Doce Estrela - Parte 2

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MEU SALVADOR

ESTELA

Embora eu não quisesse, foi mais forte que eu. Quando o vi sentado solitário num banco do metrô, senti que devia falar. Talvez ele não se lembrasse de mim... afinal, já faziam cinco anos.

Mas ele não esqueceu. Por uma parte fiquei feliz por ele não ter me esquecido. Mas, por outra, fiquei arrasada por ele ter lembrado de tudo...

Eu queria dizer que sentia muito. Que não havia feito aquilo por mal. Eu não o deixei porque foi meu desejo, mas porque eu precisava. Precisava muito...

Doeu muito em mim ter que ir embora sem ao menos me despedir adequadamente. Doeu ter deixado apenas um bilhete pregado na geladeira e nada mais.

Eu conseguia me visualizar escrevendo aquilo às pressas e ao mesmo tempo silenciosamente. Eu escrevendo num pedaço qualquer um bilhete e pedindo que não se zangasse. Eu fazendo aquilo antes de ele acordar. Eu fazendo aquilo antes de eu ter que falar aquilo pessoalmente, olhando em seus olhos. Talvez eu não conseguisse se seus olhos castanhos estivessem me fitando confusos ou marejados.

Eu devia ter repensado minha decisão. Talvez, eu não estivesse morando numa pensão horrível e tendo meus pertences furtados vez ou outra se eu tivesse dito não a aquela proposta idiota de modelar no exterior. Como fui tola...

Fui enganada. Roubada. Humilhada.

Nunca mais tive coragem de nada na vida. Minha vida apenas ia caindo e eu me deixava afogar por meus problemas sem a mínima preocupação em reagir.

Eu precisava de alguém. Só... de alguém. Mas eu havia deixado muitas pessoas quando parti. E não me preocupei. E naquele momento, todos haviam me deixado. E era quando eu mais precisava.

Aquela frase "só damos valor quando perdemos" nunca fez tanto sentido como naquele momento. Nesses últimos cinco anos.

Eu esperava que ao menos ele tivesse conseguido entrar na faculdade, como sempre dizia quando estávamos olhando os prédios pela pequena janela do apartamento minúsculo. Ficávamos falando nossos sonhos como se tivéssemos medo de os perder.

Talvez eu é que tinha muito medo de esquecer do meu sonho de infância. Tanto medo que acabei esquecendo de um que eu meio que já tinha realizado...

Eu havia realizado o sonho de ter alguém com quem conversar. Alguém que me entendia e se importava comigo. Alguém que me amava. Eu havia conseguido isso, mas larguei.

Larguei em busca de algo que apenas não passou de ilusão. Que o mundo da moda não é o que se vê. Não é um mundo pra qualquer um... Não era pra mim.

As lágrimas e a frustração me acompanhavam desde que fui atrás dele, desviando entre as pessoas, até não o avistar. Fui pra longe daquele amontoado de gente.

Meu coração estava apertado. Toda aquela sensação ruim havia voltado. Tudo voltara pra me atormentar.

Eu esperava poder encontra-lo novamente. Eu gostaria de poder falar o que não tive coragem.

*

A chuva estava mais forte do que o esperado para aquele dia. Meu dinheiro — o resto dele — sumira e eu não tinha mais como pagar aquele lugar horrendo. Minha mochila, com quase nada de valor, pendia dos meus ombros enquanto eu tentava falar com uma amiga que conhecera durante um trabalho.

Ela simplesmente esqueceu que eu existia.

Respirei fundo, encarando o contato da minha irmã. Disquei o número, desejando que ela atendesse logo.

— Mana, é você? — Perguntei com a voz embargada.

— Estela? Irmã, é você mesmo? Onde você tá? Por que sumiu de novo?

— Mana, preciso de você. — Respirei fundo. — Por favor, me ajuda.

— Ok, ok! Onde cê tá?

— Eu tô...

Virei o rosto, mas não consegui terminar a frase. Um carro me atingiu e eu caí no chão de asfalto. Meus olhos fitavam o céu cinzento e as gotas pesadas que banhavam meu rosto. Uma dor forte me atingiu.

O alvoroço e confusão não me afetava. Eu não conseguia ouvir nada. Tudo estava girando em câmera lenta.

Ouvi sua voz que só era calmaria, embora estivesse desesperado.

Tudo foi sumindo.

Eu apaguei.

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Mais uma parte desse continho!

Não se esqueça de votar e comentar o que está achando. Um beijo e até logo!

TCHAU!

Cativo |✔Histórias para pegar e não largar. Descubra agora