Laços de Sangue II - Recordações

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Naruto
Barulho, eu escuto muito barulho do lado de fora, barulho desses monitores que medem batimentos cardíacos, sabe? Um barulho forte, forte como sinto meu coração bater, mas eu não sinto nada além disso e das dores da minha alma. Eu tô pensando em tanta coisa, penso em como foi ver o meu irmão cair ensanguentado e morto diante dos meus olhos e ver minha mãe tão desesperada com ele nos braços...
...
"Foi tudo muito rápido, corríamos pelo jardim da casa do nosso padrinho, ele estava ao longe, mas ainda na frente da propriedade e conversando com uma mulher, meu irmão tinha acabado de conseguir me vencer em uma partida de videogame e, de tão feliz, decidiu ir até lá fora chamar o Jiraya.
— Padrinho, padrinho, eu venci o Naruto! - enquanto ele ia à frente, eu escutei um barulho, virei para trás e vi meu pai assustado e em choque enquanto o pai do Jiraya apontava algo para nós. Quando virei pra frente, meu irmão já não corria.
— MENMA! - meu grito se uniu ao da minha mãe, que caiu junto a ele, chorando. Os cabelos ruivos dela ficaram ainda mais vermelhos por conta do sangue. Ele já estava morto, morreu sem sentir dor, penso eu, pois foi imediato. Minha mãe o embalou no colo e então meu pai se uniu a ela. - Meu filho, meu filho... - eu caí ao chão, também havia sangue nas minhas roupas, respingos do sangue do Menma, o sangue que eu também carregava e que nos unia além da forte amizade entre irmãos que sempre tivemos. No enterro dele, eu via meu pai olhar com ódio para o pai do Jiraya que agia como se nada tivesse feito, minha mãe parecia negar para si mesma que havia perdido um filho, ali ela começou a adoecer, ali, junto do Menma, enterramos a felicidade da nossa família.
...
Agora eu corria sozinho, estava frio, escuro, em um beco, eu vi algo diferente, umas luzes violetas, isso me chamou a atenção e por isso eu me aproximei, quando eu fiz isso, as luzes se apagaram e voltaram a acender rápido, não eram luzes, eram olhos, olhos assustados. Uma música tocava, era uma caixinha de música que estava perto e, quando eu tentei pegar, ela segurou forte.
— Não, é tudo o que eu tenho! - indefesa, fraca, faminta e sentindo frio. Era ela, Shion, em meio ao lixo e à sujeira, uma cena de dar pena.
— Naruto? - meus pais vieram atrás de mim, afinal, depois que perdemos o Menma, eu era tudo o que eles tinham. Eu já tinha tirado o meu casaco e posto na Shion, maldita hora que tive pena dela e achei que ela era algo bom.
— Podemos ficar com ela? Por favor, eu tô tão sozinho, mamãe... - tivemos muita pena dela, ela disse que a mãe jogou ela na rua e hoje eu entendo o porquê, ela é má. Maldita a hora que eu tirei ela da rua, maldita hora que ela entrou na minha vida e atrapalhou tudo!
— Você não pode ficar com alguém como ela! - eu achava que ela era a minha melhor amiga, mas não, quando eu falei pra ela sobre a Hinata, ela surtou e em vez de me apoiar ficou contra mim. Enquanto minha mãe falava sobre a minha lindinha ela só faltava subir pelas paredes.
— Ela é linda, meu filho, menina, não acha a namorada do meu filho linda? - os olhos que eu conheci tão assustados agora estavam cheios de ódio, um ódio que eu nunca entendi. Ela era minha irmã, devia estar feliz, não? Não, pelo contrário! Quando eu estava chorando desolado por ter ido embora e deixado a minha lindinha pra trás, ela parecia satisfeita, feliz com a minha desgraça.
— TÁ FELIZ AGORA, SUA ACHADA NO LIXO? - o pior de tudo é que ela nunca assumiu a culpa, ela sempre tratou a Hinata como a intrusa, sendo que a intrusa foi ela, ela que entrou na minha família, ela que entrou no meu relacionamento, ela que entrou na minha vida sem ser chamada, a intrusa sempre foi ela. Até mesmo com meus outros namoros ela sempre fazia de tudo pra me atrapalhar, só porque ela é uma frustrada ela quer que eu seja frustrado também? Eu nunca vou entender o porquê da Shion ter feito tanta coisa comigo, se eu tô aqui, se eu passei por tanta coisa, é por causa dela e de tudo o que ela fez e me fez fazer. Ela destruiu a minha vida!"
...
Tá tudo escuro, muito mesmo, tá ficando frio e os barulhos ficando mais fortes, devo me preocupar com isso? Acho que não, eu não sei bem de nada...
— Onde eu estou? - toquei as negras paredes que agora descobri se tratarem de cortinas e, assim que eu as abri, eu vi uma luz em tom de pérola, da cor dos olhos dela. Ela estava lá, num campo gramado, com algumas flores, muitos sorrisos e o Boruto, os dois correndo juntos e felizes,uma cena que eu esperei anos pra ver e sinto que meu coração acelera cada vez mais. - H-Hinata! Boruto! - quando eu me aproximei deles, eles pararam de correr, pararam de brincar, pararam de sorrir.
— Sai daqui! - eles gritaram juntos, com o meu menino agora chorando acuado no colo dela, com medo e nojo de mim. As batidas do meu coração foram ainda mais fortes e rápidas, sinto ele doer.
— B-boruto, não chora, sou eu, o Desenhista, lembra? - meus lábios sorriam nervoso enquanto meus olhos se tornam em lágrimas de sangue. - Boruto...
