Use um vestido.

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Alaska

Faz cerca de uma semana desde que Benjamin e eu ficamos e estamos vivendo uma... Amizade colorida, eu acho. As vezes ficamos, as vezes não olhamos um na cara do outro, e tem vezes que só aproveitamos o silêncio juntos. Têm sido divertido.

- A minha mãe quer conhecer você. - Benjamin falou ainda deitado.

Arqueei uma sobrancelha, observando o garoto que antes estava deitado levantar da minha cama e vir lentamente até mim, na janela.

- Contou pra sua mãe sobre mim? - Perguntei um pouco incrédula.

- Na verdade ela meio que descobriu. - Respondeu dando de ombros. - E me intimou a levar você lá. Hoje, pra ser mais exato. - Me abraçou pela cintura, fazendo com que ficássemos ainda mais próximos.

- Não costumo conhecer os pais de quem estou ficando. - Passei meus braços por seu pescoço.

Benjamin desviou seus olhos dos meus, fitando diretamente a vista pro início da floresta. Talvez não esteja acostumado com garotas falando de outros caras, mesmo que indiretamente, pra ele.

- Tudo bem. - Revirei os olhos. - Eu vou conhecer seus pais hoje. - Falei quando ele me olhava de novo.

Um sorriso de canto divertido se abriu em seus lábios.

- Mas vai ter que fazer por merecer. - Fiz com que ele se curvasse um pouco e lhe dei um breve selinho. - Vou tomar banho. - Falei em seu ouvido e me soltei de seus braços.

- Você é muito esguia, sabia? - Perguntou cruzando os braços.

Gargalhei e segui para o banheiro, ligando o chuveiro na água fria.
Fiz questão de tomar um banho demorado.

- Você acha que poderia, sei lá... -

- direto ao ponto, Benjamin. Você está no meu box. - O interrompi.

- Poderia usar um vestido? - Perguntou coçando a nuca.

- Não acredite em nada que eu prometer enquanto estiver nua. - Me virei de costas pra ele e peguei meu condicionador.

- Foi uma pergunta boba, deixa pra lá... - Tinha um tom de chateação na sua voz.

- Eu não vou ceder. - Falei ligando o chuveiro de novo.

- Você sabe como essa água tá gelada? - Deu um gritinho.

- No submundo não tem água quente. Me acostumei com o frio. - Dei de ombros.

Fiz meu cabelo crescer um pouco. É tão estranho falar assim, "fiz meu cabelo crescer" "troquei a cor" é estranho poder trocar qualquer coisa em si, ninguém te ensina a fazer isso.
No começo era controlado por emoções, depois de muito tempo que se tornou algo simples de se fazer.

Desliguei o chuveiro e alterei pra água quente, peguei minha toalha e sai do box.

- Não desça, vou trazer algo pra gente comer. - Pedi séria, enrolando a toalha no meu corpo.

- Eu te chamo pra conhecer meus pais e você me esconde da sua irmã? - Perguntou rindo.

- Não, ela não está em casa. - Dei de ombros. - Só não quero que saia do quarto. - Fechei a porta do banheiro atrás de mim e peguei uma roupa confortável pra ficar em casa. (Multimídia)

Cheguei na cozinha me certificando de que realmente não tinha ninguém em casa além de nos dois. Coloquei a água pra esquentar e fui até a geladeira, procurando por algo fácil pra levar lá pra cima. Peguei alguns pães e requeijão, adoro requeijão.
Peguei também leite, frutas, um pó pra cappuccino gelado e meu sachê de chá.
Desde pequena estou acostumada a beber chá, foi uma mania que minha mãe me deu.

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