma resposta do meu pai e senti meu mundo cair.
***
Não pretendia voltar tão cedo assim, talvez pro final da semana. O Rei de Lagunno ficou em seu país para manter a ordem enquanto eu pegava o vôo mais rápido para Hillíos.
Me contaram por cima e foi uma bala no estômago, e muito bem dada, já que ela estava em estado grave.
"Deus..." pensei "Por que ela?"
A viagem que dura três pareceu ter durado 72 horas. Assim que desembarquei, fui direto ao hospital.
A Rainha Alicia me recebeu com um abraço forte e lágrimas no rosto. Incrível como ela não perdia a classe. O Rei estava desolado, sem condições de fazer nada, muito menos falar.
-Onde ela está?- Perguntei à rainha.
-Entrou na cirurgia faz uma hora, ela... ela... Deus, A MINHA FILHA!
Levei ela até a cadeira mais próxima e fui no balcão perguntar pela princesa. Sem respostas, nem notícias, nem se estava estável, NADA.
Passaram-se três horas e recebemos uma notícia: A cirurgia tinha sido um sucesso, tiveram algumas complicações mas estava estável. Era só esperar ela acordar. Catarina foi para o leito logo depois, estava apagada, pálida, mas serena.
-Com licença.- O médico entrou.- O vestido dela.
O vestido azul turquesa foi posto no sofá e imaginei ela acordada, sorrindo, e vestindo aquela peça da minha cor preferida; Até voltar para a atual situação, onde estava com máscara de oxigênio e sem cor alguma.
-Vamos falar com os repórteres, Luke.- O rei disse.- Você vem?
-Não, vou ficar aqui com ela.- Sorri.
Os dois sorriram tristes e passaram pela porta.
Enquanto ela dormia, tirei um papel de receita médica e uma caneta da bolsa de bordo; é uma boa hora para seguir os conselhos de Paullina.
Comecei a escrever sobre ela e principalmente o que estava passando pela minha cabeça naquele momento: como era ver a princesa naquelas condições.
Não terminei de escrever e coloquei o papel dentro da minha bolsa.
Deus, eu era apaixonado por aquela mulher.
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Prometida - I (COMPLETO)
RomanceUma princesa com um caso secreto. Um príncipe com rótulo de solteirão. Prometidos um ao outro. Uma crise. Um casamento.
