Laços de Sangue I - Entre a Vida e a Morte

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Num me olha torto assim não, o que que é? Ele fodeu minha vida inteira, eu só tô tirando um braço. Ele começou a chorar olhando nos meus olhos e, sabe, mesmo eu olhando séria pra ele, eu tô na dúvida.
— HINATA, POR FAVOR, NÃO FAZ ISSO COMIGO! - ele gritou desesperado e dessa vez quem chorou foi eu. Tudo o que eu pensei quando o pai dele desligou o telefone na minha cara e eu não consegui mais falar com ele foi "por favor, Naruto, não faz isso comigo!", foi tudo o que eu pensei e ele teve dó de mim? Não, não teve! Me deixou largada na rua, grávida, passando frio e fome, tendo que roubar, virar cafetina, sem me dar uma satisfação, só uma carta nojenta! Finalmente os leões levantaram e começaram a vir até o braço dele, que tremeu todo. - HINATA, ME PERDOA, POR FAVOR! - o-o que ele disse?
— DESENHISTA? - B-boruto? Ele ouviu os gritos do Naruto? - DESENHISTA, VOCÊ TÁ AÍ? MÃE, DEIXA EU BRINCAR COM ELE... - m-meu filho... E-e-eu não consigo, eu não vou conseguir olhar pro meu filho sabendo que eu arranquei o braço do pai dele.
— B-boruto... - com o susto, ele desmaiou e esse desgraçado tem uma sorte muito grande, tanto Kayuá quanto Katsu só lamberam o braço dele, fodido da porra... Eu não... Merda! Cai de joelho, chorando de costas pra jaula, olhando pro rosto dele. Limpei o catarro que tava escorrendo do meu nariz, sentei com as pernas encolhidas, abraçando elas e sufocando o choro como se eu fosse uma garota do tamanho do meu filho, assustada e eu tô assustada, assustada de verdade comigo. O-o que que eu virei? O que que eu me tornei? Eu sou um monstro! Ele me transformou nisso, nesse monstro nojento que é a Poderosa, porque que eu
— L-l-lindinha, me perdoa, eu te amo... - não, não ama, se amasse nunca tinha me deixado sozinha, nunca, nunca, nunca... AH! Sacudi a cabeça, tapando os ouvidos, é como se eu tivesse escutando todos os "eu te amo" que ele já me disse misturado com a voz do Boruto, com as vezes que eu disse que amava ele também, com esse pedido de perdão, eu tô ficando louca!
— TIRA ELE DAQUI, CHICLETE, EU NÃO QUERO VER ELE NUNCA MAIS! - gritei chorando, até acordei ele, que tá meio confuso. Merda! Por que eu não esqueço desse idiota? Por que eu não consigo simplesmente matar e tirar ele da minha vida de uma vez por todas? Por que a Chiclete tá demorando tanto?
— M-me perdoa por eu ter sido fraco e não ter enfrentado tudo por vocês, lindinha... - filho de uma QUENGA.
— NÃO ME CHAMA DE LINDINHA! - levantei e pisei no braço dele até quebrar essa merda de osso, por mim eu esfarelava igual ele esfarelou o meu coração, destruía igual ele me destruiu.
— MAMA, MAMA, O PAPA DESENHISTA TÁ AÍ? - e-ele... ELE ME FEZ ASSUSTAR O MEU NENÉM! Chutei a cara dele, que só chora, peguei a pistola, apontei pra cabeça dele, passando a mão no cabelo e, porra. - AH! - atirei do lado dele, que deve ter se cagado todo, mas eu não tô nem aí.
— B-boruto... - me abaixei e segurei ele pelas bochechas.
— Nunca mais, tá me ouvindo? Nunca mais chega perto do meu neném, eu não quero ele perto de gente imunda igual você! - já basta ele ter que ficar perto de gente imunda igual eu. Atirei na perna dele, devia ter atirado no saco, mas também não consegui...
— S-se quiser, m-m-me mata, mas n-nao... Não t-t-tira o n-n-nosso filho de... Mim! - apertei a bochecha dele ainda mais forte, olhando no olho dele.
— Não tem nosso filho, ele é meu, você rejeitou ele quando ele ainda tava dentro de mim, você... - e-e-esse filho da puta me beijou! Eu tô aqui, apontando a pistola pra cabeça dele, que tá todo fodido, e ele ainda me beija e, pior, eu ainda gosto do beijo dele e não consigo apertar o gatilho... - Me larga! - meti duas coronhadas nele, que caiu desmaiado sendo arrastado pela Chiclete pra fora. - Larga ele no hospital, eu disse hospital! - ela não parece muito Feliz, mas foda-se.
— Tá bem, Poderosa... - Poderosa, Poderosa... Eu não aguento mais ser a Poderosa, eu não aguento mais feder a sangue e pólvora, não aguento mais isso.
