Rodrigo chegou cinco minutos antes das sete. Segurava um vasinho de orquídeas. Ideia de dona Lídia dizendo: "Você não vai aparecer de mãos abanando, fica feio. Fica parecendo que só vai encher a pança e namorar a bisneta da tal senhora. Compre no mínimo um buquê, ou um vasinho de flores pra presentear a aniversariante. Vá à floricultura próxima do hotel antes que ela feche." E Alisson, como Rodrigo adivinhara não quis ir, mas depois que o presente fora comprado ainda mandou uma das suas: "Tomara que a velhinha não seja alérgica a flores."
Por aquela ninguém esperava! Seu Clóvis e dona Lídia lançavam olhares severos para a filha pelo comentário inoportuno. Tal observação deveria ter sido feita antes não depois das compras das flores. De qualquer modo Rodrigo resolveu arriscar-se com as tais flores.
Sete e meia! Rodrigo nunca conhecera alguém mais enrolado para se arrumar que não fosse Alisson. Ou será que Ana Regina fora para a festa sem esperar por ele? Preferiu agarrar-se a primeira possibilidade. Com os minutos arrastando-se pesadamente começou a ficar apavorado. Quando deu quinze para as oito, desorientado, decidiu ir a recepção pedir para telefonar ao quarto das gêmeas quando Ana Regina apareceu toda de vermelho.
O coração de Rodrigo saiu do compasso e disparou.
_ Oi, Rô!_ Ana Regina lhe deu um beijo perfumado na bochecha._ Fiz você esperar muito?
_ Não...
Vendo as flores ela sorriu mais:
_ Não são pra mim, são?
Embaraçado como se houvesse cometido o maior dos pecados, o rapaz respondeu constrangido:
_ São pra sua bisavó.
_ Oh, que amor! Ela ama flores. Vamos, meu bem?
_ E a Ana Clara?
_ Foi pra lá mais cedo com os meus pais, ajudar o pessoal no que precisar.
Tomou o braço de Rodrigo e foram.
●
Da rua escutava-se o altíssimo som do xote fugindo de dentro da casa toda enfeitada. Mesmo antes de entrar Rodrigo sentiu-se deslocado. Amigos e conhecidos faziam-se presentes, afora os membros da família. Um mais ruidoso e alegre que o outro. A casa era um sobrado reformado recentemente, todo atapetado. Um luxo! A família de Ana Clara e Ana Regina era bem abastada, pensou Rodrigo.
Ana Regina foi cumprimentar a avó levando Rodrigo junto. Ele entregou o presente à velha senhora de modo acanhado. Ela agradeceu o presente com um sorriso débil. Tinha um ar frágil e parecia cansada, mas seus olhos brilhavam como brasas vivas e olhava para o rapaz de uma maneira que ele estranhou.
Rodrigo nem teve tempo de falar qualquer coisa e foi sendo puxado e cumprimentado pelos familiares das gêmeas.
Alguns casais disputavam espaço dançando no meio da sala. Rodrigo avistou Ana Clara, em um vestido amarelo com estampa de miúdas florzinhas, com uma bandeja ajudando a servir os convidados.
Nisso uma senhora em um informal elegante aproximou-se de Ana Regina e Rodrigo. Cumprimentou o rapaz e depois voltou-separa a filha. A mãe das gêmeas, dona Selma, praticamente berrava para se fazer ouvir no meio daquele barulho todo:
_ Sua irmã não parou desde manhã ajudando o tempo todo enquanto você ficou passeando naquela bicicleta, mesmo contra minha vontade. E ainda chega tarde à festa! Todos estão cooperando. Vá ajudar a Ana Clara e suas primas a servirem os convidados!
_ Não me vesti dessa forma pra ficar me sujando com gordura de salgadinho, mãe!
E discutiam como se o rapaz nem estivesse ao lado delas. Rodrigo ficou sem saber o que fazer. Sua salvação foi Ana Clara aparecendo na sua frente.

VOCÊ ESTÁ LENDO
O caso da joia da Condessa
AventuraQuando dois irmãos, que se detestam, se envolvem em uma confusão, eles não imaginam o que vem pela frente. Acompanhe a história de Rodrigo e sua irmã Alisson na descoberta de uma misteriosa joia desaparecida