Loyal estava em um local de sua cidade, provavelmente a praça, estava congelado olhando para o céu. O tom era de fim de tarde, mas mesmo assim, haviam varias nuvens extremamente negras no céu, a multidão em sua volta corria e gritava como se não houvesse amanhã, seus olhos abriam-se a ponto de suas pupilas diminuírem para lidar com tanta luz, seus músculos não respondiam as ordens de sua mente, o tornando completamente inerte. No céu se formava algo que parecia um espiral gigantesco que sugava os prédios e pouco a pouco, sua força ia aumentando, era muita gritaria, bolas de fogo caiam na terra e geravam explosões que quase tinham seus sons abafados pelas incessantes vozes que gritavam ao pé do ouvido de Loyal, quase o atropelando.
De longe pôde avistar sua mãe, ela estava correndo e gritando quando passava debaixo daquele prédio que quase em câmera lenta caia sobre a mesma, levantando uma explosão de poeira. Foi a cena mais terrível que Loyal já vira em toda sua vida. E mais pessoas gritavam, o chão tremia e os prédios desabavam, as árvores se tornavam secas e raios do sol chegavam a queimar sua pele, literalmente. Era um terrível apocalipse.
Loyal chorava perplexo sem saber o que fazer, ele se ajoelhava no chão, tapava seus ouvidos com as duas mãos e simplesmente gritava sem parar desesperado. Então mesmo com ouvidos tapados ele ouvia claramente uma penetrante e épica voz que dizia:
-"Só você pode impedir".
-QUE DROGA EU TENHO QUE FAZER?- Gritava Loyal com voz completamente roca. FAZ PARAR! FAZ PARE! - Ele não pensava mais nem mesmo na colocação de suas palavras.
-"Mas é você quem deve fazer parar".
Loyal se contorcia no chão, era um sentimento indescritível, terrível, o pior que ele já havia sentido em toda sua vida, o pior que ele era capaz de vivenciar.
O medo estava mais intenso e real do que nas vezes passadas. Logo ele foi envolvido por mais sentimentos de incapacidade, de nojo, um medo tremendo, seus membros tremiam, seu coração batia tão rápido quanto nunca, seus olhos estavam fortemente avermelhados, ele quase vomitava e era como se seu intestino quisesse pular por sua boca, o sol queimava sua pele juntamente com o asfalto fervente que quase derretia. As pessoas a sua volta o chutavam ao correrem desesperadas, choravam terrivelmente. Era como se o inferno estivesse acontecendo ao redor do Loyal.
Aquele sonho repetia-se mais uma vez. Ele tinha ciência de que aquilo era um pesadelo, um torturante pesadelo que repetia-se sem uniformidade desde sua infância, e mesmo assim, era como se por mais que tentasse fugir, o desespero sempre encontrava uma forma de chegar até ele.
-Loyal! Acorde! Você não pode faltar duas vezes seguidas.- Dizia sua mãe, já sabendo do ocorrido com o amigo de seu filho que nitidamente estava abalado.
-Mãe!- Ele grita assustado, porém aliviado pro ter sido só aquele sonho mais uma vez.
-O que houve filho?- Pergunta ela logo depois de subir até seu quarto.
-Eu tive aquele sonho mais uma vez.- Ele dizia enquanto olhava para as manchas de humidade que seu suor deixou, tentou segurar as lágrimas que seu sonho gerou enquanto ele dormia. Sua respiração ainda ofegante denunciava que claramente sofrera um pesadelo.
-Nossa filho! Pesadelos são terrív...
-Por que você não tá trabalhando?- Disse Loyal interrompendo sua mãe.
- Um colega cobrirá meu turno, mas eu já preciso voltar. Ao menos que prefira que eu fique?
-Só foi um pesadelo, mãe. - De alguma forma Loyal sabia que infelizmente, isso não era verdade, o que lhe causava arrepios.
O perturbado garoto suava frio de verdade, sua testa escorria, e seus olhos também, dessa vez ele não sabe explicar o por que, mas o sentimento foi ainda mais real que nas últimas vezes, dizer que só foi um pesadelo não convenceria sua mãe, ela achava que era algum trauma psicológico e não um sonho rotineiro.
-Filho, olha, eu vou procurar um psicólogo, ok? Eu posso tentar arrumar um dinheiro, posso fazer um empréstimo, não deve ser nada muito caro.
-Não mãe. Eu só preciso ir pra escola e mudar meus pensamentos.
-Tem certeza?- A pergunta que ela fez já era conhecida por Loyal, ele sabia que ela iria insistir mesmo depois de se justificar.
-Tudo bem mãe, eu estou bem.
-Tudo bem mesmo?
Então ele fez gesto de sim com a cabeça. Um gesto mentiroso. Não estava tudo bem. Não estava nada bem.
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Chuva Torrencial
Ficción GeneralNunca julgue um livro pela capa. -E se tudo o que você dissesse, virasse realidade? Isso seria incrível, não é mesmo? Ganhador do 1º lugar no concurso literário "Palavras Entrelaçadas". 1º Lugar no "Em Ascensão" de ficção geral no dia 18/01/18. 2º...