— EU NÃO AGUENTO MAIS! - eu só queria... Eu só queria que tudo isso fosse só um pesadelo! Corri pro banheiro, eu preciso me lavar desse sangue dele, do choro dele, do beijo dele, do que eu sinto por ele... Merda, eu só queria esquecer dele, só queria abrir o olho e ver que foi tudo um pesadelo o tempo todo, que tá tudo bem, que eu nunca fiz nada errado, que eu não sou a Poderosa, que eu só sou a Hinata, mãe do Boruto e mulher do Naruto, o meu príncipe que chegou num cavalo de desenho... Por que que a realidade tem que me doer tanto? Por que tudo sobrou pra mim? Por que eu não fui capaz nem de simplesmente aceitar um pedido de perdão? Sei lá, acho que é porque não dá pra perdoar ele sabendo que foi o fato dele me deixar pra trás que fodeu tanto comigo, mas, sabe, eu esperei muito só pra ouvir isso dele, esse "me perdoa", eu... Merda, o que é que eu tô fazendo com a minha vida? Sai do banheiro com a cara inchada de choro, mas foda-se, não tô nem aí, eu só preciso dele.
— Mama... - eu precisava desse abraço dele, do meu pacotinho de amor e doçura, que veio correndo me abraçar. - O papa Desenhista tava com você? - ele chama ele de papa... Meu filho não se importa se ele é um desgraçado, ele só quer poder chamar alguém de papa! Mas eu não posso deixar ele chamar alguém como o Naruto de papa. Ajeitei o cabelinho dele, limpei o rostinho...
— Filho, eu não quero que você chame o Desenhista de papa, me entendeu? - me dói muito ver ele tristinho assim, mas eu preciso fazer isso. - Eu não quero nem que você chegue perto daquele homem!
— Mas ele é meu amigo, mama, eu amo o Desenhista como eu amo o papa! - e-eu não aguento ouvir isso sem sentir dor, sei que vai doer nele, mas se eu deixar ele se apegar no Naruto pra depois o Naruto sumir de novo e fazer mal a ele igual fez comigo vai doer muito mais. Limpei as lágrimas dele, ele fez um biquinho bem fofo esse meu neném que eu abracei forte. - E-ele não quer ser mais meu amigo? Ele foi embora igual o papa? - eu sou a pior mulher do mundo fazendo meu filho chorar assim, eu sei, eu tô me sentindo um monstro, tô com vontade de me jogar naquela jaula de leões por isso, mas..
— É filho, ele foi embora igual o papa! - meu neném chorou tanto, mais tanto, no meu colo, chega tá doendo em mim.
— Todo mundo vai embora... - não... Esses olhinhos tão vermelhos e desesperados, eu... - Mama, promete que nunca vai? Fica comigo, mama, eu te amo!
— Eu também te amo, meu neném, eu te amo muito! - eu nunca vou deixar o meu filho, eu não sou como ele, não sou, eu nunca ia deixar o meu Boruto sozinho como o Naruto me deixou... Por que o Naruto não sai da minha cabeça? Porra!
— Eu quero o Desenhista, mama, eu quero ver ele... - beijei a testa dele, tá todo vermelho de nervoso, chorou até dormir cansado no meu peito, aí eu deitei com ele na cama.
— A mamãe vai te proteger, meu neném, vou proteger você de tudo... - respirei fundo, será que eu tô fazendo errado? Eu só quero proteger o meu filho da dor de se apegar muito ao Naruto e depois ele sumir do nada, ele já sofreu tanto só tendo três anos, mas... Ah, eu tô me sentindo tão culpada agora... Será que ele tá bem?
...
~Autora~
Enquanto Hinata chorava angustiada e sentindo culpa, Sakura chegava à frente de um hospital, onde jogou Naruto quase que à sua porta, cuspindo em seu rosto.
— Só não te mato por ela, filho da puta! - disse lhe dando um forte chute entre as pernas, logo o esfaqueando na barriga, apreciando seus gemidos de dores.
— M-me m-matar não... V-vai fazer... E-e-ela te amar! - sua fala lhe garantiu uma nova facada, dessa vez na mão direita, com a rosada sorrindo debochada.
— Mas vai tirar você do meu caminho, seu fodido! - o esmurrou inchando ainda mais sua face.
— E-es-estamos ligados... P-por laços... D-de sangue, C-c-c-chiclete... O-o Boruto... L-liga a gente!
— Deixa o neném fora disso, o neném não tem culpa de nada, o culpado de tudo é tu mais a Adotada! Fica longe senão vai ser pior! - foram as únicas palavras ouvidas por Naruto antes de um novo desmaio, a ex amante de Karin não podia mais permanecer ali, já havia chamado a atenção de alguns seguranças, por isso apenas voltou ao carro e deu partida, logo dando os comandos de voz para entrar em contato com Minato. - Ligar Doutor! - o loiro não a poderia atender, estava no mesmo hospital onde agora corriam com seu filho em uma maca, por isso a criminosa apenas deu de ombros com o não atendimento, deixando um recado em sua caixa postal. - Qual é, patrão, larguei teu filho na frente do hospital, avisei que num era pra deixar ele chegar perto, Poderosa regaçou todinho, mas é bom que aprende! - dizendo isso, desligou o carro, já havia chego no bordel, onde ainda apreciou a trilha de sangue que ainda havia da porta até a calçada com um sorriso no rosto. - É, Desenhista, tu já não é mais problema meu!
