Merlin

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Sabe a sensação se ver um fantasma? Se não, saiba que no meu caso é conflitante. Quando você se muda, espera deixar algumas coisas pra trás, na verdade, você anseia por deixar algumas pessoas pra trás.
Não por que não gosta delas, mas porque gosta muito.
Quando deixei o submundo, deixei uma pessoa importante. Ela conhece meus motivos e se veio até mim com certeza tem os dela. E é isso que me apavora.

Melinda é uma das poucas pessoas que conheci que podem entender como me sinto. Ela é especial, como eu.

- O que aconteceu? - Benjamin perguntou assim que parou a moto e eu saltei da mesma. - Sabe que pode confiar em mim. - Falou puxando meu pulso pra mais perto de forma firme, mas delicada.

- Alaska. - Me virei pra entrada da floresta.

- Melinda. - Falei sem expressar qualquer emoção.

- Benjamin. - Falou e olhamos pra ele. - Achei que era essa brincadeira, alguém pode me dizer o que ta acontecendo aqui?

Mesmo tendo sentido, ainda tinha alguma esperança de que fosse coisa da minha cabeça. De que ela não estivesse mesmo aqui, agora, sentada no meu sofá com uma caneca cheia de café na mão.
Estão todos aqui, os pais de Ben, Aria, e os gêmeos.
Parece que virou assunto da alcatéia.

- Então, quem é você mocinha? - O pai de Ben perguntou.

- Sou uma bruxa. - Respondeu.

- Loba... - Aria falou num suspiro.

- Arma. - Completei.

- É, isso tudo ai. - Deu de ombros e colocou a caneca na mesa. - Agora quem são vocês?

- É a alcatéia daqui, Senhor e a Senhora Vermont, os gêmeos e o alfa e namorado da Al, Benjamin. - Aria falou apontando pra cada um.

- Ele não é meu namorado. - Bebi do meu café e todos olharam pra mim. - E você já sabe de tudo, Merlin. - Espreitei os olhos pra ela.

- É verdade. - Falou rindo e olhando pro nada, com certa melancolia. - Mas você não. - Olhou para mim.

- Então conta. - Benjamin pediu.

- Ele tá atrás da gente, quer que voltemos ao Castelo Negro. - Rapidamente minhas lembranças de todo o lugar voltaram, como tiros no corpo de um coelhinho.

O Castelo Negro, uma obra arquitetônica que mundano algum jamais conseguiria sequer imaginar. Cada tijolo tão escuro como a visão do Reino Abissal, grande e imponente, torres vigiadas 24 horas por dia. Ninguém que não fosse desejado conseguiria chegar perto o suficiente.
Os portões fechados, decorados com presas de sobrenaturais mortos em batalha, com suas almas ainda presas ali.
Nos campos, crianças e adolescentes sendo treinados para matar qualquer um que chegue perto demais. Todos mortos por dentro.
Merlin e eu éramos como essas crianças.

- O Rei garantiu que seríamos livres. - Rosnei, mesmo não sendo do meu feitio. Sabe, é meio assustador.

- O Rei morreu, Alaska. - Arya falou baixo.

É óbvio, com a morte de Nikolai os acordos de vida também deixam de existir.

Senti todo meu corpo queimar e tudo na minha frente ficar avermelhado, não era mais eu.

- Alaska? - Sarah chamou, ouvi de forma abafada e logo sumi dentro de mim mesma.

Merlin

- Ainda me pergunto por que ensinei magia pra você, Alaska. - Falo assim que recupero meus sentidos.
Fomos todos lançados alguns metros pra trás, uma pequena explosão gerada por um misto de raiva, choque e indignação.

- Melinda! - Arya gritou.

Fiz com que Alaska flutuasse alguns centímetros do chão, retirando dela as trevas, que mesclava com o roxo vivo que saía de mim.

- Alaska, fale comigo. - Busquei por ela, dentro do furacão que havia se tornado ao seu redor. - Sei que você está ai.

- "Destruam o que se diz Primogênito, o Bastardo deve assumir por direito." - Falou com a voz séria, e então voltou ao normal.

Deixei que ela voltasse ao chão, enquanto sua iris saia do vermelho e focava seus olhos nos meus.

- Aquele vampirinho mimado de merda não sabe com quem se meteu. - Falou furiosa. - Merlin, Adrian matou Nikolai.

- Mas que filho da puta! -

Voltei porra!

Vcs olhando pra mim dps de meses q eu sumi kkkkkk

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Vcs olhando pra mim dps de meses q eu sumi kkkkkk

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