Capítulo 18

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Catarina.

Tive um Déjà Vu.
Estranho como funciona né? Parece que já vivemos algo, só não lembramos quando; mas só lembramos quando passamos de novo. Mas com toda certeza eu não tinha vivido aquele momento tão entediante nem nessa vida nem em outras: Aula de história com o novo professor.
No tempo que Luke estava aqui, acharam melhor suspender as aulas principalmente para manter a minha vida e a vida do príncipe em sigilo, depois do depoimento em anônimo no jornal, a Rainha decidiu dispensar muitos funcionários, e deixou apenas os de confiança, pobre mamãe... Mal ela sabia que era o meu professor.
Ela diz que dispensou os funcionários para ficar mais tranquila, mas no fundo sabemos que é por conta da crise: Estava cada vez pior a cada dia que passava.
Um grupo de rebeldes e vândalos que já vinha se formando a um tempo, estava tomando forças por contar com a população do noroeste, que estavam em um estado crítico. Já pelo centro e sul do país, onde se localiza o palácio, as pessoas estão apreensivas. Mas mas sabiam que o rei faria algo pra melhorar, ele sempre fazia.
Meu pai sempre foi considerado o "amigo do povo", assim como a minha mãe. Os dois tinham a bondade correndo nas veias. Muitos dizem que isso é fruto da minha avó Joane, mãe da minha mãe. Ela sempre foi um doce com todos; até meu pai, que antes de ser rei era um príncipe de cara fechada não resistiu à doçura dela.
Mas de uns dias para cá, ele mal dorme. A preocupação é nítida e o cansaço é evidente pelas manchas embaixo dos olhos que mostram o quanto ele se importa com a pátria. Uma reunião aqui, uma visita de um chanceler alí.
A Rainha de Lagunno tinha ficado por aqui. Já tinha escutado boas histórias sobre ela. Era dona dos cabelos mais escuros que eu já tinha visto, seus olhos expressavam afeto e a pele era corada naturalmente, daí que eu pude ver de onde que Luke tirou a pele corada. Resumindo: Parecia ser uma boa rainha.

-E foi assim que vencemos a primeira guerra contra Lewock, entendeu?- O novo professor perguntou. Sinceramente, eu não tive tempo para decorar o nome dele; era alguma coisa com D...Dave...Dênis..
-Claro!- Menti.
-Ótimo, acho que por hoje está bom. Uma moça...Ah, acho que é Olívia, disse que você tinha uma prova de vestido as onze, e...- Ele checou o relógio.- São 10:53. Considere-se dispensada.

"Graças a Deus!" Pensei. Coitado, ele não é um mau sujeito, eu só não conseguia prestar atenção como antes.
Como prestava com Harold.
Nunca mais tinha ouvido falar nele depois do anonimato. Era um bom professor, e um bom amante.( poderia chamar ele assim?)

Saí da biblioteca e fui até o ateliê. Não costumava ir lá, Olívia sempre gostava de fazer surpresas quanto aos meus vestidos. Mas dessa vez ela disse que ela muito especial. É basicamente um lugar colorido, cheio de tecidos, pedrarias, e damas nas máquinas de costuras cantarolando músicas, fazendo os vestidos e ternos mais bonitos que eu já tinha visto.

-Que bom que você veio!- Jane, a Rainha de Lagunno me recebeu sorrido.- Seu vestido para a coletiva está quase pronto.
Sorri. Ela tinha escolhido meu vestido?

-Escolhi tudo e ah! Ficou lindo Jarah!- Ela pegou um imenso pano azul turquesa respondendo meus pensamentos como se tivesse lido eles.- É esse aqui. É a cor favorita de Luke.

Ah sim, Luke.

Tinha tentado entrar em contato com ele, mandando as fotos dos bolinhos de Olívia. Sem respostas. Talvez tivesse algo de importante para fazer

-Que foi, querida?- Ela perguntou.- Falei algo de errado?

-Claro que não.- Menti- Está tudo muito lindo.

***

-Acho que está bom assim.- Uma das costureiras colocou o último alfinete.

Era incrível. Uma seda azul turquesa e umas pedrarias ao longo do vestido, tinha alças simples e Jane desenhou um acessório para o meu cabelo da mesma cor.

-Um dos melhores!- Sorri

-Jane parece ter desenhado com muito carinho, Alteza.

Ela realmente tinha um dom maravilhoso quanto à moda. Já tinha visto em algumas entrevistas que ela mostra o seu hobby, é fantástico.

-Eu sempre quis uma menina...-Ela disse se aproximando- Para poder desenhar todos os vestidos e encher de laços. Espero ter ânimo para desenhar os das minhas netas...

-Acho que só falta fazer a barra, está muito comprido.- Afirmei.

-Realmente.- Ela mediu o comprimento, percebendo a minha mudança repentina do assunto.- Seus súditos vão amar amanhã.

***

Acordei por volta das seis. O sol ainda não tinha aparecido totalmente, mas sabia que o dia seria ao menos fresco. Nunca gostei muito do frio, parece que frio, os cobertores asfixiam e os banhos ficam gelados mais rápidos; mas hoje não, tem tudo pra ser um dia bom, eu acho.

Ontem a noite, depois de passar a tarde no ateliê, passei em frente ao escritório, onde Jane falava com alguém no telefone.

"Sim, está tudo bem. Quando volta? Certo, volte em breve, Eu te amo"

Ok, se fosse Luke, ele voltaria em breve. Ele faz uma certa falta por aqui, uma vez que eu não tenho mais ninguém para ir em festas, ou Whisky, Bolinhos, e até para assistir um filme (mesmo que seja pra ele dormir antes dos primeiros cinco minutos). Mas não parecia muito recíproco, já que, ele não deu um sinal de vida. (Não que eu ficasse olhando, puf)

Olīvia veio por volta das dez arrumar meu cabelo para a a coletiva. Quando tinha vinte minutos antes de começar, desci para onde aconteceria.

Assim que começou, vários assuntos foram abordados por mais de 15 jornalistas, cada um no seu tempo e o Rei respondia, com a minha mãe e a Rainha Jane (que estava para representar Lagunno) complementando a maioria das questões. Foram quase duas horas diretas de pequenos debates (civilizados) entre o Rei e os jornalistas e entre os jornalistas também.

Assim que anunciaram que a coletiva estava prestes a acabar, um homem se levantou. Estatura alta, cabelos grisalhos e a pele tão clara que parecia neve. Não tinha lá uma cara de simpático, com certeza não.

-E o que farão para dissolver a crise?

-Estamos planejando a união entre os herdeiros de Hillīos e Lagunno.- O Rei olhou para mim e sorriu. Sorri de volta.

Então tudo aconteceu.

O homem de cabelos grisalhos colocou a mão no bolso

Tirou algo do bolso.

"Uma arma?" Pensei.

E completou: Acabe com a monarquia e acabe com os problemas."

Apontou

E atirou.

Não tive tempo de ligar sua frase com a de Harold, desse homem e do sujeito que me agarrou no teatro, por conta da pressão que uma bala faz no estômago.

Prometida - I (COMPLETO)Onde histórias criam vida. Descubra agora