...
Enquanto isso, no hospital, Minato saia de uma cirurgia para a sala de descanso, logo vendo a equipe médica passar com a maca, reconhecendo prontamente os cabelos loiros de Naruto, se desesperando.
— FILHO! - o rapaz estava praticamente irreconhecível de tão machucado, havia perdido bastante sangue, delirava de febre.
— B-boruto, não me odeia, por favor, não me odeia... - gemia delirante, enquanto seu pai era contido pela equipe ao saber de seu estado.
— E-eu preciso salvar o meu filho, eu... - um de seus subordinados o pôs contra a parede, o fazendo voltar a si após alguns longos minutos de desespero.
— Doutor, você não pode operar, olha o seu estado! - disse o homem se espantando em ver o Namikaze, sempre tão forte, agora tão abalado. - Ele foi levado em alto risco, precisa de sangue, provavelmente foi torturado, tá desidratado... - com pesar, tocou seu ombro. - Acho que é bom o senhor e a sua família se prepararem pro pior.
— N-n-nao... - impactado com as péssimas notícias, deslizou até o chão com as mãos na cabeça, desnorteado e perdido, olhando os rastros do sangue de seu herdeiro, o mesmo sangue que os unia e agora pingava enquanto o jovem era levado para a urgente cirurgia que poderia salvar sua vida. Chorou angustiado, sabia que algo assim só poderia ser obra de Poderosa, por isso, tremendo, pegou o telefone, ouvindo o recado de Sakura e sentindo ódio, não das mulheres, mas de si mesmo. - Eu nunca vou me perdoar, eu nunca vou me perdoar... - Shion, que estava no mesmo hospital já à procura de Naruto, como havia ficado durante toda a noite com a ajuda dos homens de Toneri, ao notar que o pai adotivo desabava em lágrimas, se aproximou.
— O que aconteceu, papai? - bastou que a loira tocasse em seu ombro para que o Namikaze se enfurecesse, segurando seu braço com força. - O que...
— A culpa é sua, seu demônio, ela torturou ele por sua culpa! - disse olhando no fundo de seus olhos lhe causando espanto e ódio, não de si mesma, mas de Hinata.
— Ela estragou a vida dele de novo, aquela piranha, se não tivesse entrado no meu caminho, nada tinha acontecido! - bufou se soltando. Minato sequer tinha tempo para discutir com a filha adotiva, ainda estava confuso, desnorteado, sendo conduzido à sala de coleta para que pudesse doar sangue ao filho que agora corria risco de vida na delicada cirurgia onde agora precisavam conter uma severa hemorragia.
— Vamos ter que retirar o baço e talvez parte do fígado! - dizia o cirurgião enquanto uma enfermeira enxugava o suor em seu rosto. - Gaze! - sabia o que estava em risco, perder Naruto seria o mesmo que perder seu emprego e não conseguir outro em Tokyo por conta da influência dos Namikaze, por isso se empenhava em conter a hemorragia, mas a alta febre e pressão arterial do desenhista era um grande empecilho à tarefa.
— Boruto, lindinha, me perdoa, eu amo vocês, me perdo... - o monitor apitou fazendo com que a equipe médica engolisse em seco.
— Paciente em parada cardiorrespiratória! - alertou o médico auxiliar preocupado, enquanto tratavam de reanimar o Namikaze que estava oscilando entre a vida e a morte.
...
Fora do caos que reinava na sala de cirurgia, em um dos banheiros da instituição médica, Shion chorava angustiada por Naruto, sabendo do estado delicado no qual sua paixão platônica se encontrava, arranhando a si própria para aliviar seu desespero.
— Ela, é tudo culpa dela, aquela nojenta maldita! - quebrou um dos enfeites que estava sobre a pia ao lançá-lo contra a outra parede, caindo de joelhos. - HINATA, SUA MALDITA! - bradou furiosa se jogando ao chão aos prantos, mas, em seu coração, sentia o desejo de vingança, por isso lançou mão do telefone celular, discando o número de Toneri. - Alô, Lua?
— Fala, patroa, nós ainda não achamos...
— Eu o achei, ela o pegou! - disse furiosa o fazendo sorrir, sabia que agora poderia fazer algo contra Hinata abertamente. - Ela tocou onde mais dói em mim, pois eu vou tocar onde mais dói nela!
— Adotada, você tá querendo que...
— Eu quero que você pegue aquele bastardo imundo!

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