C2- Alarmes de Assalto.

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Alarmes de Assalto. Irônico eles tocarem no meio de um jantar pra discutir os avanços na segurança e na saúde.

Mas foi o que aconteceu no jantar para tratar as melhorias que o governo do pai da Victoria trouxe, a mídia estava presente, e todos fingiam estarem tristes após as lamentações pelo acidente que ocorrera naquela tarde – com exceção de Victoria que realmente estava –. As taças de vidro temperado com o mais caro que se poderia pagar, reluziam nos talheres de prata pura, tornando aquela mesa quase um sol de tão brilhante, mesmo que o lustre decorado até derrubar as barreiras das ilusões de óptica, ficava a uma certa distância.

O vestido vermelho cheio de adornos pinicava suas costas, mas ela nem se atrevia a coçar – mesmo porque havia uma câmera dedicada a seus movimentos –.

O clima estava pesado, contudo nem isso pode conter os sorrisos falsos e (depois de certo tempo), dolorosos que os repórteres, câmeras, e os "especialistas em analizar os dados" estampavam, afinal, poderiam si ver em alguma foto semanas depois, e o simples fato de não saírem sorrindo, poderia queimar o filme de muitos puxas sacos.

-Bom, o importante é que a minha queridíssima esposa; - Victoria revirou os olhos antes de se obrigar a continuar ouvindo - Está bem. Então não precisamos desses lamentos. Esclarecidos os motivos que a levaram a faltar, vamos continuar o jantar! - Disse o senador estalando um pedido de atenção com o garfo na taça.

Infelizmente para seus eleitores, e muito felizmente para Victoria, o jantar não iria continuar tão facilmente; Foi nesse exato momento que o alarme soou alto por toda a casa. Algo que não só, não deveria, quanto também não poderia acontecer, afinal, o alarme ficava desligado na maior parte do tempo. Mas quem e como o ligou, não importava, não tanto quanto o motivo dele ter sido acionado.

Todos ficaram assustados, até o senador, que tentou manter a postura, mas o medo de um assalto também passou a abalar seus motivos para não entrar em pânico.

Victoria assim como todo mundo, arregalou os olhos, trocando suas vistas de direção a cada novo segundo de alarde, era uma atriz nata.

-O que está acontecendo? - Gritou ela em direção ao ouvido de seu pai.

-É o alarme de assaltos!- A resposta mais óbvia que poderia ser formulada depois de tantos ensaios pra perguntas que receberia, foi a única que estremeceu as cordas vocais do pai de Victoria naquele momento. Seu olhar transparecia medo e decepção, sarcasticamente aquele infeliz - apesar de inorgânico - alarme, resolveu que aquela noite e principalmente, aquela hora, eram satisfatórias para ecoar seu som.

Sete minutos até a polícia chegar, já que o alarme quando acionado, automaticamente fazia uma ligação de emergência, com mais vinte e seis minutos de enrolações e falsidades era igual a meia hora e três minutos, sendo que os relógios marcariam sete e quarenta e dois da noite. Quando a polícia chegasse, faltariam quarenta e oito minutos até a hora marcada para o seu encontro com Loyal, às oito e meia. Tudo dentro dos conformes.

Os repórteres e demais estavam em pânico, não sabiam se era melhor ficar em silêncio ou gritar, alguns até se escondiam embaixo da mesa apesar de que som nenhum de tiro havia estrondado até então, uma cena perfeitamente engraçada, a barriga de Victoria doeria de tanto gargalhar, mas o que doía naquela hora eram seus músculos faciais, tendo de serem presos para resistirem à tentação de rir.

Independentemente de todo universo conspirar contra, o senador tinha a certeza de que aquele jantar não deveria acabar ali.

Acontece que a eleição para senador ocorria de oito em oito anos. Oito anos são quase uma década. Imaginar uma década longe de seus requintes era como imaginar um década na pele de um mendigo. O senador não queria que tudo desse certo, ele precisava.
Ele estava prestes a mandar todos pra o sótão, e ficar lá até a polícia chegar, porém para seu alívio o alarme parou.

Então todos se levantaram, ainda apreensivos, olhavam para todos os lados, a polícia já estava a caminho então a explicação de que tudo não passou de um mal entendido não podia ser tão facilmente acatada.

-Senhores, perdão, o sistema de segurança acabou com um pequeno erro que fez os alarmes soarem sem nenhuma ação estranha na casa.- Foi o que disse um empregado soando frio.

-Entendi. Bom, foi apenas um erro, não se preocupem. - Disse o senador rindo, rir era a forma mais fácil de disfarçar o ódio que sentiu naquele momento.

Aos poucos todos foram se recompondo, então apenas para observar a cena, o senador virou sua face para a direita. Ele estava sentando em uma das extremidades da mesa, na ponta, ao lado de sua filha. Então nem precisaria virar seu rosto, seus olhos podiam assistir o conteúdo em cento e vinte graus, o bastante para que um questionamento surgisse em sua mente e transparecesse em palavras ouvidas por todos, o bastante para que sua testa franzisse denunciando uma dúvida, o bastante para interromper o jantar com uma simples pergunta.

-Onde está Victoria?


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O vestido de gala não harmonizava com as ruas sujas, mas talvez pensassem apenas que ela estivesse indo para uma festa. Depois de duas quadras, ela ria atoa, seu plano havia dado completamente certo, o alarme foi uma grande distração, uma grande piada - mandar sua empregada aciona-lo, logo quando fossem iniciar os discursos tediosos, foi um golpe genial - com que cara falariam sobre segurança depois daquilo? Seja o que for, Victoria estava satisfeita, atingiu o objetivo de fugir de casa.

Acontece que nem se o mundo acabasse ela deveria sair daquela casa a depender de seu pai, que sem sua esposa, só tinha Victoria para poder passar a imagem de "família feliz", já que sua amante não se encaixava muito bem nesse papel.

O fato de que naquela noite os planetas dançariam valsa juntos na coreografia de um flecha, não era maior que o fato de um homem lançar mais uma semente para estender sua raiz de corrupção.

Era o que o queridíssimo senador pensava, um pensamento extremamente contrário ao de Victoria, que agora sentia-se numa aventura daquelas que em trinta anos você ainda vai rir ao se lembrar.

Mas a alegria de Victoria não se estenderia tanto naquela noite. Ao chamar um táxi, ela aguardava sua vinda e enquanto ainda esboçava um sorriso em seu rosto, foi surpreendida por um homem de cabelos brancos, que certamente era jovem demais para possui-los.

Isso não seria motivo nenhum para perder a alegria, senão pelo fato desse homem apontar uma arma para sua face.




Oi Galera!
Tudo certo?
Bem, eu espero que sim, e também espero que já tenha dado estrela nesse capítulo, certo?
Então, só estou passando aqui novamente para agradecer a
mt_sena
Ela fez essa capa sensacional, fantástica, nota 1000!!
Já tem agradecimento lá no capítulo de onde eu conto as novidades, mas vale a pena agradecer 2, 3, 4, 7, 9, milhões, de vezes!

Chuva TorrencialHistórias para pegar e não largar. Descubra agora