C1- Nuvens Densas.

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Na escola, ele percebeu o quanto sua bicicleta o fazia falta, foi até seu armário e selecionou o livro. Mais uma aula que ele não prestaria muito a atenção.

Na sua sala, a cadeira que ficava ao seu lado estava vazia, pois a mesma pertencia ao Henrrique. Então ele começou a vagar por seus pensamentos  novamente, mas logo foi interrompido por uma garota.

Era Victoria, aquele perfeito clichê de Mary Sue, doce e reservada sempre cheia de empatia e bondade, era um sermão em forma de garota, tinha olhos castanho claro que combinavam com sua pele morena, Loyal buscava defeitos em sua personalidade as vezes, mas tudo que encontrava era o fato dela ser normal de mais, o fato dela lembrá-lo sempre de que é um fracasso no modelo de ser humano que ele internamente buscava.

-Oi Loyal, fiquei sabendo do Henrrique, já que você conhecia ele bem, acha que teria problema em eu me sentar aqui ao seu lado na cadeira dele?- Disse Victoria com uma doce e enjoativa voz.

-Fique a vontade.- Com um sorriso de canto, respondeu Loyal.

-Por que você faltou ontem?- Disse ela ao mesmo tempo que se sentava e colocava a única mecha loira de seus cabelos atrás da orelha.

-Você sentiu minha falta?

-Está surpreso por isso? Não deveria. Todos aqui sentem sua falta.

-O Carlos ali no fundo sempre esquece meu nome, e a Tamires as vezes pergunta "Quem é esse daí" no meio da chamada, quando "esse daí" sou eu. - Dizia ele descontraído enquanto sorria.

-Quem é Tamires?

Rindo eles se encaram. Segundos sem trocarem uma palavra. Loyal a observava, e ela reciprocamente, o observava também. Isso o intimidava, mas ele estava hipnotizado por seus lábios, era impossível não imaginar um beijo.

-Eu tive um sonho estranho hoje. - Loyal nem percebeu quando disse aquelas palavras, mas ele continuou a olhar os lábios de Victoria.

-Eu já fiz um míni curso no Udemy pra interpretar sonhos!

-Nossa, tem uma profeta na minha frente e eu nem sabia!

-Cala essa boca! Quem me dera...- Disse ela rindo e olhando para a mesa.

-Esse sonho se repete a bastante tempo...

-Me conta! Quem sabe eu posso ajudar?- Disse ela se entusiasmando muito.

-Nele eu estou na praça da cidade e...

-Como em uma projeção astral?- O interrompeu mais entusiasmada ainda.

-O que? Não. Não, eu acho... Tudo está devastado nesse sonho, enquanto tem pessoas correndo de um lado para o outro e gritando.- Falar disso era como confessar um erro, uma sensação de culpa e de acusação gigantesca.

-Há! Esse é fácil. - Concluiu ela como se aquilo fosse óbvio.

-O que significa?

-Que você está tendo uma semana muito estressante e que precisa de mais tempo pra respirar e por a cabeça no lugar.

-Entendi...-Disse Loyal tentando parecer convencido após cerca de dois segundo digerindo a decepção, ele tinha certeza absoluta que não era tão simples assim.

**********

Loyal estava na praça de sua cidade novamente.
O tom era de fim de tarde, mas haviam nuvens densas cobrindo o azul do céu. Nas nuvens se formava um espiral gigantesco, parecia um tornado ao avesso, foi quando as pessoas começaram a gritar sem parar. Caos. Essa é a palavra que define o que estava acontecendo. Um terremoto tremia o chão levemente, as coisas começaram a cair, incluindo algumas pessoas naquela praça. Loyal olhava com medo, desta vez talvez menos medo que da última, ele olhava cético, tentando encontrar falhas em seu delírio, caso fosse seu cérebro o pregando uma peça mais uma vez, a simulação não seria perfeita. Olhou para suas mãos, para o seu relógio, calmamente, enquanto pessoas morriam a sua volta. Nenhum sinal de sonho. Até que:

Chuva TorrencialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora