Talvez devido às emoções do acontecido com Regis, Sara não conseguira dormir durante toda a noite, se remoendo e virando na cama, enquanto o sono não vinha. Porem não era insônia. Sentia mesmo era um tipo de cólica constante, que acreditava estar começando as contrações, para então chegar a trabalho de parto.
Como naquela manhã, de vinte e um de março, ela se sentia melhor, conseguindo até dormir um pouco, Luciano decidiu que iria trabalhar normalmente e na hora do almoço, mesmo que fosse preciso pedir autorização aos pais de Regis, iria buscá-lo, para que na parte da tarde, fizesse companhia a ela.
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O menino, apesar de ter as pernas e braços marcados por profundos vergões, fora a escola normalmente, inclusive, usando o mesmo uniforme em calça e camisa curta de sempre. Como de costume, tanto para ir, como no retorno, teria passado à casa de Elizabeth, de sua idade, morena clara, cabelos negros, lisos e longos; a qual, ele julgava ser muito bonita; com certeza a mais bonita de toda a escola; sendo sua colega de sala e companhia, desde a segunda metade do primeiro ano, inclusive morando no mesmo bairro, distante aproximadamente três quilômetros da escola. Com isto seguiram juntos, embora, evitando que ela olhasse diretamente para ele e também, evitando conversar muito, tentando assim, esconder seu trágico drama. Mesmo na escola, evitava ao máximo seus amiguinhos e não brincou durante o intervalo do recreio. Por sua sorte, criança não presta muita atenção em detalhes dos amigos e assim, ele teria conseguido driblar todo o período, sem que ninguém lhe fizesse gozações.
Às onze e meia daquela manhã, soara o sinal, indicando o final das aulas para aquele período matutino. Ele aguardou Beth, tomando o caminho de volta, subindo à Rua Jacomo Paro, chegando à rua que vem a ser prolongação da Rua Mato Grosso, que passa por detrás da Casa Anjo da Guarda, conhecida como estrada boiadeira, devido falta de pavimentação e muita sujeira, alem de ser também, o local por onde os peões guiam suas boiadas, ao passarem pela cidade, inclusive em destino ao embarcadouro municipal, junto à linha férrea, para serem transportadas pelos gigantescos trens boiadeiros.
Ao adentrarem nesta rua suja, o menino a convidou:
— Beth, vamos pelo caminho do aeroporto!
— Por quê? — perguntou ela espantada.
— Por nada! Eu só queria passar por lá! Não precisa ter motivos.
— E você acha que isto é convite que um menino faz a uma garota?
— Por que não? — O estranhou.
— Quem você pensa que eu sou Regis?
— Uma menina bonita! — Afirmou ele em leve sorri-so.
— No aeroporto tem mato!
—Tem trilhas!
— Continua tendo matos!
— E o que tem isso?
— Muita coisa! — Disse-lhe ela brava.
— Por favor, Beth, não pense mal de mim.
— Quem você pensa que eu sou pra andar no mato com meninos?
— Desculpe-me, não estou com má intenção!
— Quer ir por lá, que vá você! Eu irei pelo caminho de sempre.
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Anjo da Cara Suja
Novela JuvenilÉ possível existir a amizade saudável entre um adulto e uma criança que até então era desconhecida? Por que a velha questão, nunca fale com estranhos ainda persiste? E por que precisa haver esta discriminação, dando a entender que a criança é um ser...