— SAI, EU TE ODEIO, EU NÃO QUERO VOCÊ COMO PAPA, SOME DE NOVO! - n-não, e-ele... Não, ele me odeia? - levei a mão ao peito, ele dói, as batidas antes aceleradas agora diminuem cada vez mais, o ar pesa, a dor me consome.
— Tá vendo o que você fez com ele? - ela chora e o choro dela dói em mim, o que eu fiz com a minha lindinha? Ela... - JÁ NÃO BASTA TER DESTRUÍDO A MINHA VIDA? VOCÊ FEZ MEU NENÉM ODIAR, AGORA ELE E EU ODIAMOS VOCÊ! - não, não... - Porque você deixou a gente, Naruto? Eu te amava tanto, porque você me abandonou? A gente ia ser tão feliz... - e ainda pode ser, eu só preciso do perdão deles, eu não consigo viver sem eles. - Vem, Boruto, vamos abandonar ele como ele fez com a gente! - antes que eu pudesse chegar até eles, eles se foram e me dói muito olhar nos olhos do meu menino e ver ódio e mágoa neles, ver que ele me detesta, assim como dói ver que a minha lindinha já não é mais aquela mulher tão doce por minha culpa. Eu estraguei tudo, eu os perdi por minha culpa, eu preciso deles, eu preciso...
— Boruto, lindinha, me perdoa, eu amo vocês, me perdo... - a dor explodiu no meu peito e eu sinto meu coração parar. Eles se foram, quando eles se foram a luz se apagou, sem eles eu não quero mais viver.
×Naruto×
...
Autora
Os monitores estavam parados, a massagem cardíaca feita pelos médicos não adiantava, por isso partiram para o uso do desfibrilador. Primeira vez, nenhum resultado, segunda vez, novamente o fracasso. Naruto estava perdido, achavam eles, mas uma voz foi ouvida na sala de cirurgia.
— Faz de novo! - era Minato, um pouco fraco por conta da recente doação de sangue, tendo entrado ali usando de sua influência. Não podia operar Naruto, mas a ética não o proibia de assistir ao procedimento, por isso não pensou duas vezes antes de fazê-lo. - Eu já perdi meu outro filho e não admito perder o Naruto! - dizendo isso, tomou das mãos da enfermeira o aparelho, ordenando com o olhar para que ele fosse preparado, aumentando um pouco sua potência para então tentar mais uma vez. Não estava ali como médico, estava ali como pai, os laços de sangue que os unia era mais forte que qualquer ética e por isso foi firme, dóia em si profundamente vê-lo morto, faria de tudo para mudar tal situação. - Afasta! - dizendo isso, realizou a tentativa de reanimação e, como se por um milagre, o loiro mais novo voltou a respirar, lentamente seu coração voltou a bater. Vivo, para o alívio de Minato, que foi ao chão aliviado após seu bem sucedido ato desesperado, ele estava vivo!
...
Fora do hospital, chovia forte, a chuva se confundia com as lágrimas de Kushina, que andava na rua junto de seus seguranças, angustiada por ainda não saber onde estava seu filho. Suspirou pesado, nem parecia que já era manhã, o dia estava escuro, escuro como sua alma.
— Naruto, eu não posso te perder também... - com as mãos no peito, chorava amargurada com a dor de sentir que seu filho sofria. Fez muito para protegê-lo, cuidou, ao longe, de seu neto por ele, sempre olhando para o menino que fora a maior vítima de tudo. Respirou fundo, estava próxima ao bordel de Hinata por um motivo. Com carinho acariciou a foto de Boruto, de quem nunca pode de fato se sentir avó, mas que protegeria sempre, por isso, após beijar o retrato, o entregou ao líder dos homens. - Estão vendo esse casarão? Eu quero que o cerquem e, sempre que o menino da foto sair, vocês se manterão por perto, ela não pode pegá-lo! - sabia que Shion tentaria fazer mal ao pequeno em represália à sua ex nora, o sangue que a chuva limpava da calçada denunciava que alguém ensanguentado havia sido arrastado por ali, havia sido ela a sequestradora e provavelmente torturadora de Naruto, ver o sangue de seu herdeiro lhe causava arrepios, era como se novamente visse a cena de seu filho morto em seus braços e isso lhe doía. - Deve ter doído tanto... - lamentou sofrida antes de então seguir para o carro que lhe esperava, sorrindo radiante com as notícias trazidas por Sasori.
— Ele está vivo no hospital onde o patrão trabalha! - sabia que provavelmente ele estava extremamente machucado, mas ao menos ele estava vivo e essa era a razão de seu alívio. Rapidamente seguiu ao hospital, fingindo mais uma vez sua demência.
— Kushina! - Minato, agora mais calmo e com roupas comuns, a abraçou forte. Não estranhava seus cabelos molhados, mas estranhava sua aflição, afinal, ela sequer lembrava de Naruto, não era mesmo?
— Eu sinto algo estranho, Minato, acho que estou doente... - simulava estar aérea e confusa, despistando que estava bem, o fazendo pensar que ela apenas sentia instintos de mãe. A ruiva olhava para Shion, que ali estava aflita esperando por notícias, se fingia a demência era por sua culpa, sabia demais sobre a loira para que permanecesse viva caso não fingisse o Alzheimer, diagnosticado de forma rasa, contando com a ajuda de médicos e também com a ajuda não intencional dos remédios que Shion lhe forçava a tomar e que de fato causavam alterações nos exames. A observava com ódio, sabia que era a filha adotiva a causadora de todos os seus males, mas, em breve, teria como pô-la longe de sua família. Bastava uma prova, uma única prova que a unisse a Toneri e, achava Kushina, os Namikaze novamente teriam paz.
×Autora×

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