Tensão

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Ver aqueles palhaços na frente da escolinha do meu neném me fez lembrar da época em que eu era como ele, inocente, alegre, de alma boa, pura, senti até saudade dessa época, maldita hora que eu deixei o Naruto destruir essa minha pureza, pra no fim ele me largar de barriga como se eu fosse um nada e como se o nosso filho não fosse importante, mas é melhor eu de perder tempo com lembranças idiotas e me focar nessa visita ao Shino. Já que eu não tive condição de ouvir ele e o Kiba ontem, tive que me deslocar até o terrário dele pra ouvir melhor sobre o plano. Isso aqui é algo que me dá arrepios! Eu odeio insetos, não que tenha medo, mas dá nervoso ver tantos assim juntos, já as cobrasse são legais...
— E aí, Shion? - brinquei com a caixa de vidro de uma cobra amarela. Além de traficar armas, o Shino também trafica animais exóticos, principalmente das Américas, se ele não fosse integrante de máfia, ele já tinha rodado faz tempo. - Inseto! - chamei apoiada no balcão, tudo aqui cheira a mofo, poeira, se eu trazer o Boruto aqui ele espirra por três anos seguidos sem parar enquanto fica dizendo que os bichinhos são fofinhos ou bonitinhos, assim como ele faz com os meus leões, que aliás, eu comprei com o Shino, que agora veio me atender passando pela "porta" de cordões.
— Ah, Cachorro, é só a Poderosa! - quando eu vi, o Akamaru, o cachorro branco do Kiba, passou por debaixo do balcão e veio me cheirar, abanando o rabo. - Cuidado, Akamaru, ela vai te jogar prós leões...
— Brinca assim de novo que quem vira comida de leão é você! - pense que eu tô pra brincadeira hoje... - Senta, Akamaru! - o Akamaru é melhor que muita gente, principalmente melhor que o dono dele, o Shino e eu. - Eu vim falar do investimento... - ele abriu o balcão e eu passei, espirrando com o tanto de poeira que existe aqui dentro.
— Da próxima você avisa que vai me fazer uma visita pra eu fazer uma faxina... - engraçadinho.
— Fala, Poderosa! - o Kiba me ofereceu um copo e depois encheu ele com whisky, ainda são 08:00, mas nunca é cedo pra encher a cara e tentar esquecer o quanto a nossa vida é fracassada. - Veio pessoalmente falar sobre o negócio? - vim..
— 60 milhões merecem uma atenção especial, não acha? - perguntei antes de beber um gole do whisky, desce como agua, nem parece que há três anos eu na conseguia nem beber vinho sem me sentir mal.
— Claro que merecem uma ótima atenção por nossa parte, são 20 milhões pra cada um! - divisão justa.
— Bem, qual é o plano? - perguntei brincando com o Akamaru e o Shino me entregou uma sacola com umas roupas de quenga, acho que ele tá querendo virar inseto pisado. - Mas nem fodendo eu entro num bagulho desse, Inseto! - a última vez que eu vesti corpete, cinta liga e saia de couro foi pro Naruto e aquela foi a última vez na minha vida, espero eu.
— Ah, Poderosa, não atrapalha a gente! - eu já não tenho muita dignidade, esses pela saco ainda querem acabar com a pouca que me resta? - Você vestindo isso derruba o mais concentrado e forte segurança do mundo. - e também derrubo o que eu ainda posso chamar de honra.
— Pode esquecer, eu não visto uma porra dessa!
— Poderosa, vai poupar muito trabalho nosso se você der apenas uma rebolada na frente daqueles imbecis, você distrai eles e a gente faz o serviço sujo... - ah, não, sempre sobra pra mim, mas também, não vou negar, eu sou gostosa! Meu filho não é aquela lindeza de menininho à toa não, meu amor, eu não nego o título de Poderosa, mas não é por isso que eu vou me rebaixar de rebolar pra um monte de tarado, se eu fosse dessas eu fazia isso no meu próprio bordel, Shino!
— Vai, Poderosa, nem todo o poder bélico do teu cartel, da minha delegacia ou do oyabun do Inseto se comparam a uma cruzada de pernas sua! - não adianta tentar babar meu ovo, Kiba, eu não vou mudar de ideia por elogio que até o traste do Naruto dava, aliás, ele vivia elogiando as minhas pernas, quando eu quis chamar a atenção dele pra mim bastou dar uma cruzada e eu me arrependo até hoje disso.
— Elogio até o pai do Boruto me dava, tá ligado? - ele estalou o beiço e o Shino riu.
— Bem, se você fica melhor... - ele me mostrou um relatório do informante dele no banco. - Chegou mais 40 milhões no banco, uns milhões a mais na sua conta pra você criar o Boruto sossegada não são nada mal... - daria até pra viver bem sem o cartel, se eu fosse trouxa de achar que eu posso largar um cartel de tamanho porte sem ninguém vir atrás de mim e do meu neném, afinal, eu sei demais pra continuar viva sem estar no negócio. - Meu oyabun quer 10 milhões do negócio, então fica 30 milhões de verdinhas pra cada um de nós! - é, olhando por esse lado, mas antes...
— Eu posso até topar, desde que o negócio seja, digamos, seguro, eu tenho um filho pequeno e tenho que voltar pra ele! - o menino já não tem pai, perder a mãe seria sacanagem.
— Fica tranquila, Poderosa, você vai voltar inteira pra babar no seu neném! - acho ótimo!
— Bem, digamos que eu tope o negócio, quando vamos agir? - eles olharam um pro outro e disseram juntos:
— Hoje! - tão rápido?
— Tão rapido? - perguntei bebendo o resto do whisky.
— É que o Lua tá de olho no negócio também... - bem...
— Agora esse bagulho é questão de honra! - foda-se que eu vou ficar parecendo uma puta, ao menos vouma ser uma puta bem rica. - Acertei com a Chiclete os valores, aliás, falando nela... - ainda não engoli esses telefonemas. - Cachorro, tu vai dar um jeito de me passar os registros de telefone dela...
— Tá achando que ela pode ser x9? - é uma hipótese.
— Vovó Chyio me contou que viu a Chiclete no telefone com alguém misterioso e que se escondeu quando viu ela passar... - tem que ser alguém muito importante pra Sakura ficar na cola da vovó ao ponto da mulher precisa me passar a informação com calda de bolo.
— Bem, pode demorar um pouco, mas eu vou conseguir! - ótimo, pode ser a vida do meu neném em jogo.
— Agora que tá tudo certo, eu vou pegar meu neném na escola! - mas antes disso eu vou cobrar umas dívidas e, vai por mim, você não vai querer ver isso!

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