Deixou tudo e seguiu a atender o chamado. Abriu a porta da sala, avistando na rua, um carro da polícia civil e um senhor de seus trinta anos, branco, magro, estatura mediana, cabelos e óculos escuros; o qual, com certeza seria um investigador de polícia.
Assim que se aproximou do portão, o policial cabis-baixo, olhando para um papel, que parecia uma fotografia, insinuou:
— Senhor Luciano!
— Sim! Sou eu! O que se passa?
— Me diz uma coisa senhor... Luciano: onde o senhor esteve nos últimos dois dias?
— No hospital. — Respondeu ele prontamente. — Por quê?
— E onde esteve sua esposa... Sara?
— No hospital.
— Quem adoeceu senhor Luciano?
— Graças a Deus ninguém! Minha esposa acabou de se tornar mãe.
Acho que o policial não esperava por isso, se surpreendendo:
— Mãe é? Então o senhor é pai recente?
— Com certeza! Acabamos de chegar do hospital. O que está havendo? — Se preocupou.
— Eu posso ver sua esposa?
— Tudo bem! — Concordou ele abrindo o portão e fazendo gesto para que entrasse. — Eu poderia só saber o motivo?
Sem responder, o policial acompanhou Luciano até a entrada do dormitório, percebendo o bebê, que dormia tranquilo em seu berço, voltou até a saída da sala, puxou a foto que teria guardado em seu bolso da camisa e lhe mostrando perguntou:
— Conhece esta criança?
— Regis!? — Se espantou, sentindo calafrio no corpo inteiro. — Claro que conheço! Ele mora virando a esquina, no meio da quadra.
— Faz dois dias que ele está desaparecido e você é... Ou pelo menos era... Meu principal suspeito.
— Desaparecido!?...
O homem que deveria ser forte sentiu ás lágrimas vir de dentro de sua alma, até o canto inferior dos olhos.
— Dois dias!?... — Balbuciou ainda. — Como assim?
De repente, Luciano percebeu chegar, uma mulher branca, de seus quase trinta anos,cabelos castanhos, que com certeza era a mãe de Regis, seguida por Paulinho e outro menino, que só poderia ser Carlos Henrique.
Sem pedir licença, a mulher entrou em seu quintal e visivelmente alterada, puxou desesperada sua camisa, gritando:
— Onde está meu filho? O que você fez com ele?
Por sua sorte, o próprio investigador o socorreu, afastando-a de lhe agredi-lo.
— Cadê meu filho seu safado? — Gritou ela.
— Calma dona Odete. —Pediu o investigador. — Com certeza, o senhor Luciano não tem nada a ver com o desaparecimento de seu filho.
— Claro que tem! — Gritou a mulher. — Onde ele andou todos estes dias?
— Ele estava no hospital com a esposa, dona Odete. — Explicou o investigador. — Luciano acaba de se tornar pai e sequer sabia do desaparecimento de Regis.
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Anjo da Cara Suja
Ficção AdolescenteÉ possível existir a amizade saudável entre um adulto e uma criança que até então era desconhecida? Por que a velha questão, nunca fale com estranhos ainda persiste? E por que precisa haver esta discriminação, dando a entender que a criança é um ser...
