•Epílogo: O dia em que tudo começou•

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Junho de 1913

A noite estava fria. O Turner mais velhos se sentou na cama, encarando apenas a escuridão que era mantida pelas cortinas Cramberry das camas do dormitório masculino dos Thunderbird. Puxou o pano para o lado e viu que o lugar era fracamente iluminado pela luz lunar.

Voltou a deitar-se, afundando o rosto no travesseiro. Após alguns minutos naquela mesma situação deu-se por vencido. Não voltaria a dormir tão cedo.

Levantou-se calçando os chinelos e agarrando um casaco sobre o baú aos pés da cama.

Saiu do dormitório, descendo as escadas circulares do lado esquerdo da comunal. Chegando ao final dos degraus, notou a lareira numa espécie de luta entre apagar e manter-se acesa. Os poucos pedaços de madeira que ali estavam já não eram o suficiente para manter chamas vibrantes, mas ainda distribuiam calor pela sala. Alguns pedaços de carvão estalavam.

Ele olhou ao redor. Tina estava sentada próxima a janela com a cabeça encostada no vidro e os olhos aparentemente perdido no exterior. Enrolada numa coberta, o cabelo caia no rosto e as mãos pousadas sobre o colo seguravam alguma coisa.

John aproximou-se, seus passos a despertaram dos pensamentos. Tina o encarou por alguns instantes e então voltou a atenção para o lado de fora do castelo.

— O que faz aqui a essa hora?— ele perguntou, sentando-se ao lado dela e passando seu braço por trás da garota, dando-lhe suporte enquanto ela apoiava a cabeça em seu ombro.

Lá fora a noite estava clara, a lua era cheia e brilhava no céu, algumas nuvens se estendiam, cobrindo as estrelas de modo que poucas eram visíveis.

— Não estava conseguindo dormir. Fui para o dormitório pouco depois de todos, mas voltei para cá há algum tempo.— ela disse desviando seus olhos para a pequena bolinha em suas mãos.— Os sonhos não me agradaram.

Ele aperta o abraço ao redor dela, pegando a bolinha de suas mãos de forma sutil e a encarando.

— Um Lembrol.— ele comenta sobre o objeto.— Desde quando o tem?

— Desde o primeiro ano.— ela relembra.— Ganhei-o de papai porque estava com medo de ir sozinha para a escola.— ela fez uma pequena pausa.— "Caso se esqueça de nós".— ela relembrou as palavras do homem, que ecoavam todas as noites em sua cabeça quando se deitava.— Não poderia...

— O que você esqueceu dessa vez?— ele pergunta, observando a cor da fumaça.

Ela deu de ombros.

— Eu não sei, está assim há alguns dias.— ela comenta.— Nunca havia acontecido antes. Talvez esteja quebrado.

Ele à encara.

— Talvez você tenha se esquecido como sorrir.— ele comenta, dando-lhe um beijo na bochecha.

— Eu não me esqueci como sorri, apenas não tive motivos para isso.— ela resmunga voltando a apoiar a cabeça no ombro do garoto.

Ele solta um suspiro.

Ele, aparentemente, ia levantar-se, mas ela segurou a mão dele.

— Podemos ficar aqui?— ela pergunta.— Simplesmente estar, sem dizer nada e encaram o exterior?

Ele acaricia os cabelos da garota por alguns instantes, voltando a ajeitar-se ao lado dela, antes de apanhar uma lágrima que escorria pela bochecha dela e então abracá-la dignamente, fazendo-a enterrar o rosto em seu peito e deixar o calor a confortar.

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