Segundas cinzentas

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 CAPÍTULO 

   E segunda chegou, com um Sol de rachar o quengo, como dizia meu avô, ainda bem que eu consegui combinar toda a roupa dessa vez, calça social preta, blusa verde , salto quadrado preto, e um tailleur creme, maquiagem leve, e argolas douradas e discretas, afinal, começava uma nova etapa na minha vida, o que também incluía um relógio que funcionava à perfeição no meu pulso, quando saltei na estação carioca do metrô me dei conta que o meu coração acelerou, mas coloquei na cabeça que não tinha nada a ver com a expectativa de rever Arthur, afinal, ele quem sumiu no final de semana todo. Continuaria a tratá-lo da mesma forma...mas não teve jeito, quando cheguei na portaria do prédio, dei de cara com "ele", que me cumprimentou com a mesma educação de sempre, nem mais nem menos, como se não tivéssemos transado loucamente três dias atrás. Engoli em seco, forcei um cumprimento e entrei no elevador, com Inaiá me observando atentamente, poucas pessoas sabiam, que Inaiá era uma das minhas melhores amigas, o que aconteceu, foi; O pai de Inaiá, "seu" Antônio, precisava de uma cirurgia de emergência, e o plano de saúde, não liberava a cirurgia, de jeito nenhum, uma noite, atrasada como sempre, para ir para casa, desci no elevador e vi Inaiá limpando as lágrimas, e perguntei o que houve, e depois de me contar todo o caso, resolvi ajudar, e assim, seu pai foi levado para a cirurgia, e passava bem, isso já fazia alguns anos, e nos tornamos amigas, conhecia os filhos, e toda a família dela,  Mais uma amizade, que eu não pretendia deixar para trás, quando meu sonho se realizasse, sim, eu tenho o sonho de ingressar na carreira de defensora pública do Estado do Rio de Janeiro, mas ninguém sabia disso, e assim continuaria até a lista de aprovados sair. O que deveria ser pelos próximos dias, eu tinha fé, estudei, virei madrugadas, paguei cursos, comprei livros e me esforcei durante cada um dos 4 anos que vinha estudando para tal, sem contar que cada uma das fases, meu coração chegava na boca, mas até isso passou, entreguei nas mãos de Deus, e descansei.

Mas se eu tivesse que falar alguma coisa, hoje, seria, que acabe logo o dia, somente isso....

E novamente, perdi a hora de sair do escritório,  fim de ano, centro da cidade deserto após as 20:00, eu tinha que parar de me empolgar com esses processos, era perigoso demorar tanto assim. Corri para o elevador com minha mochila e dei de cara com quem?Com quem?

Arthur.

Como confessar que me sentia envergonhado, pelo meu comportamento do final de semana? Eu sabia que ela não era uma igual as muitas advogadas que eu conheci naquele prédio, mas também não sabia o que dizer para justificar o meu silêncio.

- Boa noite, drª Barbara, posso lhe acompanhar? Aquela mulher conseguia fazer minha voz falhar, como nenhuma outra.


Mas se eu tivesse que falar alguma coisa, hoje, seria, que acabe logo o dia, somente isso....

E novamente, perdi o horário, já era noite quando saí do escritório, talvez eu conseguisse pegar a saída dos cursinhos e não iria para o metrô sozinha, com muita fé, apertei o passo para o elevador, e dei de cara com quem? Com quem? Arthur, que segurou a porta, me esperando decidir se entrava ou não, mas eu me prometi ser uma mulher madura, e seria.

Arthur

Aquela mulher me tirava o fôlego e nem eu sabia porque, passei o final de semana pensando nela, pegava o telefone, discava, e deletava, mesmo pelo whatsapp, quantas vezes pensei em chamar, mas voltava atrás, e deixava para lá.

-Posso te acompanhar, drª Barbara? - No fundo torcia para que ela dissesse sim.

-Pode sim, perdi a hora, novamente... - Nunca demorou tanto um elevador chegar ao térreo.

Ao saírem do prédio, o silêncio caiu durante 5 minutos, o tempo que Arthur levou para formular um pedido de desculpas, mas nem ele conseguia entender o motivo que o levou a ficar em silêncio durante o final de semana todo, quando na verdade, queria estar com ela, levá-la na visita que fez à sua avó. 


-Desculpe, eu precisava resolver algumas coisas, e o tempo foi passando, eu não quis incomodar...aproveitei para visitar minha avó, e dar um tempo para a minha cabeça, ficou tudo embolado, sabe? Eu nunca senti o que senti contigo, Babi.

-Não precisa explicar, aconteceu, imagino que você tenha alguém na sua vida... - começou a falar...mas só conseguiu sentir a mão de Arthur, puxando seu braço, e sua boca, lhe beijando, até tirar seu fôlego...

-Você realmente acha que eu passaria a noite com você se eu tivesse alguém? Acha que eu ficaria excitado assim, somente em te ver? Droga Babi, não é só desejo, tesão, é querer estar junto, ouvir sua voz, conversar sobre o seu fim de noite, sabe?

-Por que não fez? Senti sua falta....Desculpe, não acha melhor resolvermos isso em outro local? Podemos conversar lá em casa, esse final de semana, o que você acha?

-Se você me deixar fazer o almoço de domingo, eu topo....

Mas o casal não reparou em Clara, que acabava de sair de um curso preparatório ali perto...

E assim a semana passou voando




Sinto cheiro de confusão e intriga no ar, e vocês??

Opinem, eu adoraria ler a  opinião de vocês....

O segurança e euHistórias para pegar e não largar. Descubra agora