A milhares de anos atrás, durante uma noite especialmente fria, o Senhor do submundo conheceu uma jovem.
Dizem, até hoje, que foi amor à primeira vista. E que desse amor proibido, nasceu o Bastardo.Alaska Dhoruba
Ainda posso sentir o poder de Nikolai correndo pelo meu corpo.
É estranho, um pouco aterrorizante na verdade. Ser um canal de energia acaba sendo desgastante física e emocionalmente.
Nikolai foi um grande homem, um dos melhores que o submundo teve.- Você tá melhor? Quer descarregar essa energia? - Merlin perguntou da porta do meu quarto.
- Não, tá tudo... - Bem? Com certeza não. - Sob controle, eu acho. - Respondi meio vacilante.
- Chamem os jornais, pois Alaska Dhoruba está insegura! Isso não se vê todo dia. - Tentou descontrair.
Olhei séria pra Merlin, mas não pude manter e acabei sorrindo, enquanto balançava a cabeça.
- Ah, Benjamin quer saber se pode subir. - Disse se afastando da porta devagar.
- Pode sim. - Falei um pouco mais alto.
- Que bom, porque eu já tô aqui. - Falou fechando a porta do quarto.
- E se eu dissesse que não? - Perguntei levantando do parapeito da janela.
- Eu ia ficar bem chateado. - Disse me Abraçando. - Você tá com cheiro de vampiro. Eca. -
- Vai se fuder, Benjamin. - Me soltei dele rindo. - Pior que você ta certo. -
- Mas e ai, o que vocês vão fazer agora? - Perguntou depois de sentar na poltrona do meu quarto, que fica razoavelmente perto da cama.
- Sinceramente? Eu não sei. - Falei sentando em seu colo. - Voltar pra lá, talvez...
- Como assim? Vai voltar pra lá? Ficar exatamente onde ele quer e esperar ser pega? - Perguntou nervoso.
- Claro que não. - Respondi dando um afago em seu cabelo. - Vamos lutar, como sempre fizemos. Fui criada pra isso.
Benjamin apertou minha cintura, como se discordasse completamente do que eu havia falado.
Acho que ele ainda não entende que não é meu alfa, que eu sou totalmente independente disso e que sou a criatura mais perigosa que já pisou nessa cidade. Mas eu não o julgo, é difícil pra alguém que sempre foi o líder, lidar com uma pessoa que não precisa dessa liderança.
Seus batimentos cardíacos se alteraram por alguns segundos, sua respiração ficou mais pesada e sua feição, confusa.- Certo... - Resmungou antes de voltar ao normal. - Por que não me conta como foi criada? - Perguntou se ajeitando e me puxando mais para si.
Benjamin Vermont
Senti Alaska puxar o ar para seus pulmões, provavelmente surpresa pela pergunta.
Eu não concordo dela voltar para o submundo, mas tenho que aprender a ver seu ponto, e entender suas decisões.
Ela não é como qualquer outra garota, por incontáveis motivos.- Quando eu era mais nova, por volta dos meus 5 anos, meu pai definitivamente nos abandonou. Só jogou tudo pro ar, desapareceu no mundo. - Falou começando a amarrar o cabelo com ele mesmo. - E então, a pobre menininha, que sou eu, teve um conflito de emoções tão fortes que, basicamente, desencadeou o que ela realmente era.
Balancei a cabeça, indicando que continuasse. Falando daquele jeito, parecia até ser uma história engraçada.
- Por isso Nikolai, mesmo que fosse um ótimo homem, fez com que eu fosse parte de seu exército pessoal. Só os melhores, sabe? Os mais fortes, mais rápidos, mais inteligentes, mais novos... - Disse falando de forma mais séria e se ajeitando no meu colo. - Lá nós fomos treinados para proteger ele a qualquer custo, independentemente de quem tivéssemos que matar ou qual de nós tivesse que morrer por isso.
- Ficou lá por quanto tempo? - Perguntei.
- Doze anos, dos cinco aos dezesseis. -
- É bastante tempo... -
- Mas foi bom, em partes. Conheci Merlin e alguns outros amigos, aprendi tudo que eu poderia sobre luta, um pouco de magia e bastante domínio pessoal. - Falou enquanto fazia carinho na minha mão com movimentos circulares. - Benjamin, sabe que eu sou a criatura mais perigosa que já pisou nessa cidade, não sabe? - Perguntou olhando fixamente nos meus olhos.
- Sei. Mas também sei que se quisesse fazer algo ruim, já teria feito. - Ficamos em silêncio durante alguns segundos. - Eu confio em você, Alaska. - Falei trazendo-a ainda mais pra mim, num meio abraço.
- Então você entende que eu tenho que voltar lá pra pôr um ponto final nessa história.
Alaska Dhoruba
Jantamos em silêncio. Benjamin está sentado ao meu lado e eu posso sentir sua preocupação, assim como em todos os outros.
Merlin e eu decidimos que iremos descer daqui dois dias, aproveitaremos um feriado prolongado. Ninguém sentirá minha falta na escola.Flashback on
- Vocês são assassinos, sem emoções. Foram treinados pra isso. - A voz fria da mulher que nos treinou durante anos se arrastou como uma faca mal amolada, em perfeita sincronia com o vento cortante que soprava no jardim do castelo. - Essa é a última vez que eu vejo vocês, e espero que comentários sobre falhas vindas dessa turma não cheguem aos meus ouvidos. - O tom ameaçador em sua voz já era tão conhecido, que sequer nos causava arrepios.
- Sim senhora! - Respondemos, separados em duas pequenas fileiras de cinco alunos cada.
- Lembrem-se: Fracassar não é uma escolha... -
- Pois fracassados morrem, e soldados das trevas já nascem mortos! - Completamos em coro, fazendo com que aquela noite fria se tornasse oficialmente o dia em que deixamos toda humanidade que já tivemos para trás.
Apenas soldados, pequenos bonecos de ventríloquo, sem coração. Obedientes e fiéis à um homem. Matamos sem hesitar, e morremos sem contestar.
Lutando para que nossas famílias estejam em segurança e, quem sabe um dia, possamos voltar para elas.
Flashback off
Todos dormiram aqui em casa hoje, Merlin ficou junto de Arya, os gêmeos dividiram o quarto de hóspedes e Benjamin se deitou ao meu lado na cama, depois que seus pais voltaram pra casa.
Ficamos em silêncio o tempo inteiro, apenas aproveitando a presença um do outro. Podíamos ouvir os passos de alguns animais na floresta, o relógio da cozinha com seus tic-tacs, o ronco do Jasper e nossas respirações.
Permanecemos assim, abraçados, até pegarmos no sono. Cada um com seu inconsciente.Tudo parecia em paz, exceto pelo medo do que está por vir...
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Transmorfa.
WerewolfAlaska sempre foi diferente de todos, sempre teve um comportamento diferente das outras crianças, dos outros lobisomens. Mas tudo mudou quando seu pai a abandonou aos 5 anos, deixando-a com sua mãe e sua irmã. A perda fez com que sua verdadeira f...