Mistério.

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               Com Rafael, fazendo uso de uma câmera foto-gráfica Nikon profissional, atravessaram a difícil cerca de arame farpado, que protegia o local e começaram a caminhar por uma pequena trilha, ladeada por um denso cerrado, de aproximadamente um metro de altura.

            Sentiam-se com alguma sorte, devido alguns fatores a vosso favor, tais como: quase ninguém fazia uso daquela trilha, evitando assim que as pegadas que porventura viessem a ter fossem apagadas; na noite anterior a seu desaparecimento, havia chovido um pouco, fazendo com isto que suas pegadas ficassem gravadas no chão molhado e que depois disso, não ter chovido mais, conservando a terra úmida, protegida pelo denso mato; Luciano já conhecia o tipo de calçado que o menino costumava usar e sendo ele pobre, provavelmente só teria mesmo os tais conga e alpargatas. Rapidamente se depararam com pegadas de semelhante conga, com tamanho aos prováveis pés do menino.

            Uma vez descoberto suas pegadas e percebendo que eram únicas, passaram a segui-las, pelo longo e estreito caminho, que os levariam até a saída do terreno do aeroporto, com aproximadamente um quilômetro de extensão.

            Para ganharem tempo, caminhavam dezenas de metros adiante e também para não apagarem as pegadas, seguiam pelo mato e só então, voltavam a procurar tais pegadas ali cravadas.

            Foram cerca de trezentos metros de caminhada e buscas; depois, estando já próximos à principal entrada sem pavimentação do aeroporto, notaram algo muito estranho: as pegadas desapareciam misteriosamente.

            Voltaram uns trinta metros e encontraram onde as pegadas se acabavam.

Confuso Rafael comentou:

            — Veja: as pegadas só chegam até aqui, depois acabam! Estranho!

            — O que poderá ser? — Se confundiu Luciano.

            — Daqui ele saiu voando! — Gracejou Rafael.

            — Pode ter embarcado em um avião? — Especulou Luciano, duvidoso.

            — Impossível! — Negou Rafael. — Avião não chega aqui! Não com esse mato!

            — Um helicóptero talvez!? — Insinuou Luciano, ainda duvidoso.

            — Poderia até ser! Só que o mato estaria amassado pelo trem de pouso.

            Realmente o mato estava em perfeita ordem.

            — A não ser que o helicóptero viesse a não pousar completamente. — Insinuou Rafael. — Puxando o menino pelo braço.

            — Mesmo assim, o vento provocado pelas hélices, tombaria todo o mato. — Concluiu Luciano.

            — Então ele criou asas! — Ironizou Rafael.

            — Só se ele for um anjo e a gente não sabe! — Ironizou também Luciano. — Até que ele parece!

            Rafael continuou observando o terreno e o baixo cerrado ao redor, então coçou a cabeça desorientado, estranhando:

            — Como esse menino sumiu daqui?

            — Só se seguiu em direção à cerca pelo mato, com muito jeito pra não deixar pistas. — Insinuou sem acreditar no que falava Luciano, apontando para a cerca lateral do aeroporto, a aproximadamente trinta metros de distância.

Anjo da Cara SujaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora