Corvo na Janela

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Benjamin

Surpreso.

É exatamente como estou me sentindo agora, eu e os gêmeos, que estão andando pela minha sala desde que chegamos em casa.
Acho que de todas as pessoas daquela maldita escola, Alaska era a que eu menos suspeitava de ser o sobrenatural que veio pra cidade.

Há alguns dias atrás um amigo da época em que minha mãe era alfa da alcatéia reapareceu, dizendo que dois seres haviam saído do Submundo e, muito provavelmente, vindo para cá.
Não me importo que eles venham, mas achei que já era claro o suficiente que eles têm de vir até mim.

- Querido, no que está pensando? - Minha mãe perguntou após sentar ao meu lado.

- Estou pensando que ela não veio me comunicar da sua estadia aqui. - Respondo ainda olhando pra frente.

- Por favor Benjamin, ainda acha que todos os sobrenaturais que estão ou que pretendem vir para cidade vão falar com você? - Ela me olhou incrédula. - Você não saiu do meu ventre tão idiota assim. - Ela falou indignada, e a essa altura todos naquela sala olhavam a cena.

Minha mãe nunca foi a do tipo discreta, ela sempre deixou bem claro tudo o que achava.
Principalmente quando estava em família...

- Deixa eu falar uma coisa pra você, meu filho, não é por ser o alfa mais novo da história que as pessoas devem algo a você. - Falou se levantando. - E lembre-se de uma coisa, antes de achar que estou falando bobagens, eu já fui alfa. E sei que não são seus olhos em vermelho que te tornam especial.

- São suas atitudes. - Meu pai se aproximou, e abraçou minha mãe. - Sabe, você não é um mal líder, é só um adolescente. Um que recebeu muitas responsabilidades em tão pouco tempo. - Refleti as palavras do meu pai, ele sempre sabe o que dizer.

- Mas isso não significa que você não esteja fazendo escolhas idiotas. - Sempre tão sincera...

- Eu acho que elas não oferecem risco nenhum... - Cedric falou pensativo, não vendo que tinha tomado toda a atenção para si. - Afinal, se eu estivesse fugindo do Submundo também não iria correndo falar com você. - Cedric me encarou. - Você é muito antipático, sabia? - Encarei ele com uma sobrancelha arqueada.

- Ele tem razão, as vezes penso que você foi adotado. - Olhei indignado pra mulher que diz me amar. - Mas aí eu lembro que não adotaria você e caio na real. - Deu de ombros.

- Esse é um dos motivos de eu amar sua mãe, a sinceridade dela na escolha das palavras é cativante. - Jasper falou sorridente depois de se jogar de forma desleixada na poltrona do meu pai.

- Esse vocabulário... Teve aula de filosofia hoje, Jasper? - Sarah sorriu cínica.

Minha mãe é genial.

Eles começaram um debate caloroso sobre outros assuntos, aproveitei e fui para o meu quarto de fininho.
Minha mãe tem razão, eles não vão vir falar comigo e eu não tenho o direito de ir atrás deles pra exigir algum a coisa. Não que eu vá contar isso pra ela, é claro.

Mas sei lá, ainda parece meio surreal que Alaska seja quem estávamos procurando...

Olho pra janela e algo chama minha atenção, um corvo, olhando diretamente pra mim.
Ele não se mexe, nem pisca...

Balanço minha cabeça e resolvo focar em outro canto do quarto, mas um barulho vindo da mesma janela me faz voltar a olhar.
O corvo não está mais ali, mas Alaska está.

Travo meu maxilar e encaro a garota que faz o mesmo, só que com uma feição muito mais entediada. Noto que ela trocou de roupa desde a última vez que a vi.
Volto a olhar para seu rosto a tempo de vê-lá revirar os olhos pra mim, num claro sinal de tédio.

- Eu pediria que me convidasse a entrar, mas eu já estou dentro. - Sorriu.

- Você era o corvo? - "Que pergunta mais idiota foi essa?" Deve ser isso que ela pensou, pela cara que está fazendo e pelo sorrisinho maldoso que seus lábios adotaram.

- Sim. Mas achei que você faria perguntas melhores. - Ela passou a mão por um livro de filosofia antigo que estava em cima da estante. - Mas se sua capacidade te limita a perguntas tão óbvias a ponto de serem ridículas, eu vou pra casa. - Falou sentando no parapeito da janela e colocando as pernas pro lado de fora.

Antes que ela pulasse ou virasse um corvo e saísse voando por aí eu a segurei e puxei de volta para o meio do quarto.
Alaska riu e jogou a cabeça um pouco pra trás, numa tentativa falha de olhar para mim.

- Por que veio até aqui? - Perguntei ainda com meus braços envolta da sua cintura.

- Quando deixei vocês na floresta, você exalava curiosidade. - Riu baixo. - E Minha irmã acha que devemos manter um bom relacionamento... Ela é dessas sentimentais que gosta de ter certeza que está tudo bem. - Deu ombros.

Alaska passou suas unhas de leve sobre minha mão, me fazendo arrepiar pelo contato.

- Eu sei que deve estar bom pra você, mas antes que eu resolva usar a força bruta, o que acha de me soltar? - Soltei ela no instante seguinte.

- Diga pra sua irmã que está tudo bem. - Falei olhando pra janela em que ela estava sentada novamente. Ela sorriu.

- Aproveitando que estou aqui... -  Me lançou um olhar malicioso. - Não esquece que temos que entregar o trabalho de sociologia em algumas semanas, bonitinho. - Piscou e se jogou pra trás, caindo da janela.

Corri até lá e logo vi um corvo voando, como um sinal de que ela estava bem.
Suspirei e me joguei na minha cama, pensando nas complicações que isso poderia trazer.

E em como ela ficou... Sexy, seria a palavra certa para descrever aquela garota.

Mas que droga estou pensando?

Capítulo meio merda? Sim.
Eu achei que faria melhor? Talvez.
Hotel? Trivago.

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