Uma nova amizade pode curar antigas feridas?

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            Antes das nove horas da manhã seguinte, Luciano chegava ao fórum, para um novo dia de trabalho e surpreso, se deparou com Rafael, o aguardando na entrada.

            — Bom dia Luciano! — Cumprimentou-o esse, sem, contudo lhe estender a mão.

            — Bom dia! O que faz aqui?

            — Na noite de ontem, logo após o noticiário na tevê, que falou sobre o menino desaparecido, a gente recebeu uma informação anônima, dizendo que viu uma criança, com fisionomia semelhante e uma bolsa escolar nas costas, caminhando sobre as pontes pênseis, do salto do Avanhandava, no dia de seu desaparecimento, poucos após as treze horas.

            — Ah meu Deus! — Se espantou Luciano. — E o que mais?

            — O informante alegou que viu o menino atravessar uma das pontes e permaneceu no local por quase uma hora, sem, contudo vê-lo retornar. É uma pista.

            — E o que você pretende?

            — Estou indo lá agora. Achei que você toparia ir comigo.

            — Com certeza! Espere só até eu informar meu pessoal.

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            Menos de uma hora depois, os dois peritos, já estavam caminhando sobre as incríveis pontes suspensas por grossos cabos de aço, sobre as inúmeras e bonitas quedas d’água, às vezes se deparando com o reflexo do sol sobre as águas, como em um gigantesco espelho, que reluzia aos olhos; outras vezes, com as grandes muralhas, de até dez metros de altura, que deixavam rolar grande quantidade de água, formando grande massa branca, como se fossem toneladas de espumas de sabão, devido o atrito com as rochas, as quais a natureza modelou, durante milhões de anos, no famoso Rio Tietê, a trinta quilômetros do centro de Penápolis, atravessando por Barbosa, sentido São José do Rio Preto.

            Sem conversarem muito a respeito, os dois homens caminhavam sobre as pontes, com muita cautela, fazendo questão, em observar atentamente, cada detalhe sobre as pedras, relevos, encostas...

            — Regis não esteve aqui! — Negou Luciano.

            — Por que você pensa isso? — Questionou Rafael.

            — Se esse menino tivesse caído aqui em algum lugar, já teria sido encontrado.

            — Pode ter caído nas cachoeiras e se afogado.

            — O corpo boiaria em menos de três dias.

            — Pode ter ficado enroscado nas pedras! Pode também ter sido arrastado pela correnteza. Ou até, ter sido devorado por peixes!

            — Peixes não comem tecidos! Nem bolsa escolar!

            — A bolsa pesada não boia! — Justificou Rafael.

            — Pedaços de roupas boiam!

            — E a correnteza as arrasta!

            — Regis não esteve aqui. — Negou Luciano, convicto.

            — O informante disse que o menino usava uniforme escolar e o horário também coincide. Disse também, que ele atravessou uma das pontes e não retornou.

            — Como ele viria até aqui? — Duvidou Luciano.

            — Viação Anhenzine! Ela transporta menores sem problemas. A lei não impede, devido ser curta distância. A viagem de Penápolis pra cá não é considerada intermunicipal.

Anjo da Cara SujaOnde histórias criam vida. Descubra agora